<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; TOC</title>
	<atom:link href="http://www.obsessivocompulsivo.com/category/toc/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.obsessivocompulsivo.com</link>
	<description>Os pensamentos de um transtornado</description>
	<lastBuildDate>Tue, 13 Jul 2010 04:37:10 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
		<item>
		<title>Fazendo compras</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/fazendo-compras/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/fazendo-compras/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 03:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[caixa]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofes]]></category>
		<category><![CDATA[compras]]></category>
		<category><![CDATA[desastres]]></category>
		<category><![CDATA[explosões]]></category>
		<category><![CDATA[riscos]]></category>
		<category><![CDATA[supermercado]]></category>
		<category><![CDATA[Tocar]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=234</guid>
		<description><![CDATA[OBS: Esse post não faz sentido algum para quem não tem TOC. Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>OBS</strong>: Esse post não faz sentido algum para quem não tem TOC.</p>
<p style="text-align: justify;">Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, pois deixarei pendente rotinas que poderão livrar a humanidade de catástrofes. Mas preciso arriscar, afinal, o mundo não pode passar fome. Então lá vou eu!</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando ao supermercado, é hora de analisar a quantidade de coisas que vou levar. Se forem muitas, preciso pegar um carrinho, mas antes, é preciso quase que fazer uma revisão nele, observar bem, analisar a conjuntura das rodas Oo. Vamos lá: Ele não pode travar nenhuma roda; não pode pender para um lado; não pode ter nada grudado e balançando, como um saco plástico, ou o pedaço de um. É preciso verificar todo o local onde se põe a mão, afinal, uma guia suja pode significar um infeção mundial, e não quero ser o responsável por isto. Para escolher o carrinho de compras ideal é preciso muita cautela. Mas se forem poucas compras, é preciso uma cesta. Também é preciso cuidado para escolher uma destas. Não pode estar suja, óbvio. Preciso prestar atenção nas alças, pois uma vez uma delas estava ao contrário, um absurdo! Eu escolher uma cesta de compras errada, pode significar o impacto de um cometa com mais de 40 Km de diâmetro contra a Terra! E também não quero ser o responsável por isto, então é preciso ter cautela nesse momento.<span id="more-234"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Escolhido o coletor ideal de produtos, vamos às compras. Não se pode pegar qualquer coisa da prateleira, é preciso verificar cada produto. Se não está &#8220;machucado&#8221;, etc. Também não pode ser o primeiro da prateleira, pois este também pode conter possíveis infecções que podem se alastrar mundialmente. Também é preciso percorrer os corredores do supermercado de forma sistemática. Mas entenda: &#8220;de forma sistemática pra você&#8221;. não necessariamente é o mesmo pra mim. Existe um padrão dinâmico que é definido pelo momento da compra e pelos desastres que devo evitar naquele dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem determinados produtos que não se pode levar num determinado dia, pois pode significar um desequilíbrio dentro do &#8220;equilíbrio&#8221; de cuidados que tenho que ter para evitar uma série de catástrofes. Pessoas não podem ficar no meu caminho, atrasando minha passagem, isto também pode fazer com que eu seja o responsável por atrasar a rotação do planeta em torno do Sol, e fazer com que o ano dure mais do que 365 dias. Imagine um ano bissexto com 2 meses a mais? seria uma loucura social! O jeito é ser grosseiro na passagem, mas cauteloso, pois uma batida num determinado ângulo de outro carrinho também pode significar um desastre de trânsito na avenida em frente ao supermercado. Cautela, cautela sempre!!</p>
<p style="text-align: justify;">Produtos cuidadosamente escolhidos, hora de ir para a fila. É preciso cuidado aqui para não tocar em outras pessoas na fila, pois isto pode gerar um magnetismo que poderá mudar os pólos do planeta. E se isso acontecer, a única forma de reverter, é tocar naquela pessoa novamente, exatamente no mesmo local, quatro ou oito vezes, por mais que ela me olhe de cara feia, afinal, ninguém vai querer trocar o polo sul pelo norte.</p>
<p style="text-align: justify;">No caixa, muito cuidado para ele não encostar em mim, isso seria muito pior que uma explosão nuclear, já pensou a quantidade de mortes? Nem pensar!</p>
<p style="text-align: justify;">Compras pagas, hora de ir pra casa, com muito cuidado no caminho para uma sacola não cair no chão, isso significaria extinção total de todas as espécies no planeta!! Muito cuidado também com as linhas no chão, nada de terremotos antes de chegar em casa!</p>
<p style="text-align: justify;">Em minha residência, já posso pôr tudo na mesa da cozinha e voltar a tomar conta de coisas mais importantes do que os desastres no meio do caminho, afinal, o planeta está a salvo, mas alguém ainda precisa tomar conta do universo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/fazendo-compras/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Antes e depois de um certo dia</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/antes-e-depois-de-um-certo-dia/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/antes-e-depois-de-um-certo-dia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 16:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[blá…]]></category>
		<category><![CDATA[abismo]]></category>
		<category><![CDATA[chantagem]]></category>
		<category><![CDATA[consciência]]></category>
		<category><![CDATA[delírio]]></category>
		<category><![CDATA[obsessão]]></category>
		<category><![CDATA[pacto]]></category>
		<category><![CDATA[pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[razão]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[sangue]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno]]></category>
		<category><![CDATA[trauma]]></category>
		<category><![CDATA[unhas]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[visões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=224</guid>
		<description><![CDATA[teste]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em algum dia da semana, em uma determinada época de minha infância, eu comecei a ficar inclinado a ter algumas atitudes que, para mim, e para quem estivesse de fora visse, pareciam bem estranhas. De repente, senti que minhas unhas não poderiam ter nenhuma falha. Eu tinha cerca de 8 anos de idade, não tinha a menor vaidade sobre nada. Tanto que o importante não era ter as unhas bonitas, apenas que elas não deveriam ter sulcos ou pontas que prendessem no cobertor, por exemplo. Isso é até um tanto quanto natural, até eu começar a ficar completamente obcecado por isto. Não podia perder tempo procurando um cortador de unhas, sejam as dos pés ou das mãos, se não estivessem como deveriam, aquilo precisava ser resolvido imediatamente. Comecei a arranca-las a mordidas. Mordia minhas unhas até elas sangrarem, e mesmo assim, se ainda não estivessem “perfeitas”, eu continuava, com o gosto do sangue em minha boca. Mal sabia eu que este era o início de um problema com o qual eu teria que conviver durante toda a minha vida.<span id="more-224"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O desejo compulsivo de manter o fio de minhas unhas sempre lisinho nunca desapareu. Após o início dessa necessidade compulsiva, vieram as obsessões, que ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é como se fosse um sonho acordado, ou apenas um desejo. Para mim, está mais para um delírio consciente ou uma realidade virtual. A maioria das vezes eu sei que estou em uma determinada realidade, mas mergulho num evento gerado por uma espécie de “inconsciente ativo”, que tenta me controlar. Daí vem as obsessões: Percebo uma ideia ou um pensamento que me ocorre, e é como se mergulhasse nisto, mas não como um salto olímpico, é mais como uma queda desajeitada dentro de um lugar que não escolhi estar, e de onde é difícil sair. Essas ideias e pseudo-realidade começam a cercar minha consciência e começo a me sentir claustrofóbico por esses pensamentos que me apertam cada vez mais. É como se estivesse, a cada momento, mergulhando mais fundo dentro deste abismo. Como se não bastasse estar nessa situação, as próprias ideias que me cercam são ainda mais pavorosas que a própria situação em sí. E num dado momento, um desses “monstros” parece querer fazer um pacto comigo. Percebo que é como se, o tempo todo, essa fosse a intenção de meu subconsciente. É como fazer um pacto com o diabo, mas o que ganho não é algo que não tinha, apenas retomo a liberdade da minha mente. Ela pede que eu faça algo ridículo em números pares, ou que toque no mesmo lugar de meu corpo em um determinado local o qual havia tocado antes. Quando percebo isto, parece ser um pequeno preço a se pagar para libertar a minha consciência daquela situação. Eu faço, e é como se ficássemos quites. Daí, posso partir em paz, pelo menos por enquanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um tempo até eu perceber que estava sendo chantageado o tempo todo pela minha própria razão. O primeiro pensamento que me ocorre é que eu estou ficando completamente louco. Penso que se pedir ajuda irão me internar na hora, irão apontar o dedo para mim e me chamar de louco, afinal, lembrem-se, eu não havia chegado nem aos dez anos ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A missão agora é encontrar uma forma de não enlouquecer de vez, tentar controlar essas situações de algum modo. Mas cada vez que meu subconsciente aparece para me chantagear por algo que parece tão pouco, ele é sempre mais poderoso do que eu me lembrava, daí começo a me viciar, porque afinal, ele não parece pedir muito. Mas o preço começa a ficar cada vez mais alto, as pessoas começam a notar, e a cada vez preciso me esforçar mais para pagar o valor dessa chantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo é gradual, de forma que vou me acostumando com esses rituais obrigatórios para me livrar daquela “cela”. Mas existe outro fator: o trauma. A “realidade virtual” e os pensamentos a que sou impelido pela minha mente são poderosos e cada vez mais violentos. Num dado momento, é como se eu não caísse mais naquele abismo, mas como se todo o meu mundo estivesse dentro dele. Não posso mais fugir daquelas ideias, agora os rituais servem apenas para fazer com que elas se afastem por algum tempo, e esse intervalo também fica cada vez menor. Num instante de poucos meses já sou uma marionete das minhas obsessões, e o pior de tudo, é que eu não faço a menor ideia de que tudo isto é uma doença. Estou em silêncio, sozinho e apavorado por tudo aquilo que presencio todos os dias o tempo todo dentro de minha cabeça. E eu já percebi que não há saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, as coisas não ficam melhores, mas você se acostuma. Acaba se tornando íntimo de seus próprios rituais e seu corpo começa a reagir automaticamente as situações, pelo menos na maioria das vezes, quando é um ritual simples. Eu cheguei em um ponto em que não discutia mais com a razão de minhas compulsões. Eu aceitava as obsessões sem distinção, e apenas às realizava logo, para me livrar daquilo e continuar com minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Apenas mais um momento de ‘loucura’ e continuo com minha vida”, pensava eu. Eu já havia aceitado estar preso no abismo de minhas obsessões e compulsões: “Essa manhã, só terei tempo de salvar 3.000 vidas, a tarde eu cuido do planeta”. É como se o destino do universo dependesse única e exclusivamente de minhas compulsões. Minhas obsessões faziam com que pensasse que todas essas situações fossem realmente acontecer, apesar de eu nunca acreditar em nenhuma delas. É assim que funciona: eu sei que nada do que minha cabeça diz vai realmente ocorrer se eu não fizer determinada coisa. Eu não acredito em nada disso, mas ao mesmo tempo, eu tenho que fazer os rituais, para que nada disso aconteça. É uma situação bem surreal e complicada de se fazer compreender em palavras, mas basicamente, é assim que funciona. Eu acabei aceitando que o destino da humanidade, planeta, universo e tudo o mais, cabia apenas a um movimento de um determinado músculo da garganta, que eu fazia pela manhã, ou pela quantidade de vezes que acendia e apagava as luzes da sala, antes de entrar em casa. E para mim, com o tempo, isso ficou bem natural. Assim fui seguindo com minha vida, até um dia em que sentei no sofá de um lugar qualquer, onde ví uma mulher qualquer na capa de uma revista qualquer de fofofcas, e que comecei a folhear. Por mais fútil que possa ter parecido esse momento, minha vida realmente se dividiu em antes e depois desse dia. Foi quando descobri que, na verdade, eu não tinha “super-poder” nenhum, e sim uma doença complexa e pouco compreendida. Nesta revista havia uma matéria de uma atriz que tinha todos os meus sintomas, e a matéria chamou isso de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que nunca em minha vida eu senti tanto alívio.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta de que meu problema era uma doença foi algo bom, por descobrir que não estava sozinho, nem que eu era um louco completo. Por outro lado, a medida que fui pesquisando cada vez mais e mais a respeito, e consultando psicólogos, descobri que não havia cura para o meu problema, além de também descobrir de esse ser o motivo que fazia com que eu fosse tão agitado. De qualquer forma, descobri que se eu direcionasse toda essa agitação em uma tarefa, poderia “burlar” minhas obsessões, ocupando a minha mente. Hoje pareço muito mais maluco do que no começo, passo o dia inteiro fazendo todo o tipo de coisas, trabalhando direto, inventando projetos pessoais e executando todas essas tarefas enquanto realizo algumas de minhas compulsões. Por outro lado, o fato de direcionar alguns dos efeitos colaterais dessa doença, como a hiperatividade, me fez aumentar a qualidade de vida, além de garantir que eu pensasse menos a respeito e  tivesse menos “visões” violentas. Hoje, estou longe de ser uma pessoa normal, mas quem é? Levo minha vida da forma como me acostumei. Direciono minhas ideias para o que gosto, e com isto, consegui entrar em uma espécie de harmonia com minhas obsessões e compulsões. Neste momento, sou apenas mais um estranho dentre a multidão.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/antes-e-depois-de-um-certo-dia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Razão e Violência</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/razao-e-violencia/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/razao-e-violencia/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 23:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[compulsão]]></category>
		<category><![CDATA[cruel]]></category>
		<category><![CDATA[moral]]></category>
		<category><![CDATA[psicose]]></category>
		<category><![CDATA[razão]]></category>
		<category><![CDATA[sintomas]]></category>
		<category><![CDATA[sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[terrível]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=193</guid>
		<description><![CDATA[Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que o TOC não é Psicose. Este é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma &#8220;perda de contacto com a realidade&#8221;. Ao experienciar um episódio psicótico, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que o TOC não é Psicose. Este é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma &#8220;perda de contacto com a realidade&#8221;. Ao experienciar um <span style="color: #000000;">episódio psicótico</span>, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de &#8220;crítica&#8221; ou de &#8220;insight&#8221; que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento. As obsessões e transtornos das pessoas que têem o TOC, nos perturbam justamente porque nós estamos em contato direto com a razão. Caso contrário não nos preocuparíamos com nossos rituais.<span id="more-193"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-208 alignright" title="ato-violencia-poster01" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01-150x150.jpg" alt="ato-violencia-poster01" width="150" height="150" /></a>O que ocorre é que, principalmente no início da doença, quando começamos a ter os primeiros sintomas, ninguém sabe o que é realmente o TOC, e é algo que nos deixa perturbados, porque você realmente acredita que está ficando maluco. Hoje, com a web e a socialização da informação, é muito mais fácil de se conhecer a doença. Mas em uma época como a minha, foi um tanto quanto desesperador pois eu não fazia ideia de o porque que estava acontecendo aquilo comigo, nunca tinha visto nada parecido em lugar algum. É aí que vem a depressão, pois a pessoa começa a acreditar que está perdendo a razão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem observa de fora, imagina que o TOC é apenas a repetição ou a mania de limpeza, que são os sintomas mais comuns. Acham engraçado e tudo o mais, afinal, para elas aquilo não faz o menor sentido. A verdade é que para nós que temos a doença, não faz mais sentido do que para a pessoa que está observando de fora. A questão é que a doença não é só isso. Existem outros sintomas que são ainda mais complicados de se abordar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-210 alignleft" title="violencia2" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2-150x150.jpg" alt="violencia2" width="150" height="150" /></a>Eu vejo um portador de TOC como um veterano de guerra. Aquele cara que viu muita coisa ruim, e que sofre com aquilo na cabeça, revivendo momentos de horror todo o tempo. O que muita gente não sabe, são sobre nossos pensamentos obsessivos quanto a violência e ódio. Acredito que este é um dos motivos de nossos pensamentos obsessivos terem tanto poder de persuasão, pois eles lidam diretamente com o mais terrível em relação a violência e sofrimento. Constantemente, os portadores desta doença tem pensamentos e até mesmo vontades absurdas, como por exemplo, estarmos conversando com alguma pessoa, e de repente nos vemos enfiando uma caneta no olho dessa pessoa; estrangulando-a até a morte; torturando-a e várias outras ações relacionadas a violência que poderíamos ter, como imaginar tragédias com mortes horríveis, muitas vezes absurdas. Daí vem a compulsão, como uma forma de nos livrarmos de tudo isto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-209 alignright" title="violencia psicologica" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica-150x150.jpg" alt="violencia psicologica" width="150" height="150" /></a>A questão aqui é que nós temos que lidar todos os dias com pensamentos horríveis, socialmente abomináveis. O que gera muita dor e as vezes instabilidade emocional. Por isto digo que vejo os portadores desta doença como veteranos de guerra, justamente por termos traumas de experiências tão violentas e cruéis. E o pior de tudo, é que nunca realmente vivemos nenhuma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa questão demonstra o quanto o <em>Transtono Obsessivo Compulsivo</em> pode ser cruel, e eu diria até mesmo baixo, por tentar destruir nosso lado emocional e moral, atacando a nossa razão e nossas memórias através de nossa imaginação para que cedamos a todas as compulsões a seu bel-prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Então resolvi abordar esta questão, que é tão dificíl de se expor por tratar diretamente com nossa moral. Gostaria que vocês pudessem comentar o que vocês acham disso e também os tipos de pensamentos que vocês tem que sejam relacionados a violência, para que talvez eu possa fazer um post mais direcionado a esse tipo de comportamento, característico de nosso problema.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/razao-e-violencia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>18</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eu e nossas obsessões</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-e-nossas-obsessoes/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-e-nossas-obsessoes/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 20:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cura]]></category>
		<category><![CDATA[hiperatividade]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[remédios]]></category>
		<category><![CDATA[rituais]]></category>
		<category><![CDATA[vontade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=130</guid>
		<description><![CDATA[Essa semana recebi  um email muito legal da Ana, de Portugal, procurando tirar algumas dúvidas. O email ficou grande e acabei falando sobre coisas realmente muito interessantes que acho que seria legal passar pra vocês. Então vamos lá! Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Essa semana recebi  um email muito legal da Ana, de Portugal, procurando tirar algumas dúvidas. O email ficou grande e acabei falando sobre coisas realmente muito interessantes que acho que seria legal passar pra vocês. Então vamos lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares e estranhamente ter uma vontade incontrolável de refazer o mesmo caminho na volta. Nenhum desses desejos sumiu rapida ou completamente. Na verdade, eles foram se acumulando a medida em que o tempo passava. Durante toda a minha infância, eu também criei um medo absurdo do escuro, a ponto de só conseguir dormir com a luz acesa, daí a minha irmã mais velha me esperava dormir para apagar a luz para mim. Em seguida comecei a ter uma estranha obsessão pelas minhas unhas. Sabe quando você tem uma imperfeição na unha e a passa por um tecido, daí você sente o tecido predendo um pouco nessas imperfeições? Para evitar esse problema, eu comecei a arrancar todas as minhas unhas com os dentes, mesmo as dos pés, e as passava em algo feito com algodão para ter a certeza de que elas não prendiam mais em nada. Em seguida comecei com a minha obsessão mais forte, que é a de repetição e a de tocar em um lugar especifico. As vezes quando toco em algo ou alguém sem querer, eu sinto que tenho que conseguir tocar exatamente naquele mesmo lugar novamente, independente de quantas vezes eu precise tentar, e só posso parar quando consigo tocar naquele mesmo lugar. O problema é que, por exemplo, as vezes eu piso em uma pedrinha no chão, então eu fico tentando tocar na mesma pedra com o mesmo lugar do pé em que a toquei, e isso pode realmente durar muitos e muitos minutos. Outras vezes estou no ônibus e toco em alguém, é uma vergonha, porque fico tocando na pessoa de novo e de novo até conseguir acertar aquele lugar novamente, e isso é realmente um grande problema para mim. Penso que se eu não fizer isto, algo de muito ruim pode acontecer, como um predio desabar, aviões caírem ou até mesmo países simplesmente explodirem.<span id="more-130"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A obsessão é assim, por mais que você tenha a plena consciência de que tudo o que lhe ocorre e que possa acontecer não faz o menor sentido, algo dentro de você diz que aquilo irá acontecer sem a menor dúvida. É uma uma força infinitamente maior que nós e que nos move a fazer aquilo que nos ocorre.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas obsessões começaram cedo por que tive febre reumática quando criança, uma doença que causou uma inflamação em meu cérebro, demorei mais de 12 anos para ligar uma coisa a outra. Muitas pessoas acabam adquirindo o TOC desta mesma forma, ou com uma infecção originada por outros motivos. E o pior, em boa parte das vezes, a pessoa nunca vai descobrir que teve essa infecção e fica sem saber ou entender porque tem esse diagnóstico.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomei remédios sim, durante muito tempo, remédios de todo o tipo. Mas por fim acabei percebendo que nenhum destes remédios iriam realmente me curar, apenas amenizar por um período de tempo. Cheguei num ponto que decidi que não queria passar a vida inteira tomando estes remédios, até porque alguns deles eram <em>tarja preta</em>, e mais cedo ou mais tarde isso acabaria fazendo mal ao meu sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">Você me contou em seu email, Ana, que você gostava muito de escrever e adora pintar. Uma alternativa minha a todos estes remédios foi tentar direcionar meus impulsos, que não param, e minha imaginação, que mais parecia um touro indomável. Comecei então a escrever também, eu sempre gostei muito de ler livros e quadrinhos. Minha obsessão me causou &#8211; e geralmente causa na grande maioria das pessoas que tem esse problema &#8211; uma hiperativdade intrínseca a doença. O que eu faço é direcionar toda essa hiperatividade para algo que eu goste de fazer e que utilize muito a mente, como escrever, desenhar ou pintar. Na verdade eu cheguei a fazer essas três coisas por anos, mas no final, acabei me sentindo mais a vontade escrevendo, que é o meu caso. A Ana, ou qualquer outra pessoa pode se sentir mais a vontade com outras coisas, como tocar uma gaita, cantar, pintar, etc. O importante é você canalizar toda essa vontade que o TOC acaba nos impulsionando, para algo específico. Utilize os remédios no começo, para você começar a conseguir algum controle, depois vá tentando se livrar deles, direcionando suas compulsões para algo que lhe ocupe mentalmente, que lhe distraia um pouco e que lhe faça sentir-se bem. O importante de comentar, é que por mais que você fique distraído, quando o TOC &#8220;ativar&#8221; um ritual para você, não tenha a menor dúvida, não há distração no mundo que consiga fazer com que você não perceba isso. Mas se você estiver ocupado intelectualmente, pode usar essa ocupação como uma espécie de força para tomar a decisão mais díficil de toda a vida das pessoas que vivem com esse problema, que é a de não fazer o ritual. Essa é a diferença, consigo me livrar de muitas dessas vontades canalizado em outra coisa. Muitas vezes não consigo, mas muitas vezes também consigo, e isso vai nos ajudando a lutar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhuma de minhas compulsões jamais desapareceu, eu apenas tenho um certo controle sobre elas. Faço coisas estranhas a todo momento, as vezes estou numa mesa conversando com alguém e fazendo uma série de coisas estranhas com as mãos ou pés por debaixo da mesa, mas os rituais não me controlam tanto quanto antes, pois me mantenho sempre mentalmente ocupado, tentando tirar o foco o máximo possível destes rituais. A questão é que hoje em dia, eu consigo fazer com que minhas compulsões não me impeçam de fazer nada, apesar de elas ainda estarem comigo. É um tipo de equilíbrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como eu, acredito que todos podem direcionar suas compulsões para algo, ao invés de deixar que elas simplesmente aconteçam e que você passe o resto de sua vida simplesmente com medo de que elas ocorram. Sei bem que as compulsões simplesmente disparam dentro de nós sem o menor aviso prévio. Eu vejo este distúrbio como uma espécie de &#8220;poder&#8221;, e tento direcioná-lo para o meu bem, utilizando todos os potenciais &#8220;indiretos&#8221; que o TOC possa gerar em mim.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-e-nossas-obsessoes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O que é o TOC?</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/o-que-e-o-toc/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/o-que-e-o-toc/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 21 May 2009 03:42:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[cerebro]]></category>
		<category><![CDATA[definição]]></category>
		<category><![CDATA[distúrbio]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[monk]]></category>
		<category><![CDATA[pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>
		<category><![CDATA[rituais]]></category>
		<category><![CDATA[seriado]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=106</guid>
		<description><![CDATA[Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência. A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência.</p>
<p>A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta doença. É muito comum o &#8220;Transtorno Obsessivo Compulsivo&#8221; (TOC) ocorrer após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais. Sabe-se ainda que algumas zonas cerebrais se tornam hiperativas, ou seja, funcionam mais nos portadores dessa doença do que em pessoas normais, como por exemplo o lobo frontal do cérebro, na região periorbital, e também regiões mais profundas como os gânglios ou núcleos da base. É comum que grandes gênios, artistas e pessoas muito precoces tenham este tipo de distúrbio, justamente devido a esta hiperatividade cerebral causada pela doença. A hiperatividade tende a se normalizar com o tratamento farmacológico bem como com a terapia cognitivo-comportamental.<span id="more-106"></span></p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/cerebrojpg.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2346" title="cerebrojpg" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/cerebrojpg-150x150.jpg" alt="cerebrojpg" width="150" height="150" /></a>No entanto, ainda existem várias questões não esclarecidas, como por exemplo, o fato de a medicação não funcionar com alguns pacientes. Estes medicamentos trabalham inibindo a recaptação da serotonina que é utilizada e produzida em demasia pelo cérebro dos pacientes. O TOC também pode aparecer como sintoma em doenças como encefalite, associada a tiques, conhecido como &#8220;transtorno de Gilles de la Tourette&#8221;, à febre reumática ou mesmo à doenças nervosas ou psiquiátricas. No caso deste autor que vos fala por exemplo, o TOC chegou na época em que fui atingido pela febre reumática, e nunca mais foi embora. Quando esta doença me atacou eu tinha cerca de 5 anos de idade.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/melhor_impossivel02jpg.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-2347" title="melhor_impossivel02jpg" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/melhor_impossivel02jpg-150x150.jpg" alt="melhor_impossivel02jpg" width="150" height="150" /></a>Fatores de natureza psicológica também influenciam no surgimento, manutenção e agravamento da doença.  É possível que o distúrbio surja após algum estress psicológico. Estes conflitos podem agravar os sintomas e podem também alterar a forma de pensar dos pacientes. O TOC pode mudar a forma de perceber e avaliar a realidade, pode fazer com que supervalorizemos nossos próprios pensamentos e ações, nos fazendo acreditar que eles possam influenciar diretamente em eventos de escalas grandiosas. Podemos acreditar até mesmo que podemos salvar um planeta inteiro com um simples acender e apagar das luzes.</p>
<p>Algumas características da doença é nos fazer desenvolver rituais para que possamos manter o equilíbrio e a vida no planeta, ou simplesmente, que acreditamos colaborar para que nos faça manter nossa própria integridade. É comum rituais de repetição, preocupações absurdas com limpeza, perfeccionismo. Um portador desta doença acredita verdadeiramente que salva vidas todos os dias.</p>
<p>Os &#8220;pensamentos mágicos&#8221; podem acompanhar um paciente por dias inteiros, ou até mais. Cada paciente pode apresentar um ou mais destes sintomas, que até o momento são considerados incuráveis. Podem ser diminuídos e se tornarem até mesmo raros através de tratamentos e cirurgias, mas sempre estarão lá.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/imagem1.png"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2348" title="imagem1" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/imagem1-150x150.png" alt="imagem1" width="150" height="150" /></a>É importante entender que esse tipo de reação não é algo que surge na cabeça das pessoas com esse problema como algo que possa simplesmente ser ignorado. As ideias que guiam e geram comportamentos nas pessoas com o TOC são extremamente poderosas. E por mais que depois de muito tratamento psicológico os pacientes saibam que aquilo não é real, por mais que tenham completa consciência disso, é como se não tivessem opções. Como se houvesse um ser supremo e superpoderoso em sua cabeça que lhe controlasse e lhe obrigasse a seguir com os rituais. Alguns destes rituais chegam a ser feitos, muitas vezes, sem que nós mesmos percebamos. É algo absolutamente incontrolável, como se estivéssemos drogados mesmo. Como se não tivéssemos mais nenhum controle que seja de nosso corpo. Comportamentos &#8220;evitativos&#8221; também são comuns como forma de não desencadearem essas obsessões.</p>
<p>Tenho absoluta certeza de que não vou conseguir explanar todos os problemas relacionados ao TOC, mas acredito ter deixado muitas coisas bem claras. Qualquer dúvida, pode comentar que responderei com prazer. Também pode me enviar emails. Claro que não sou um médico, mas estudo, convivo e batalho com esta doença pelo menos a 18 anos e acredito que isto me qualifica a conversar sobre ela, mais do que muitos médicos inclusive.</p>
<p>Existem várias produções interessantes do cinema e da tv que falam sobre o assunto (apesar de um pouco exageradamente, ou não!), como por exemplo os filmes: &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=oKuRiJDRyLI" target="_blank">Melhor é impossível</a>&#8220;, &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=fgbt45zcdFM" target="_blank">O Aviador</a>&#8221; e o seriado &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=p9Syqgjvz-4" target="_blank">Monk</a>&#8220;. Estes mostram pessoas que convivem com esse problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="350" height="250" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/p9Syqgjvz-4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="350" height="250" src="http://www.youtube.com/v/p9Syqgjvz-4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/o-que-e-o-toc/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A cura</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/a-cura/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/a-cura/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2009 00:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[anomalia]]></category>
		<category><![CDATA[lobotomia]]></category>
		<category><![CDATA[radiação]]></category>
		<category><![CDATA[trasntorno]]></category>
		<category><![CDATA[venom]]></category>
		<category><![CDATA[wolverine]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=101</guid>
		<description><![CDATA[Eu não vou expor meu cérebro a radiação nem abrir ele pra tirar um pedaço feito uma lobotomia. Prefiro ficar acendendo e desligando a luz 8 vezes toda vez que saio de casa a noite, ou olhar para a pessoa ao lado 4 vezes seguidas. Muito mais seguro. Eu já aprendi a conviver com isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span> </span>Eu não vou expor meu cérebro a radiação nem abrir ele pra tirar um pedaço feito uma lobotomia. Prefiro ficar acendendo e desligando a luz 8 vezes toda vez que saio de casa a noite, ou olhar para a pessoa ao lado 4 vezes seguidas. Muito mais seguro. Eu já aprendi a conviver com isso mesmo. Como diria <em>Guimarães Rosa</em> em <em>Grande sertão: Veredas</em>, &#8220;viver é muito perigoso&#8221;. Mas esse tipo de tratamento pode aumentar exponencialmente estes riscos. Claro que existem muitos graus do TOC, e acredite em mim, passei por muitos deles.<span id="more-101"></span></p>
<p>Até que inventem uma pílula que cure, e não que trate apenas, vou seguindo e convivendo com isso e esperando por uma pirula que cure nosso problema seja qual for a cor dela, fazendo consultas com um profissional da área etc e tal. Já superei muita coisa, mas não sei se superaria a radiação sendo emitida diretamente no meu cérebro. Não sou o Wolverine, ora bolas.</p>
<p>Depois de muitos anos de estudos, estes foram os dois métodos desenvolvidos que prometem curar pessoas que tem esse tipo de problema. Não que essa &#8220;cura&#8221; não possa gerar outros problemas. Enfim, prefiro não pagar pra ver. Já sou muito intimo da forma como meu cérebro e meu raciocínio funciona com isso, talvez até não fosse o mesmo sem o TOC (e com certeza não seria). Ele chega a formar meu caráter e influenciar diretamente em minha forma de pensar. O TOC (transtorno obsessivo compulsivo), é uma merda, e não é a do tipo necessária. Mas com o tempo se torna uma espécie de &#8220;amiga&#8221;, de simbionte. Me sinto o próprio Venom com aquele psicopata dentro de mim colocando ideias absurdas na minha cabeça. Nada que a televisão não faça hoje em dia. Portanto, vou vivendo e aprendendo cada vez mais a conviver com essa minha anomalia.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/a-cura/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>14</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eu, o &#8220;TOC&#8221; e meu cão</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-o-toc-e-meu-cao/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-o-toc-e-meu-cao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 19:33:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[Cachorro]]></category>
		<category><![CDATA[cão]]></category>
		<category><![CDATA[dedicação]]></category>
		<category><![CDATA[problemas de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[propósito]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade de vida]]></category>
		<category><![CDATA[superação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=34</guid>
		<description><![CDATA[Para quem sofre de &#8220;TOC&#8221;, a relação com um cachorro pode ser saudável de várias maneiras. Vou explicar. Em toda a história da humanidade, a coisa mais poderosa que já existiu, aquilo que ergueu e derrubou reinados, que inspirou homens a fazer coisas grandiosas sempre foi a &#8220;buceta&#8221;, sim, a &#8220;buceta&#8221;, ela mesma, o mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem sofre de &#8220;TOC&#8221;, a relação com um cachorro pode ser saudável de várias maneiras. Vou explicar.</p>
<p>Em toda a história da humanidade, a coisa mais poderosa que já existiu, aquilo que ergueu e derrubou reinados, que inspirou homens a fazer coisas grandiosas sempre foi a &#8220;buceta&#8221;, sim, a &#8220;buceta&#8221;, ela mesma, o mesmo vale para as mulheres também, que têm seu equivalente no homem. O que quero dizer é: O sentimento de ter alguém do seu lado, que lhe completa, que lhe ajuda, faz as pessoas superarem muitas coisas, a &#8220;buceta&#8221; fez muitas coisas na nossa história, mas o tipo de amor que pode ajudar uma pessoa com &#8220;TOC&#8221; é diferente.</p>
<p>Ter alguém que caga, come, bebe, dorme e faz uma série de outras coisas, muitas delas nojentas, normalmente nos faria expulsar esse ser de nossa casa para mante-la organizada de forma que só alguém com &#8220;TOC&#8221; sabe deixar.  No entanto, quando vc tem um tipo de relacionamento puro e incondicional como só um cachorro pode oferecer &#8211; e um cachorro é um ser que depende completamente de nós &#8211; você começa a se esforçar um pouco mais para poder cuidar dessa relação. É algo tão verdadeiro que a gente não percebe que esta fazendo coisas que antes nossos rituais jamais permitiriam, e quando percebe, acaba fazendo mesmo assim porque sabemos sabe que aquele animal precisa de nós, acredita e confia em nós cegamente.</p>
<p>Já está mais que comprovado de diversas formas possíveis que pessoas com cães tem uma qualidade de vida muito melhor, diminuindo até a incidência de enfarto e outros problemas de saúde. Apesar de que cuidar de um animal requer muita dedicação, empenho e consciência por parte de quem o cria. O relacionamento homem e cão é a chave para ajudar a superar diversos problemas das pessoas com o &#8220;TOC&#8221;.</p>
<p>Claro que o tipo e a força do sentimento que se nutri pelo animal é algo muito pessoal e depende muito de cada um, não adianta comprar ou adotar um cachorro se você não gosta, só por alguns dos motivos que falei acima, é preciso realmente querer e amar o animal para que se possa ter esse resultado que é mais uma consequência do que um propósito.</p>
<p>Com um cão nós pegamos em coisas viscosas; nos arriscamos a pisar em uma linha no chão, pondo em risco a segurança de um planeta para poder chegar a tempo de evitar que nosso melhor amigo se machuque <em>(sim, muitas pessoas com &#8220;TOC&#8221; acreditam que o simples fato de pisar em uma fissura no chão pode fazer com que um planeta seja destruído)</em>. Para uma pessoa com nosso tipo de problema, ter um cão é uma espécie de superação. Talvez não a solução para nossos problemas, mas é um belo motivo para começarmos a enfrentar muitos deles.</p>
<p><strong>nota: </strong>a ilustração deste post foi feita pela <a href="http://www.tativiana.com" target="_blank">Tati Viana</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-o-toc-e-meu-cao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Por favor, não me “toc”</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/por-favor-nao-me-%e2%80%9ctoc%e2%80%9d/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/por-favor-nao-me-%e2%80%9ctoc%e2%80%9d/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 17:26:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[dependentes]]></category>
		<category><![CDATA[rituais]]></category>
		<category><![CDATA[Tocar]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.obsessivocompulsivo.com/?p=5</guid>
		<description><![CDATA[Alguns “dependentes” do TOC -  e eu digo dependente porque muitas vezes a gente fica a mercê de alguns rituais que vão definir se vamos fazer algumas coisas ou não &#8211; tem um momento de “não me toque”. De uma hora pra outra aquele psicopata que criamos dentro de nossa cabeça nos informa que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="text">
<p>Alguns “dependentes” do TOC -  e eu digo dependente porque muitas vezes a gente fica a mercê de alguns rituais que vão definir se vamos fazer algumas coisas ou não &#8211; tem um momento de “não me toque”. De uma hora pra outra aquele psicopata que criamos dentro de nossa cabeça nos informa que a partir daquele momento, e por um tempo indefinido que pode ser pouco ou muito, ele diz que não podemos encostar em nada nem ninguém. É como se estivéssemos em um corredor estreitíssimo. E com isso pode vir também os “Cânions”, ou “rachaduras da morte” se preferir. Cada fissura no chão, cada arranhãozinho no piso parece um Cânion, ou uma mina, dependendo do momento. Qualquer passo em falso pode nos fazer despencar em um longo buraco sem fim, ou simplesmente (e esse é meu preferido) nosso psicopata pessoal nos informa que algo a nossa volta pode acontecer: um carro explodir, um prédio desabar, e todas essas maravilhas de nosso dia-a-dia. Tudo isso se simplesmente pisarmos naquele maldito risco no chão.</p>
<p>Os abismos dentro das mais <em>ínfimas</em> fissuras no chão geralmente vem de brinde no “não me toque”, mas às vezes ele também pode vir isoladamente.</p>
<p>Geralmente, quando o momento “não me toque” acontece comigo, o melhor é relaxar. Minha dica pessoal para se alguém acabar lhe tocando sem querer (ou querendo) é tocar nessa pessoa de volta uma quantidade pares de vezes, até seu psicopata pessoal avisar que é o suficiente. Isso é o que faço para “evitar” o caos que pode gerar o não cumprimento desse ritual. E não tem problema se todos acharem que você está em uma corda bamba dentro de um corredor estreito, lembre-se: você está salvando a vida deles.</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.obsessivocompulsivo.com/por-favor-nao-me-%e2%80%9ctoc%e2%80%9d/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
