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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; TOC</title>
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		<title>A Sinfonia da Loucura ou Um Convite a Insanidade</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Apr 2011 20:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E do lado de dentro, posso ver que existe muita poesia na loucura, que ela não é uma obra concreta. Uma das coisas mais interessantes, é que é possível ainda sentir o cheiro e tatear a insanidade, mas sempre com muito cuidado ao segurar sua mão, pois ela pode te guiar a algum lugar. Com um vestido branco e olhos verdes, a loucura chega a dar água na boca, é abusada e sedutora, e tudo que quero fazer é abraça-la.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/a-sinfonia-da-loucura-ou-um-convite-a-insanidade/" data-text="A Sinfonia da Loucura ou Um Convite a Insanidade" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>E do lado de dentro, posso ver que existe muita poesia na loucura, que ela não é uma obra concreta. Uma das coisas mais interessantes, é que é possível ainda sentir o cheiro e tatear a insanidade, mas sempre com muito cuidado ao segurar sua mão, pois ela pode te guiar a algum lugar. Com um vestido branco e olhos verdes, a loucura chega a dar água na boca, é abusada e sedutora, e tudo que quero fazer é abraça-la.</p>
<p>Depois de lhe dar um beijo e passearmos pelo meu vazio, posso notar as coisas diferentes, distorcidas. Está tudo deformado, mas de certa forma, mais bonito. Depois de uma tarde sozinhos, tenho a certeza de que realmente a encontrei, e percebo que é correto a insanidade ser uma figura feminina, que apesar de ter o mesmo nome para todos, é diferente e especial para cada um de nós.</p>
<p>E toda vez que aceito, abraço e luto com meus demônios, tudo fica mais interessante, e o que está do lado de fora não parece mais importar. A razão é uma companhia muito polida e parcial, nem sequer visa te beneficiar de alguma forma. A razão é mesmo uma mulher gorda de 68 anos de idade, que mal posso ouvir sua voz. A garganta está gasta de tanto falar, tentando me convencer a não ir embora, enquanto tudo o que eu queria era partir. A cada dia que passa, a razão ficava menos atraente e interessante, e aquilo não fazia sentido.</p>
<p>Decido então que é gostoso enlouquecer, pelo menos até o ponto em que é possível se manter de pé. Pela primeira vez quero experimentar o sabor da insanidade, que parece ser tão suculenta… Quero conhecer bem essa moça de olhos verdes que sempre me convida a ir para o outro lado do portão, dentro da cela onde estão todos os meus demônios, essa intimidade pode ser muito poderosa.</p>
<p>Então, agora que sou o convidado de honra da minha loucura, quero aproveitar cada momento até que a festa acabe. Quero lutar com todos. Sinto o próprio planeta como um gigante Coliseu, em que todos estão nos esperando pra entrar nessa luta, em benefício de todos aqueles que não conhecem essa mulher tão bonita, e de olhar tão sedutor. Mas agora chegou minha vez. Sinto o rosnar de todos os demônios. Viro a chave e dou o primeiro passo. Abraço a todos, e eles me agradecem por finalmente ter aceitado o convite. Existe muita alegria na insensatez…</p>
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		<title>Transtorno Bipolar</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 01:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/transtorno-bipolar/" data-text="Transtorno Bipolar" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Pouco tempo atrás, eu estava em um momento de descontração, quando alguém disse algo que me deixou com tanta raiva que me levantei, fui para outro cômodo e quebrei o copo na parede. Nesse exato instante percebi que eu poderia ter Transtorno Bipolar, ou “TAB”. Não, não é a tecla do seu teclado, a sigla significa “Transtornos Afetivo Bipolar”. Quando consegui me acalmar, comecei a tentar lembrar de todas as situações em minha vida que tive uma reação parecida, ou alguma atitude que poderia indicar outro sintoma da doença. E após passar horas estudando sobre o assunto (e olha que ainda não parei), consegui constatar que tenho absolutamente todos os sintomas da doença.</p>
<p>É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”. E posso garantir a todos vocês que é algo bem difícil de aceitar, mas de acordo com:</p>
<p>Joel Yager – Professor do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Colorado; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Novo México; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria e Ciencias do Comportamento da escola de Medicina Dagid Geffen, na UCLA.</p>
<p>Que fizeram diversas pesquisas com pacientes com “TOCi”, isso é bastante real. E infelizmente, acabei entrando nessa brincadeira.</p>
<h2>Fatos</h2>
<p>Os pesquisadores citados acima conduziram um estudo pioneiro naturalístico e seccional cruzado, para comparar as correlações atuais e de toda a vida do aparecimento do “TOCi” em 64 pacientes juvenis com TOC (incluindo 44 adolescentes) e em 193 adultos com o transtorno surgido na juventude (idade média: 38 anos).<br />
Apenas 20,3% dos juvenis e 10,4% dos adultos relataram “TOC puro”, sem complicações por outros diagnósticos do eixo I ou II do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico).</p>
<p>Os adultos apresentaram transtornos do humor (inclusive bipolar) em 71,5%, versus 42,2% dos adolescentes e crianças. O TOC de inicio adulto também foi associado a maior uso de substâncias químicas (27,5% versus 0%), pânico 21,2% versus 3,2% ou transtorno alimentar (13,5% versus 1,6%) no &#8220;TOCi&#8221;.</p>
<p>Os adolescentes e adultos relataram mais frequentemente obsessões agressivas ou rituais mentais.</p>
<p>Nenhuma diferença foi encontrada quanto aos fenômenos de amontoamento ou de “incompletude” (ou seja, ter de completar determinadas tarefas).</p>
<h2>Aceitação</h2>
<p>Essa parte foi bastante complicada, e pra ser sincero, a ficha ainda não caiu completamente, mas minha parte racional não me permite pensar de outra forma, uma vez que tudo faz sentido no momento em que aceito esse diagnóstico.</p>
<p>Desde o momento em que quebrei o copo não consigo parar de pensar em outra coisa, e de buscar mais dados para fazer um “double check” e ter a absoluta certeza de que realmente é isso. Aceitar é mais difícil do que perceber (um &#8220;viva&#8221; a nosso lado mamífero).</p>
<p>Uma coisa é certa, estou me sentindo bizarro e me achando mais estranho ainda cada vez que olho no espelho. Reavaliando meu comportamento a cada segundo, em tempo real. Começo a ter raiva de mim mesmo. Eu queria quebrar o espelho&#8230;</p>
<h2>Sintomas</h2>
<p>Os sinais e sintomas da mania (ou de um episódio maníaco) incluem:</p>
<p>- Energia e atividade aumentadas, inquietação<br />
- Humor excessivamente “elevado”, bom demais, eufórico<br />
- Irritabilidade extrema<br />
- Pensamento acelerado e falar muito e rapidamente, pulando de uma idéia para outra<br />
- Distraibilidade, não consegue se concentrar direito<br />
- Pouca necessidade de sono<br />
- Crença super-valorizadas das próprias capacidades e poderes<br />
- Juízo crítico deficiente<br />
- Gastos excessivos<br />
- Um período longo de comportamento que difere do habitual<br />
- Aumento do impulso sexual<br />
- Abuso de drogas, especialmente cocaína, álcool e medicações para dormir<br />
- Comportamento provocador, invasivo ou agressivo<br />
- Negação de que há alguma coisa errada Humor triste, ansioso ou vazio duradouro<br />
- Sentimentos de desespero ou pessimismo<br />
- Sentimentos de culpa, menos valia ou impotência<br />
- Perda do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas, incluindo sexo<br />
- Diminuição da energia, uma sensação de fadiga ou de estar “devagar”<br />
- Inquietação ou irritabilidade<br />
- Dorme demais, ou não consegue dormir<br />
- Alteração no apetite e/ou perda ou ganho de peso não intencional<br />
- Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas<br />
- Idéias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio.</p>
<h2>No demais</h2>
<p>Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o Transtorno Bipolar não siginifca, necessariamente, a mudança rápida de humor ou pensamento. De fato, um estado de humor pode durar meses e meses. Esse é um dos motivos pelo qual o diagnóstico é tão complicado.</p>
<p>Pessoas que tem problemas psicológicos, seja qual for o gênero, precisam ser imparciais quanto ao julgamento de seu próprio comportamento, ou ao menos tentar, para poder perceber uma série de problemas que podem surgir devido a existência de fatores como o TOC.</p>
<h2>Percepção</h2>
<p>Acho o mundo realmente muito débil, mas de quando em vez me pergunto se isto se deve pela forma como eu o vejo, ou pela forma como ele é. É difícil saber quem pode ser mais bizarro, a imaginação ou a realidade.</p>
<p>Esse degrau do autoconhemimento torna as coisas ainda mais complicadas pra mim, ainda mais porque explica muitas coisas de meu comportamento que eu não compreendia direito, e então, simplesmente deixava passar.</p>
<p>O certo seria eu virar evangélico, mas sou inteligente demais pra isso, então preciso dar um jeito de lidar com os fatos e suas conseqüências. Não está sendo nada divertido, pois agora me vejo de uma forma nova, com mais variáveis.</p>
<p>Eu queria ser o processador cansado de uma espaçonave antiga que encontra um asteróide, mas minha parte animal me faz agir de outra forma, e em vez de pensar em um fim, só consigo imaginar um “conserto”, um jeito de “hackear” minha mente e meu comportamento.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Agora preciso encontrar uma forma de lidar com isto. Espero que seja divertido essa empreitada do “tentar não ficar maluco” (de novo).</p>
<p>Existe muito material didático na web sobre o assunto. Desde matérias a artigos científicos. Recomendo a todos que tem TOC a darem uma boa olhada no espelho, uma vez que isso atinge boa parte das pessoas que tem esse problema.</p>
<p>Podem contar com mais artigos e crônicas sobre o tema, uma vez que estou agora tentando entender esse novo problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/oc7XozMbR9A?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/oc7XozMbR9A?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Check! Check! Check! Check!</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 01:25:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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		<category><![CDATA[porta]]></category>
		<category><![CDATA[repetição]]></category>

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		<description><![CDATA[Chave na porta, olho pra trás. Esqueci algo? Luz, tornera e janela. O estabilizador ta desligado, pois lembro que chutei ele. Giro a chave, saio, tranco e cuspo na porta pra ter certeza de que vou lembrar que a fechei.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/check/" data-text="Check! Check! Check! Check!" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Chave na porta. Abre e fecha, abre e fecha. É claro que eu não precisaria fazer isso, mas é sempre bom garantir. Cortina fechada. Verifico tudo umas 4 ou 6 ou 8 vezes (números pares sempre!).  Observo o teto e desvio das rachaduras no chão &#8211; Sempre há rachaduras no chão, por menores que sejam. -  Me viro, olho o estabilizador de novo, viro o rosto pro lado, olho o estabilizador de novo, e de novo, e repito essa coisa imbecil 12 vezes. Então, quando estou já quase tonto, continuo em direção a saída.</p>
<p>Chave na porta, olho pra trás. Esqueci algo? Luz, torneira e janela. O estabilizador tá desligado, pois lembro que o chutei. Giro a chave, saio, tranco e cuspo na porta pra ter certeza de que vou lembrar que a fechei.</p>
<p>Botão, elevador e PIN! Ninguém. Entro, aperto o térreo e torço para ninguém aparecer. No sétimo andar tem velho, no quinto tem criança e mulher. Só em ter parado no sétimo já acho que o elevador vai soltar, cair e que vamos todos morrer. Todo mundo tenta encostar em mim. O velho toca no meu ombro e depois tira o catarro da garganta. Nojo da porra! Afinal, tem micróbios em toda parte hoje. Dou duas ombradas no velho. Encosto exatamente no local em que o ombro dele me encostou. Ele olha pra trás e depois encosto mais duas vezes.</p>
<p>Térreo! Entro e saio do elevador quatro vezes, as pessoas olham pra mim enquanto passo pela recepção me perguntando se fechei a janela e achando que vou ser atropelado por ter saído do trabalho em um horário ímpar.</p>
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		<title>A ciência salvou minha alma</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Nov 2010 01:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou de ficar postando vídeos, mas este é a síntese de diversas coisas que senti durante todas as minhas descobertas, e minha admiração sobre o universo e o conhecimento. Conhecimento este que acredito ser mais eficiente que vários remédios, pois para mim, o conhecer é capaz de nos curar de várias formas. E foi  a consciência e o entendimento sobre  a ciência e história que me fizeram amar tudo aquilo que amo hoje, e superar todos os contratempos dessa vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/a-ciencia-salvou-minha-alma/" data-text="A ciência salvou minha alma" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Não sou de ficar postando vídeos, mas este é a síntese de diversas coisas que senti durante todas as minhas descobertas, e minha admiração sobre o universo e o conhecimento. Conhecimento este que acredito ser mais eficiente que vários remédios, pois para mim, o conhecer é capaz de nos curar de várias formas. E foi  a consciência e o entendimento sobre  a ciência e história que me fizeram amar tudo aquilo que amo hoje, e superar todos os contratempos dessa vida.<span id="more-438"></span></p>
<p>Só posso lamentar por aqueles que não gostam de exercitar sua curiosidade, e que não tem sede por conhecer e entender sobre como e porquê estamos aqui, fazemos tudo o que fazemos e como o universo se comporta.</p>
<p>O que realmente me fez “superar” o TOC (e digo superar entre aspas, pois ele não vai embora, na verdade, apenas podemos lidar com ele), foi tudo o que aprendi sobre a vida, o universo e tudo o mais. Gostaria que todos pudessem compartilhar desse sentimento, uma vez que o conhecimento é o remédio mais eficiente quando tentamos superar problemas como os de quem sofre com o TOC, assim como “superar” a própria vida. O “entender” para mim, sempre foi a maior ferramenta/arma contra tudo aquilo que precisei vencer.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="500" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KIiH9GJ10TE?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="500" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/KIiH9GJ10TE?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Apesar de tudo, deus não existe</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/deus-nao-existe/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 22:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[besteira]]></category>
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		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos que tem TOC já são meio que "íntimos" de uma voz que fala em sua cabeça. Em meu caso, consigo até mesmo negociar com ela. Esta voz geralmente nos fornece os rituais que temos de executar. Para quem ainda não sabe, pessoas que tem TOC não fazem seus rituais do nada, existe um "comando" que vem de uma voz que fala dentro de nossas cabeças. Pra uma pessoa que tem esse tipo de problema, pode ser fácil se deixar levar por crenças religiosas, uma vez que lidamos todo dia com algo que foge a nosso controle e estimula o caos em nosso cérebro. Apesar disso, no final das contas, eu optei pela razão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/deus-nao-existe/" data-text="Apesar de tudo, deus não existe" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">Todos que tem TOC já são meio que &#8220;íntimos&#8221; de uma voz que fala em nossa cabeça. Em meu caso, consigo até mesmo negociar com ela. Essa voz geralmente nos fornece rituais que temos de executar. Para quem ainda não sabe, pessoas que tem TOC não fazem seus rituais do nada, existe um &#8220;comando&#8221; que vem de uma voz que fala dentro de nossas cabeças. Pra uma pessoa que tem esse tipo de problema, pode ser fácil se deixar levar por crenças religiosas, uma vez que lidamos todo dia com algo que foge a nosso controle e estimula o caos em nosso cérebro. Apesar disso, no final das contas, eu optei pela razão.<span id="more-337"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Demora um certo tempo &#8211; principalmente quando o TOC começa tão cedo &#8211; para que a pessoa identifique corretamente que esta &#8220;entidade&#8221; não é algo sobrenatural. E mesmo quando você ainda não percebe o que é exatamente, em algum momento nota que não é algo relacionado a nada criado pelas religiões.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu escrevo deus em minúsculo de propósito, devido a quantidade de vezes que a ideia da existência desse ser me obrigou a fazer promessas e andar de joelhos por dezenas de minutos para cumpri-la. E isso é algo muito pessoal que estou revelando aqui. Fui vítima da fé manipulada pela religião. Quando digo isto, quero dizer que a fé não pertence a religião, ela simplesmente se apropriou dessa característica do ser humano que é crer em algo que não está em seu controle. Quando faço algo difícil em meu trabalho, tenho fé de que vou conseguir resolver o problema, mas a religião não tem nada a ver com isso. Grupos religiosos nos fizeram acreditar que ela (a fé) só é válida quando a dedicamos a algo que não existe. É a fé que enche os bolsos das igrejas. Esse &#8220;bug&#8221; em nosso &#8220;sistema operacional&#8221; é a base do modelo de crença das religiões, por isso que eles cobram tanto que você tenha algo que já é seu naturalmente. Quando o fazem, na verdade não estão &#8220;cobrando&#8221; e sim direcionando sua fé.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas mantenhamos o foco. Eu não sei (mas adoraria que vocês relatassem nos comentários), como cada um lida com isso. A princípio, pessoas que tem TOC geralmente são inteligentes, mas é algo teórico, pois existem várias pessoas com esse problema que acreditam em deus. E o que nos leva a isto eu entendo perfeitamente, mas quando eu tinha 13 anos comecei a me questionar sobre este tema. A partir do momento em que percebi que esta &#8220;voz&#8221; não era algo &#8220;lá de cima&#8221; (ou &#8220;de baixo&#8221;), comecei a perceber que havia algo errado nas coisas que ensinavam às crianças. Daí em diante fui ficando cada vez mais e mais curioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não sei se a curiosidade tem alguma ligação com o TOC, mas também não sei ao certo até onde este distúrbio determina nossa personalidade, e ninguém sabe. Mas sempre fui uma pessoa extremamente curiosa, e isto leva a questionamentos, que nos leva a descobertas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho TOC a mais de 21 anos. Nunca foi fácil, e até hoje não é. Se atualmente consigo me controlar mais é devido a tudo que aprendi em minha vida, em todos os sentidos. O conhecimento e a curiosidade sempre foram meus amigos, e com certeza os mais importantes, já que não me imagino aceitando tudo o que as pessoas dizem simplesmente. Creio em muitas coisas que podem parecer bizarras para alguns, tudo relacionado a ovnis e teorias de conspiração e etc, mas toda minha crença nesses temas é baseada em fatos que podem ser comprovados e verificados por qualquer pessoa. Também desacredito em muitas coisas relacionadas a esses assuntos, porque afinal de contas eu não acredito necessariamente nesses temas, mas nos fatos e provas que os tornam reais no sentido verdadeiro da palavra. Evito contradições, como um livro escrito a milhares de anos com afirmações que que ninguém pode verificar, apenas acreditar. Se algo não faz sentido, não digo que é verdade ou mentira até realmente entendê-lo. A frase &#8220;eu não sei&#8221; é a que mais uso, pois quem &#8220;sabe tudo&#8221; é a religião, e eu jamais poderia confiar em algo sem nenhuma evidência.</p>
<p style="text-align: justify;">Não confio em ninguém que não seja curioso, e na verdade, a vida me ensinou a não confiar em ninguém de forma alguma. Creio que é por isto que o método científico se tornou tão importante para mim.</p>
<p style="text-align: justify;">O que eu quero dizer com tudo isto é que deus não vai te curar. Na verdade, ele não vai fazer nada por você, porque ele simplesmente não existe, e se existisse, convenhamos que seria um grande filho da puta, e se você não sabe o por que, leia a bíblia, ela em sí, é a maior prova que deus não existe, mas digo &#8220;ler a bíblia DE VERDADE, e não apenas os versos selecionados por padres e pastores. Tente pensar por sí mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que, infelizmente, nem todos os seres humanos nascem inteligentes, pois somos apenas animais, e a natureza não precisa do racional. Na verdade, ainda não entendo completamente a importância do racional, mas sei que gosto muito dele, pois não exige nada de mim além da curiosidade, apenas me enriquece intelectualmente e permite que eu viva mais plenamente.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, acredito que alguns de nós podem mais. Peço que cada um que ler este texto faça uso de sua curiosidade e pesquise a respeito de tudo que acredita, para compreender completamente aquilo em que você tem fé.</p>
<p style="text-align: justify;">Não estou pedindo dízimo, nem que ninguém acredite em nenhuma religião, ou em nada que estou dizendo. Gostaria apenas que se utilizassem de sua curiosidade, pois se você está lendo isto é porque tem alguma. Boa parte da burrice que existe em nossa sociedade é genética e não se pode fazer nada, mas alguns estão apenas com uma venda sob os olhos, e peço que a retire.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser consciente, inteligente e racional não me torna feliz, mas ser imbecil não nos torna completo. Prefiro o saber ao querer ou ao acreditar. E toda esta razão da qual falo pode também não lhe trazer felicidade, mas ao menos pode fazer com que as pessoas vivam suas vidas com mais qualidade, da maneira como podem, ao invés de dedica-la a algo que nunca existiu, nem nunca vai existir. A inteligência é algo muito raro nos dias de hoje, e na verdade, sempre o foi, mas mais uma vez, peço para aqueles que a tenham, que a despertem.</p>
<p style="text-align: justify;">Não espero mudar o mundo com este texto, apenas quero despertar em alguém que o esteja lendo, algo que também surgiu em mim e me salvou da ignorância e cegueira.</p>
<p style="text-align: justify;">E antes que alguém comente algo neste post, lembre-se de ter argumentos para sustentá-los, pois sou muito bom na dialética.</p>
<p style="text-align: justify;">Vida longa e próspera! ;D</p>
<p style="text-align: center;"><object width="400" height="250" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.4shared.com/embed/48257096/c601ca56" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="400" height="250" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.4shared.com/embed/48257096/c601ca56" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Fazendo compras</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/fazendo-compras/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 03:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, pois deixarei pendente rotinas que poderão livrar a humanidade de catástrofes. Mas preciso arriscar, afinal, o mundo não pode passar fome. Então lá vou eu!

Chegando ao supermercado, é hora de analisar a quantidade de coisas que vou levar. Se forem muitas, preciso pegar um carrinho, mas antes, é preciso quase que fazer uma revisão nele, observar bem, analisar a conjuntura das rodas Oo. Vamos lá: Ele não pode travar nenhuma roda; não pode pender para um lado; não pode ter nada grudado e balançando, como um saco plástico, ou o pedaço de um. É preciso verificar todo o local onde se põe a mão, afinal, uma guia suja pode significar um infeção mundial, e não quero ser o responsável por isto. Para escolher o carrinho de compras ideal é preciso muita cautela. Mas se forem poucas compras, é preciso uma cesta. Também é preciso cuidado para escolher uma destas. Não pode estar suja, óbvio. Preciso prestar atenção nas alças, pois uma vez uma delas estava ao contrário, um absurdo! Eu escolher uma cesta de compras errada, pode significar o impacto de um cometa com mais de 40 Km de diâmetro contra a Terra! E também não quero ser o responsável por isto, então é preciso ter cautela nesse momento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/fazendo-compras/" data-text="Fazendo compras" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, pois deixarei pendente rotinas que poderão livrar a humanidade de catástrofes. Mas preciso arriscar, afinal, o mundo não pode passar fome. Então lá vou eu!</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando ao supermercado, é hora de analisar a quantidade de coisas que vou levar. Se forem muitas, preciso pegar um carrinho, mas antes, é preciso quase que fazer uma revisão nele, observar bem, analisar a conjuntura das rodas Oo. Vamos lá: Ele não pode travar nenhuma roda; não pode pender para um lado; não pode ter nada grudado e balançando, como um saco plástico, ou o pedaço de um. É preciso verificar todo o local onde se põe a mão, afinal, uma guia suja pode significar um infeção mundial, e não quero ser o responsável por isto. Para escolher o carrinho de compras ideal é preciso muita cautela. Mas se forem poucas compras, é preciso uma cesta. Também é preciso cuidado para escolher uma destas. Não pode estar suja, óbvio. Preciso prestar atenção nas alças, pois uma vez uma delas estava ao contrário, um absurdo! Eu escolher uma cesta de compras errada, pode significar o impacto de um cometa com mais de 40 Km de diâmetro contra a Terra! E também não quero ser o responsável por isto, então é preciso ter cautela nesse momento.<span id="more-234"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Escolhido o coletor ideal de produtos, vamos às compras. Não se pode pegar qualquer coisa da prateleira, é preciso verificar cada produto. Se não está &#8220;machucado&#8221;, etc. Também não pode ser o primeiro da prateleira, pois este também pode conter possíveis infecções que podem se alastrar mundialmente. Também é preciso percorrer os corredores do supermercado de forma sistemática. Mas entenda: &#8220;de forma sistemática pra você&#8221;. não necessariamente é o mesmo pra mim. Existe um padrão dinâmico que é definido pelo momento da compra e pelos desastres que devo evitar naquele dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem determinados produtos que não se pode levar num determinado dia, pois pode significar um desequilíbrio dentro do &#8220;equilíbrio&#8221; de cuidados que tenho que ter para evitar uma série de catástrofes. Pessoas não podem ficar no meu caminho, atrasando minha passagem, isto também pode fazer com que eu seja o responsável por atrasar a rotação do planeta em torno do Sol, e fazer com que o ano dure mais do que 365 dias. Imagine um ano bissexto com 2 meses a mais? seria uma loucura social! O jeito é ser grosseiro na passagem, mas cauteloso, pois uma batida num determinado ângulo de outro carrinho também pode significar um desastre de trânsito na avenida em frente ao supermercado. Cautela, cautela sempre!!</p>
<p style="text-align: justify;">Produtos cuidadosamente escolhidos, hora de ir para a fila. É preciso cuidado aqui para não tocar em outras pessoas na fila, pois isto pode gerar um magnetismo que poderá mudar os pólos do planeta. E se isso acontecer, a única forma de reverter, é tocar naquela pessoa novamente, exatamente no mesmo local, quatro ou oito vezes, por mais que ela me olhe de cara feia, afinal, ninguém vai querer trocar o polo sul pelo norte.</p>
<p style="text-align: justify;">No caixa, muito cuidado para ele não encostar em mim, isso seria muito pior que uma explosão nuclear, já pensou a quantidade de mortes? Nem pensar!</p>
<p style="text-align: justify;">Compras pagas, hora de ir pra casa, com muito cuidado no caminho para uma sacola não cair no chão, isso significaria extinção total de todas as espécies no planeta!! Muito cuidado também com as linhas no chão, nada de terremotos antes de chegar em casa!</p>
<p style="text-align: justify;">Em minha residência, já posso pôr tudo na mesa da cozinha e voltar a tomar conta de coisas mais importantes do que os desastres no meio do caminho, afinal, o planeta está a salvo, mas alguém ainda precisa tomar conta do universo.</p>
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		<title>Antes e depois de um certo dia</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 16:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em algum dia da semana, em uma determinada época de minha infância, eu comecei a ficar inclinado a ter algumas atitudes que, para mim, e para quem estivesse de fora visse, pareciam bem estranhas. De repente, senti que minhas unhas não poderiam ter nenhuma falha. Eu tinha cerca de 8 anos de idade, não tinha a menor vaidade sobre nada. Tanto que o importante não era ter as unhas bonitas, apenas que elas não deveriam ter sulcos ou pontas que prendessem no cobertor, por exemplo. Isso é até um tanto quanto natural, até eu começar a ficar completamente obcecado por isto. Não podia perder tempo procurando um cortador de unhas, sejam as dos pés ou das mãos, se não estivessem como deveriam, aquilo precisava ser resolvido imediatamente. Comecei a arranca-las a mordidas. Mordia minhas unhas até elas sangrarem, e mesmo assim, se ainda não estivessem “perfeitas”, eu continuava, com o gosto do sangue em minha boca. Mal sabia eu que este era o início de um problema com o qual eu teria que conviver durante toda a minha vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/antes-e-depois-de-um-certo-dia/" data-text="Antes e depois de um certo dia" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">O desejo compulsivo de manter o fio de minhas unhas sempre lisinho nunca desapareu. Após o início dessa necessidade compulsiva, vieram as obsessões, que ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é como se fosse um sonho acordado, ou apenas um desejo. Para mim, está mais para um delírio consciente ou uma realidade virtual. A maioria das vezes eu sei que estou em uma determinada realidade, mas mergulho num evento gerado por uma espécie de “inconsciente ativo”, que tenta me controlar. Daí vem as obsessões: Percebo uma ideia ou um pensamento que me ocorre, e é como se mergulhasse nisto, mas não como um salto olímpico, é mais como uma queda desajeitada dentro de um lugar que não escolhi estar, e de onde é difícil sair. Essas ideias e pseudo-realidade começam a cercar minha consciência e começo a me sentir claustrofóbico por esses pensamentos que me apertam cada vez mais. É como se estivesse, a cada momento, mergulhando mais fundo dentro deste abismo. Como se não bastasse estar nessa situação, as próprias ideias que me cercam são ainda mais pavorosas que a própria situação em sí. E num dado momento, um desses “monstros” parece querer fazer um pacto comigo. Percebo que é como se, o tempo todo, essa fosse a intenção de meu subconsciente. É como fazer um pacto com o diabo, mas o que ganho não é algo que não tinha, apenas retomo a liberdade da minha mente. Ela pede que eu faça algo ridículo em números pares, ou que toque no mesmo lugar de meu corpo em um determinado local o qual havia tocado antes. Quando percebo isto, parece ser um pequeno preço a se pagar para libertar a minha consciência daquela situação. Eu faço, e é como se ficássemos quites. Daí, posso partir em paz, pelo menos por enquanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um tempo até eu perceber que estava sendo chantageado o tempo todo pela minha própria razão. O primeiro pensamento que me ocorre é que eu estou ficando completamente louco. Penso que se pedir ajuda irão me internar na hora, irão apontar o dedo para mim e me chamar de louco, afinal, lembrem-se, eu não havia chegado nem aos dez anos ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A missão agora é encontrar uma forma de não enlouquecer de vez, tentar controlar essas situações de algum modo. Mas cada vez que meu subconsciente aparece para me chantagear por algo que parece tão pouco, ele é sempre mais poderoso do que eu me lembrava, daí começo a me viciar, porque afinal, ele não parece pedir muito. Mas o preço começa a ficar cada vez mais alto, as pessoas começam a notar, e a cada vez preciso me esforçar mais para pagar o valor dessa chantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo é gradual, de forma que vou me acostumando com esses rituais obrigatórios para me livrar daquela “cela”. Mas existe outro fator: o trauma. A “realidade virtual” e os pensamentos a que sou impelido pela minha mente são poderosos e cada vez mais violentos. Num dado momento, é como se eu não caísse mais naquele abismo, mas como se todo o meu mundo estivesse dentro dele. Não posso mais fugir daquelas ideias, agora os rituais servem apenas para fazer com que elas se afastem por algum tempo, e esse intervalo também fica cada vez menor. Num instante de poucos meses já sou uma marionete das minhas obsessões, e o pior de tudo, é que eu não faço a menor ideia de que tudo isto é uma doença. Estou em silêncio, sozinho e apavorado por tudo aquilo que presencio todos os dias o tempo todo dentro de minha cabeça. E eu já percebi que não há saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, as coisas não ficam melhores, mas você se acostuma. Acaba se tornando íntimo de seus próprios rituais e seu corpo começa a reagir automaticamente as situações, pelo menos na maioria das vezes, quando é um ritual simples. Eu cheguei em um ponto em que não discutia mais com a razão de minhas compulsões. Eu aceitava as obsessões sem distinção, e apenas às realizava logo, para me livrar daquilo e continuar com minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Apenas mais um momento de ‘loucura’ e continuo com minha vida”, pensava eu. Eu já havia aceitado estar preso no abismo de minhas obsessões e compulsões: “Essa manhã, só terei tempo de salvar 3.000 vidas, a tarde eu cuido do planeta”. É como se o destino do universo dependesse única e exclusivamente de minhas compulsões. Minhas obsessões faziam com que pensasse que todas essas situações fossem realmente acontecer, apesar de eu nunca acreditar em nenhuma delas. É assim que funciona: eu sei que nada do que minha cabeça diz vai realmente ocorrer se eu não fizer determinada coisa. Eu não acredito em nada disso, mas ao mesmo tempo, eu tenho que fazer os rituais, para que nada disso aconteça. É uma situação bem surreal e complicada de se fazer compreender em palavras, mas basicamente, é assim que funciona. Eu acabei aceitando que o destino da humanidade, planeta, universo e tudo o mais, cabia apenas a um movimento de um determinado músculo da garganta, que eu fazia pela manhã, ou pela quantidade de vezes que acendia e apagava as luzes da sala, antes de entrar em casa. E para mim, com o tempo, isso ficou bem natural. Assim fui seguindo com minha vida, até um dia em que sentei no sofá de um lugar qualquer, onde ví uma mulher qualquer na capa de uma revista qualquer de fofofcas, e que comecei a folhear. Por mais fútil que possa ter parecido esse momento, minha vida realmente se dividiu em antes e depois desse dia. Foi quando descobri que, na verdade, eu não tinha “super-poder” nenhum, e sim uma doença complexa e pouco compreendida. Nesta revista havia uma matéria de uma atriz que tinha todos os meus sintomas, e a matéria chamou isso de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que nunca em minha vida eu senti tanto alívio.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta de que meu problema era uma doença foi algo bom, por descobrir que não estava sozinho, nem que eu era um louco completo. Por outro lado, a medida que fui pesquisando cada vez mais e mais a respeito, e consultando psicólogos, descobri que não havia cura para o meu problema, além de também descobrir de esse ser o motivo que fazia com que eu fosse tão agitado. De qualquer forma, descobri que se eu direcionasse toda essa agitação em uma tarefa, poderia “burlar” minhas obsessões, ocupando a minha mente. Hoje pareço muito mais maluco do que no começo, passo o dia inteiro fazendo todo o tipo de coisas, trabalhando direto, inventando projetos pessoais e executando todas essas tarefas enquanto realizo algumas de minhas compulsões. Por outro lado, o fato de direcionar alguns dos efeitos colaterais dessa doença, como a hiperatividade, me fez aumentar a qualidade de vida, além de garantir que eu pensasse menos a respeito e  tivesse menos “visões” violentas. Hoje, estou longe de ser uma pessoa normal, mas quem é? Levo minha vida da forma como me acostumei. Direciono minhas ideias para o que gosto, e com isto, consegui entrar em uma espécie de harmonia com minhas obsessões e compulsões. Neste momento, sou apenas mais um estranho dentre a multidão.</p>
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		<title>Razão e Violência</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/razao-e-violencia/</link>
		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/razao-e-violencia/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 23:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[compulsão]]></category>
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		<category><![CDATA[sofrimento]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que o TOC não é Psicose. Este é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma "perda de contacto com a realidade". Ao experienciar um episódio psicótico, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de "crítica" ou de "insight" que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento. As obsessões e transtornos das pessoas que têem o TOC, nos perturbam justamente porque nós estamos em contato direto com a razão. Caso contrário não nos preocuparíamos com nossos rituais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/razao-e-violencia/" data-text="Razão e Violência" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-208 alignright" title="ato-violencia-poster01" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01-150x150.jpg" alt="ato-violencia-poster01" width="150" height="150" /></a>O que ocorre é que, principalmente no início da doença, quando começamos a ter os primeiros sintomas, ninguém sabe o que é realmente o TOC, e é algo que nos deixa perturbados, porque você realmente acredita que está ficando maluco. Hoje, com a web e a socialização da informação, é muito mais fácil de se conhecer a doença. Mas em uma época como a minha, foi um tanto quanto desesperador pois eu não fazia ideia de o porque que estava acontecendo aquilo comigo, nunca tinha visto nada parecido em lugar algum. É aí que vem a depressão, pois a pessoa começa a acreditar que está perdendo a razão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem observa de fora, imagina que o TOC é apenas a repetição ou a mania de limpeza, que são os sintomas mais comuns. Acham engraçado e tudo o mais, afinal, para elas aquilo não faz o menor sentido. A verdade é que para nós que temos a doença, não faz mais sentido do que para a pessoa que está observando de fora. A questão é que a doença não é só isso. Existem outros sintomas que são ainda mais complicados de se abordar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-210 alignleft" title="violencia2" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2-150x150.jpg" alt="violencia2" width="150" height="150" /></a>Eu vejo um portador de TOC como um veterano de guerra. Aquele cara que viu muita coisa ruim, e que sofre com aquilo na cabeça, revivendo momentos de horror todo o tempo. O que muita gente não sabe, são sobre nossos pensamentos obsessivos quanto a violência e ódio. Acredito que este é um dos motivos de nossos pensamentos obsessivos terem tanto poder de persuasão, pois eles lidam diretamente com o mais terrível em relação a violência e sofrimento. Constantemente, os portadores desta doença tem pensamentos e até mesmo vontades absurdas, como por exemplo, estarmos conversando com alguma pessoa, e de repente nos vemos enfiando uma caneta no olho dessa pessoa; estrangulando-a até a morte; torturando-a e várias outras ações relacionadas a violência que poderíamos ter, como imaginar tragédias com mortes horríveis, muitas vezes absurdas. Daí vem a compulsão, como uma forma de nos livrarmos de tudo isto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-209 alignright" title="violencia psicologica" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica-150x150.jpg" alt="violencia psicologica" width="150" height="150" /></a>A questão aqui é que nós temos que lidar todos os dias com pensamentos horríveis, socialmente abomináveis. O que gera muita dor e as vezes instabilidade emocional. Por isto digo que vejo os portadores desta doença como veteranos de guerra, justamente por termos traumas de experiências tão violentas e cruéis. E o pior de tudo, é que nunca realmente vivemos nenhuma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa questão demonstra o quanto o <em>Transtono Obsessivo Compulsivo</em> pode ser cruel, e eu diria até mesmo baixo, por tentar destruir nosso lado emocional e moral, atacando a nossa razão e nossas memórias através de nossa imaginação para que cedamos a todas as compulsões a seu bel-prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Então resolvi abordar esta questão, que é tão dificíl de se expor por tratar diretamente com nossa moral. Gostaria que vocês pudessem comentar o que vocês acham disso e também os tipos de pensamentos que vocês tem que sejam relacionados a violência, para que talvez eu possa fazer um post mais direcionado a esse tipo de comportamento, característico de nosso problema.</p>
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		<title>Eu e nossas obsessões</title>
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		<comments>http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-e-nossas-obsessoes/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 20:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares e estranhamente ter uma vontade incontrolável de refazer o mesmo caminho na volta. Nenhum desses desejos sumiu rapida ou completamente. Na verdade, eles foram se acumulando a medida em que o tempo passava. Durante toda a minha infância, eu também criei um medo absurdo do escuro, a ponto de só conseguir dormir com a luz acesa, daí a minha irmã mais velha me esperava dormir para apagar a luz para mim. Em seguida comecei a ter uma estranha obsessão pelas minhas unhas. Sabe quando você tem uma imperfeição na unha e a passa por um tecido, daí você sente o tecido predendo um pouco nessas imperfeições? Para evitar esse problema, eu comecei a arrancar todas as minhas unhas com os dentes, mesmo as dos pés, e as passava em algo feito com algodão para ter a certeza de que elas não prendiam mais em nada. Em seguida comecei com a minha obsessão mais forte, que é a de repetição e a de tocar em um lugar especifico. As vezes quando toco em algo ou alguém sem querer, eu sinto que tenho que conseguir tocar exatamente naquele mesmo lugar novamente, independente de quantas vezes eu precise tentar, e só posso parar quando consigo tocar naquele mesmo lugar. O problema é que, por exemplo, as vezes eu piso em uma pedrinha no chão, então eu fico tentando tocar na mesma pedra com o mesmo lugar do pé em que a toquei, e isso pode realmente durar muitos e muitos minutos. Outras vezes estou no ônibus e toco em alguém, é uma vergonha, porque fico tocando na pessoa de novo e de novo até conseguir acertar aquele lugar novamente, e isso é realmente um grande problema para mim. Penso que se eu não fizer isto, algo de muito ruim pode acontecer, como um predio desabar, aviões caírem ou até mesmo países simplesmente explodirem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/eu-e-nossas-obsessoes/" data-text="Eu e nossas obsessões" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares e estranhamente ter uma vontade incontrolável de refazer o mesmo caminho na volta. Nenhum desses desejos sumiu rapida ou completamente. Na verdade, eles foram se acumulando a medida em que o tempo passava. Durante toda a minha infância, eu também criei um medo absurdo do escuro, a ponto de só conseguir dormir com a luz acesa, daí a minha irmã mais velha me esperava dormir para apagar a luz para mim. Em seguida comecei a ter uma estranha obsessão pelas minhas unhas. Sabe quando você tem uma imperfeição na unha e a passa por um tecido, daí você sente o tecido predendo um pouco nessas imperfeições? Para evitar esse problema, eu comecei a arrancar todas as minhas unhas com os dentes, mesmo as dos pés, e as passava em algo feito com algodão para ter a certeza de que elas não prendiam mais em nada. Em seguida comecei com a minha obsessão mais forte, que é a de repetição e a de tocar em um lugar especifico. As vezes quando toco em algo ou alguém sem querer, eu sinto que tenho que conseguir tocar exatamente naquele mesmo lugar novamente, independente de quantas vezes eu precise tentar, e só posso parar quando consigo tocar naquele mesmo lugar. O problema é que, por exemplo, as vezes eu piso em uma pedrinha no chão, então eu fico tentando tocar na mesma pedra com o mesmo lugar do pé em que a toquei, e isso pode realmente durar muitos e muitos minutos. Outras vezes estou no ônibus e toco em alguém, é uma vergonha, porque fico tocando na pessoa de novo e de novo até conseguir acertar aquele lugar novamente, e isso é realmente um grande problema para mim. Penso que se eu não fizer isto, algo de muito ruim pode acontecer, como um predio desabar, aviões caírem ou até mesmo países simplesmente explodirem.<span id="more-130"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A obsessão é assim, por mais que você tenha a plena consciência de que tudo o que lhe ocorre e que possa acontecer não faz o menor sentido, algo dentro de você diz que aquilo irá acontecer sem a menor dúvida. É uma uma força infinitamente maior que nós e que nos move a fazer aquilo que nos ocorre.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas obsessões começaram cedo por que tive febre reumática quando criança, uma doença que causou uma inflamação em meu cérebro, demorei mais de 12 anos para ligar uma coisa a outra. Muitas pessoas acabam adquirindo o TOC desta mesma forma, ou com uma infecção originada por outros motivos. E o pior, em boa parte das vezes, a pessoa nunca vai descobrir que teve essa infecção e fica sem saber ou entender porque tem esse diagnóstico.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomei remédios sim, durante muito tempo, remédios de todo o tipo. Mas por fim acabei percebendo que nenhum destes remédios iriam realmente me curar, apenas amenizar por um período de tempo. Cheguei num ponto que decidi que não queria passar a vida inteira tomando estes remédios, até porque alguns deles eram <em>tarja preta</em>, e mais cedo ou mais tarde isso acabaria fazendo mal ao meu sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">Você me contou em seu email, Ana, que você gostava muito de escrever e adora pintar. Uma alternativa minha a todos estes remédios foi tentar direcionar meus impulsos, que não param, e minha imaginação, que mais parecia um touro indomável. Comecei então a escrever também, eu sempre gostei muito de ler livros e quadrinhos. Minha obsessão me causou &#8211; e geralmente causa na grande maioria das pessoas que tem esse problema &#8211; uma hiperativdade intrínseca a doença. O que eu faço é direcionar toda essa hiperatividade para algo que eu goste de fazer e que utilize muito a mente, como escrever, desenhar ou pintar. Na verdade eu cheguei a fazer essas três coisas por anos, mas no final, acabei me sentindo mais a vontade escrevendo, que é o meu caso. A Ana, ou qualquer outra pessoa pode se sentir mais a vontade com outras coisas, como tocar uma gaita, cantar, pintar, etc. O importante é você canalizar toda essa vontade que o TOC acaba nos impulsionando, para algo específico. Utilize os remédios no começo, para você começar a conseguir algum controle, depois vá tentando se livrar deles, direcionando suas compulsões para algo que lhe ocupe mentalmente, que lhe distraia um pouco e que lhe faça sentir-se bem. O importante de comentar, é que por mais que você fique distraído, quando o TOC &#8220;ativar&#8221; um ritual para você, não tenha a menor dúvida, não há distração no mundo que consiga fazer com que você não perceba isso. Mas se você estiver ocupado intelectualmente, pode usar essa ocupação como uma espécie de força para tomar a decisão mais díficil de toda a vida das pessoas que vivem com esse problema, que é a de não fazer o ritual. Essa é a diferença, consigo me livrar de muitas dessas vontades canalizado em outra coisa. Muitas vezes não consigo, mas muitas vezes também consigo, e isso vai nos ajudando a lutar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhuma de minhas compulsões jamais desapareceu, eu apenas tenho um certo controle sobre elas. Faço coisas estranhas a todo momento, as vezes estou numa mesa conversando com alguém e fazendo uma série de coisas estranhas com as mãos ou pés por debaixo da mesa, mas os rituais não me controlam tanto quanto antes, pois me mantenho sempre mentalmente ocupado, tentando tirar o foco o máximo possível destes rituais. A questão é que hoje em dia, eu consigo fazer com que minhas compulsões não me impeçam de fazer nada, apesar de elas ainda estarem comigo. É um tipo de equilíbrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como eu, acredito que todos podem direcionar suas compulsões para algo, ao invés de deixar que elas simplesmente aconteçam e que você passe o resto de sua vida simplesmente com medo de que elas ocorram. Sei bem que as compulsões simplesmente disparam dentro de nós sem o menor aviso prévio. Eu vejo este distúrbio como uma espécie de &#8220;poder&#8221;, e tento direcioná-lo para o meu bem, utilizando todos os potenciais &#8220;indiretos&#8221; que o TOC possa gerar em mim.</p>
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		<title>O que é o TOC?</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 03:42:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[cerebro]]></category>
		<category><![CDATA[definição]]></category>
		<category><![CDATA[distúrbio]]></category>
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		<category><![CDATA[Transtorno]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência. A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/o-que-e-o-toc/" data-text="O que é o TOC?" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência.</p>
<p>A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta doença. É muito comum o &#8220;Transtorno Obsessivo Compulsivo&#8221; (TOC) ocorrer após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais. Sabe-se ainda que algumas zonas cerebrais se tornam hiperativas, ou seja, funcionam mais nos portadores dessa doença do que em pessoas normais, como por exemplo o lobo frontal do cérebro, na região periorbital, e também regiões mais profundas como os gânglios ou núcleos da base. É comum que grandes gênios, artistas e pessoas muito precoces tenham este tipo de distúrbio, justamente devido a esta hiperatividade cerebral causada pela doença. A hiperatividade tende a se normalizar com o tratamento farmacológico bem como com a terapia cognitivo-comportamental.<span id="more-106"></span></p>
<p>No entanto, ainda existem várias questões não esclarecidas, como por exemplo, o fato de a medicação não funcionar com alguns pacientes. Estes medicamentos trabalham inibindo a recaptação da serotonina que é utilizada e produzida em demasia pelo cérebro dos pacientes. O TOC também pode aparecer como sintoma em doenças como encefalite, associada a tiques, conhecido como &#8220;transtorno de Gilles de la Tourette&#8221;, à febre reumática ou mesmo à doenças nervosas ou psiquiátricas. No caso deste autor que vos fala por exemplo, o TOC chegou na época em que fui atingido pela febre reumática, e nunca mais foi embora. Quando esta doença me atacou eu tinha cerca de 5 anos de idade.</p>
<p>Fatores de natureza psicológica também influenciam no surgimento, manutenção e agravamento da doença.  É possível que o distúrbio surja após algum estress psicológico. Estes conflitos podem agravar os sintomas e podem também alterar a forma de pensar dos pacientes. O TOC pode mudar a forma de perceber e avaliar a realidade, pode fazer com que supervalorizemos nossos próprios pensamentos e ações, nos fazendo acreditar que eles possam influenciar diretamente em eventos de escalas grandiosas. Podemos acreditar até mesmo que podemos salvar um planeta inteiro com um simples acender e apagar das luzes.</p>
<p>Algumas características da doença é nos fazer desenvolver rituais para que possamos manter o equilíbrio e a vida no planeta, ou simplesmente, que acreditamos colaborar para que nos faça manter nossa própria integridade. É comum rituais de repetição, preocupações absurdas com limpeza, perfeccionismo. Um portador desta doença acredita verdadeiramente que salva vidas todos os dias.</p>
<p>Os &#8220;pensamentos mágicos&#8221; podem acompanhar um paciente por dias inteiros, ou até mais. Cada paciente pode apresentar um ou mais destes sintomas, que até o momento são considerados incuráveis. Podem ser diminuídos e se tornarem até mesmo raros através de tratamentos e cirurgias, mas sempre estarão lá.</p>
<p>É importante entender que esse tipo de reação não é algo que surge na cabeça das pessoas com esse problema como algo que possa simplesmente ser ignorado. As ideias que guiam e geram comportamentos nas pessoas com o TOC são extremamente poderosas. E por mais que depois de muito tratamento psicológico os pacientes saibam que aquilo não é real, por mais que tenham completa consciência disso, é como se não tivessem opções. Como se houvesse um ser supremo e superpoderoso em sua cabeça que lhe controlasse e lhe obrigasse a seguir com os rituais. Alguns destes rituais chegam a ser feitos, muitas vezes, sem que nós mesmos percebamos. É algo absolutamente incontrolável, como se estivéssemos drogados mesmo. Como se não tivéssemos mais nenhum controle que seja de nosso corpo. Comportamentos &#8220;evitativos&#8221; também são comuns como forma de não desencadearem essas obsessões.</p>
<p>Tenho absoluta certeza de que não vou conseguir explanar todos os problemas relacionados ao TOC, mas acredito ter deixado muitas coisas bem claras. Qualquer dúvida, pode comentar que responderei com prazer. Também pode me enviar emails. Claro que não sou um médico, mas estudo, convivo e batalho com esta doença pelo menos a 18 anos e acredito que isto me qualifica a conversar sobre ela, mais do que muitos médicos inclusive.</p>
<p>Existem várias produções interessantes do cinema e da tv que falam sobre o assunto (apesar de um pouco exageradamente, ou não!), como por exemplo os filmes: &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=oKuRiJDRyLI" target="_blank">Melhor é impossível</a>&#8220;, &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=fgbt45zcdFM" target="_blank">O Aviador</a>&#8221; e o seriado &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=p9Syqgjvz-4" target="_blank">Monk</a>&#8220;. Estes mostram pessoas que convivem com esse problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="350" height="250" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/p9Syqgjvz-4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="350" height="250" src="http://www.youtube.com/v/p9Syqgjvz-4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
</div>
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