Eu não vou expor meu cérebro a radiação nem abrir ele pra tirar um pedaço feito uma lobotomia. Prefiro ficar acendendo e desligando a luz 8 vezes toda vez que saio de casa a noite, ou olhar para a pessoa ao lado 4 vezes seguidas. Muito mais seguro. Eu já aprendi a conviver com isso mesmo. Como diria Guimarães Rosa em Grande sertão: Veredas, “viver é muito perigoso”. Mas esse tipo de tratamento pode aumentar exponencialmente estes riscos. Claro que existem muitos graus do TOC, e acredite em mim, passei por muitos deles.

Até que inventem uma pílula que cure, e não que trate apenas, vou seguindo e convivendo com isso e esperando por uma pirula que cure nosso problema seja qual for a cor dela, fazendo consultas com um profissional da área etc e tal. Já superei muita coisa, mas não sei se superaria a radiação sendo emitida diretamente no meu cérebro. Não sou o Wolverine, ora bolas.

Depois de muitos anos de estudos, estes foram os dois métodos desenvolvidos que prometem curar pessoas que tem esse tipo de problema. Não que essa “cura” não possa gerar outros problemas. Enfim, prefiro não pagar pra ver. Já sou muito intimo da forma como meu cérebro e meu raciocínio funciona com isso, talvez até não fosse o mesmo sem o TOC (e com certeza não seria). Ele chega a formar meu caráter e influenciar diretamente em minha forma de pensar. O TOC (transtorno obsessivo compulsivo), é uma merda, e não é a do tipo necessária. Mas com o tempo se torna uma espécie de “amiga”, de simbionte. Me sinto o próprio Venom com aquele psicopata dentro de mim colocando ideias absurdas na minha cabeça. Nada que a televisão não faça hoje em dia. Portanto, vou vivendo e aprendendo cada vez mais a conviver com essa minha anomalia.