Pedra, papel e tesoura. Isso não é um jogo, sou eu verificando se está tudo nos meus bolsos. São 17h, melhor ir pra casa. Olho em volta no escritório, sou o último a sair. Cortina fechada, chave na porta e cabeça pra traz: sim, eu realmente fechei a cortina. Bato a porta, dou dois passos e me pergunto: “Será que fechei a cortina?”. Bom, aqui há um impasse, pois eu sei que a fechei, então dou mais dois passos, paro e me pergunto se desliguei os estabilizadores. – É, realmente é melhor eu voltar…
Chave na porta. Abre e fecha, abre e fecha. É claro que eu não precisaria fazer isso, mas é sempre bom garantir. Cortina fechada. Verifico tudo umas 4 ou 6 ou 8 vezes (números pares sempre!). Observo o teto e desvio das rachaduras no chão – Sempre há rachaduras no chão, por menores que sejam. - Me viro, olho o estabilizador de novo, viro o rosto pro lado, olho o estabilizador de novo, e de novo, e repito essa coisa imbecil 12 vezes. Então, quando estou já quase tonto, continuo em direção a saída.
Chave na porta, olho pra trás. Esqueci algo? Luz, torneira e janela. O estabilizador tá desligado, pois lembro que o chutei. Giro a chave, saio, tranco e cuspo na porta pra ter certeza de que vou lembrar que a fechei.
Botão, elevador e PIN! Ninguém. Entro, aperto o térreo e torço para ninguém aparecer. No sétimo andar tem velho, no quinto tem criança e mulher. Só em ter parado no sétimo já acho que o elevador vai soltar, cair e que vamos todos morrer. Todo mundo tenta encostar em mim. O velho toca no meu ombro e depois tira o catarro da garganta. Nojo da porra! Afinal, tem micróbios em toda parte hoje. Dou duas ombradas no velho. Encosto exatamente no local em que o ombro dele me encostou. Ele olha pra trás e depois encosto mais duas vezes.
Térreo! Entro e saio do elevador quatro vezes, as pessoas olham pra mim enquanto passo pela recepção me perguntando se fechei a janela e achando que vou ser atropelado por ter saído do trabalho em um horário ímpar.


Olá Fernando.
Pela primeira vez estou a comentar no teu blog, blog que sigo com atenção porque realmente é PERFEITO tanto para quem TOC como para quem pensa ter TOC (que é o meu caso)Escrevo neste Post porque realmente me revi na primeira parte do texto (antes do elevador), chega a ser caricato ou até mesmo ridiculo o que faço, por exemplo quando desligo o computador fico uns bons segundos a olhar para ele para “confirmar” que está desligado ou até mesmo desligar a ficha da tomada da cafeteira e ficar a olhar para o quadrado branco com os buracos a verem-se bem, também uns bons segundos para garantir que realmente está desligado e ainda a porta da casa, além de a empurarrar várias vezes para saber que está realmente fechada quando entro no elevador ainda espreito para ver se…está fechada.A este vasto conjunto de verificações ainda se pode juntar o carro,”será que fechei o carro?” á que puxar o puxador da porta 3,4,5,6,7,8,9 ou mais vezes…e a janela? póe-se o dedo entre a parte de cima da porta e o inicio do vidro para garantir que não ficou nenhum bocadinho aberto.Tudo fechado?ok vamos embora…espera…será que ficou MESMO tudo fechado?…volto atrás e repito tudo outra vez. Pensamentos indesejados? sim tenho não são muitos mas são mais do que quereria, carros a explodir à minha frente ,aviões a explodir no ar, dar uma pancada no carro da frente (será que o condutor ficaria muito chateado?), algumas pessoas têm a mania de se encostarem ás outras para falar,devem ter medo que não ouçam(conheço o género) e quando acontece comigo vem logo o pensamento: e se eu lhe desse uma cabeçada? Bom não quero alongar-me muito mais pois há muito mais para contar,deixo apenas a informação que sou Português,casado e com um filho….fica a pergunta: será que ele vai ter TOC? e eu? Será que tenho? Estou convencido que sim mas falta-me coragem para contar a quem me é mais próximo e para marcar uma consulta….mas já faltou mais. Parabéns pelo blog e se poderes responder-me agradecia do fundo do coração. Abraço.
TOC nao eh fácil mesmo meus amigos, minha maior dificuldade é quando tenho que sair de casa, se estou sozinho, alem de checar tudo, agora nem tanto, meu pior toc eh encostar em certos locais que na hora me vem a mente e somente com o pé direito, pq esquerdo da azar, e esfregar até que passe a agonia, é coisa de loco eu sei, vcs sabem, mas vai entender pq o TOC nos domina a fazer isso… pensamentos mágicos constantes, números que nao gostamo, rituais dos mais loucos possives, que executamos em busca de alivio, isto eh a vida de quem tem TOC, nunca fui a um psicólogo ou pisiquiatra para tratar disso, me falta coragem e atitude, mas comprei o livro de um psiquiatra da UFRGS muito bom, a uns 3 anos e por incrível que parece nao terminei de ler ainda, mas ai nao eh por causa do toc e sim de preguiça, mas com ja li 3/4 posso dizer que eh bem interessante o livro do dr. cordioli, mas nao mais que este site, abraço a todos!
Olá @João Azevedo, é realmente incrível o que passa por nossas cabeças em alguns momentos. Não sou um “profissional de pscologia” mais diria que vc tem sim.
Quanto a sua família, seria melhor para vc e para eles se todos podessem compartihar desse problema. Pelo menos é assim que vejo. Minha esposa me ajuda muito em vários momentos, e confesso que não sei nem como esconder esse tipo de problema de alguem, simplesmente não consigo, pois sempre que faço alguma coisa estranha as pessoas me perguntam e tenho que me “explicar”. Essa é a nossa vida, e esconder isso não é uma solução. Se abra, faça com que todos saibam, leve isso na boa e aprenderá que lidar com isso talvez seja um pouco mais facil do que parece.
Quase morri de rir quando li sobre o trabalhão que você tem para sair do escritório. Também faço praticamente as mesmas coisas. É muito bom poder rir dessas coisas, que, no momento em que as fazemos não são nada engraçadas, mas, aqui no seu blog são muito.
Olá mais uma vez Fernando. Não ainda não contei a ninguém das minhas suspeitas, é que cada vez que sinto coragem lá surge qualquer coisa na minha vida que me faz adiar, por exemplo o meu filho anda com febres e acabou de sair de uma bronquiolite.Não há condições para alarmar ainda mais os “meus”.Escrevo desta vez para acrescentar um pouco mais ao meu texto anterior. Tenho uma obsessão pelo número 4, o que começou por bater nas tampas de embalagens(champoo, pastilhas eláticas, de cigarros) começa a passar para as luzes de casa (acender e apagar), também as vezes que passo por algum lado seja na rua ou na minha empresa e volto atrás um par de vezes para ver “qualquer coisa” que não foi “bem visto”,ás vezes uma simples mancha de tinta. Aproveitando um outro texto aqui colocado também sofro de , como dizer, “toque”,isto é, passo por algum lado e tenho de tocar num certo sitio com uma certa parte da mão ou com a ponta do indicador.Outra situação é a escrever no computador, por vezes sinto uma vontade louca de ao ir escrever uma palavra carregar várias vezes numa letra ou em várias o que torna as palavras esquesitas, então toca a apagar e escrever de novo (ex: ritual; antes de ficar ritual fica: riyutayaaaaaaa). Sem dúvida que os piores momentos surgem em situações de stress, li algures que o nível de stress é correspondente ao nível do TOC).Aproveitando a deixa no teu ultimo Post deixo aqui uma sugestão para um novo Post: gostava que falasses da força que tiveste para dizer ao Mundo “Eu sou doente eu tenho TOC”. Um abraço.
Faltou ainda falar na dificuldade que por vezes tenho em…..escolher um cigarro, uma pastilha elástica ou até mesmo um clipe. Pego num,este não,pego noutro,também não…e repito 2,3,4,5,6 vezes (dependendo de como estou na altura) e muitas vezes escolho…..o primeiro que vi.O maior embaraço que tive com estas dúvidas foi num supermercado onde tinha duas garrafas, mesma marca,cor, produto, iguaizinhas, uma ao lado da outra.Lembro-me bem da situação: chegei à prateleira olhei para as garrafas e mesmo antes de tocar numa delas surgiu-me a dúvida: qual levo e nesse mesmo segundo pensei: ó….merda!!!!(desculpa o termo) e fiquei a olhar para as duas, pegeui numa depois peguei na outra e voltei para a primeira e quando vi que estava a dar “nas vistas” levantei-me e fui dar uma volta pelo supermercado antes de lá voltar. Se estas dúvidas vão-me surgindo assim de vez em quando, quando forem regulares vai ser muito complicado.Para já é tudo.Abraço.
Faltou ainda falar na dificuldade que por vezes tenho em…..escolher um cigarro, uma pastilha elástica ou até mesmo um clipe. Pego num,este não,pego noutro,também não…e repito 2,3,4,5,6 vezes (dependendo de como estou na altura) e muitas vezes escolho…..o primeiro que vi.O maior embaraço que tive com estas dúvidas foi num supermercado onde tinha duas garrafas, mesma marca,cor, produto, iguaizinhas, uma ao lado da outra.Lembro-me bem da situação: chegei à prateleira olhei para as garrafas e mesmo antes de tocar numa delas surgiu-me a dúvida: qual levo e nesse mesmo segundo pensei: ó….merda!!!!(desculpa o termo) e fiquei a olhar para as duas, pegeui numa depois peguei na outra e voltei para a primeira e quando vi que estava a dar “nas vistas” levantei-me e fui dar uma volta pelo supermercado antes de lá voltar. Se estas dúvidas vão-me surgindo assim de vez em quando, quando forem regulares vai ser muito complicado.Para já é tudo.Abraço