Eu e nossas obsessões

Essa semana recebi  um email muito legal da Ana, de Portugal, procurando tirar algumas dúvidas. O email ficou grande e acabei falando sobre coisas realmente muito interessantes que acho que seria legal passar pra vocês. Então vamos lá!

Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares e estranhamente ter uma vontade incontrolável de refazer o mesmo caminho na volta. Nenhum desses desejos sumiu rapida ou completamente. Na verdade, eles foram se acumulando a medida em que o tempo passava. Durante toda a minha infância, eu também criei um medo absurdo do escuro, a ponto de só conseguir dormir com a luz acesa, daí a minha irmã mais velha me esperava dormir para apagar a luz para mim. Em seguida comecei a ter uma estranha obsessão pelas minhas unhas. Sabe quando você tem uma imperfeição na unha e a passa por um tecido, daí você sente o tecido predendo um pouco nessas imperfeições? Para evitar esse problema, eu comecei a arrancar todas as minhas unhas com os dentes, mesmo as dos pés, e as passava em algo feito com algodão para ter a certeza de que elas não prendiam mais em nada. Em seguida comecei com a minha obsessão mais forte, que é a de repetição e a de tocar em um lugar especifico. As vezes quando toco em algo ou alguém sem querer, eu sinto que tenho que conseguir tocar exatamente naquele mesmo lugar novamente, independente de quantas vezes eu precise tentar, e só posso parar quando consigo tocar naquele mesmo lugar. O problema é que, por exemplo, as vezes eu piso em uma pedrinha no chão, então eu fico tentando tocar na mesma pedra com o mesmo lugar do pé em que a toquei, e isso pode realmente durar muitos e muitos minutos. Outras vezes estou no ônibus e toco em alguém, é uma vergonha, porque fico tocando na pessoa de novo e de novo até conseguir acertar aquele lugar novamente, e isso é realmente um grande problema para mim. Penso que se eu não fizer isto, algo de muito ruim pode acontecer, como um predio desabar, aviões caírem ou até mesmo países simplesmente explodirem. Continue Lendo →

O que é o TOC?

Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência.

A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta doença. É muito comum o “Transtorno Obsessivo Compulsivo” (TOC) ocorrer após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais. Sabe-se ainda que algumas zonas cerebrais se tornam hiperativas, ou seja, funcionam mais nos portadores dessa doença do que em pessoas normais, como por exemplo o lobo frontal do cérebro, na região periorbital, e também regiões mais profundas como os gânglios ou núcleos da base. É comum que grandes gênios, artistas e pessoas muito precoces tenham este tipo de distúrbio, justamente devido a esta hiperatividade cerebral causada pela doença. A hiperatividade tende a se normalizar com o tratamento farmacológico bem como com a terapia cognitivo-comportamental. Continue Lendo →

A cura

Eu não vou expor meu cérebro a radiação nem abrir ele pra tirar um pedaço feito uma lobotomia. Prefiro ficar acendendo e desligando a luz 8 vezes toda vez que saio de casa a noite, ou olhar para a pessoa ao lado 4 vezes seguidas. Muito mais seguro. Eu já aprendi a conviver com isso mesmo. Como diria Guimarães Rosa em Grande sertão: Veredas, “viver é muito perigoso”. Mas esse tipo de tratamento pode aumentar exponencialmente estes riscos. Claro que existem muitos graus do TOC, e acredite em mim, passei por muitos deles. Continue Lendo →

Street Fighter: The Later Years

Essa é a genial, empolgante e bem produzida série com 9 episódios que demonstra como os elementos que nos cercam durante nossa infância acabam se tornando parte de de nosso caráter, personalidade, atitude e bagagem cultural.

Street Figther: The Later Years conta a história dos personagens da imortal franquia do game produzido pela Capcom nos idos de 90. A produção dá uma visão bem descontraída e até mesmo profunda (sim, profunda) de como estes personagens estariam hoje em dia. Nesse universo paralelo de um mundo que já conhecemos bem, nos deparamos com Zangief, como um desempregado; Guile como um vendedor de cachorros quente; Dhalsim, com motorista de taxi (obvío); Mr Bizon como um aposentado em uma cadeira de rodas; Blanka como um eletricista; Ken como um funcionário da Capcom, e a lista não para. Os episódios são cheios de citações dos personagens que não couberam na produção. E citações também de alguns jogos que foram lançados dentro da franquia.

Abaixo você confere os três primeiros episódios. Vá até o Youtube para conferir a série na integra.

Os Seis Biônicos

Caralho! Ta aí um seriado que sempre amei de paixão: “Os seis biônicos”. Misturando animação, juventude e ciência, esse é um seriado com a fómula certa para fazer qualquer nerd se apaixonar.

Passei minha infância inteira na frente da tv esperando começar essa série. Todos os episódios eu achava fantástico e me impressionava cada vez mais. Quem viveu na década de 80 sabe do que estou falando. Nada desses seriados Teenegeers de hoje em dia, “Os Seis Biônicos” era o que havia de mais moderno na época, e ainda hoje em dia curto relembrar esses momentos fantásticos que fizeram minha infância valer a pena. Continue Lendo →

O mundo em miniatura

Esse vídeo trás o trabalho do fotógrafo australiano Keith Loutit, especializado em fazer com que imagens reais dêem a impressão de miniatura, o que acaba nos dando uma visão muito peculiar do mundo e nos leva a pensar de uma forma mais unificada sobre tudo aquilo que nos cerca e que as vezes nos faz parecer distantes quando na verdade, fazemos parte de todo esse caos que parece mais ser uma espécie de equilíbrio. Curtam!

Johnnie Walker

Comercial é um negócio foda devido a possibilidade de se misturar diferentes meios artísticos para se passar uma idéia. Os comerciais do Johnnie Walker são sempre geniais. Abaixo segue um deles que me impressionou profundamente. Ele é a perfeita mistura de tecnologia, texto, direção e conceito.

Eu, o “TOC” e meu cão

Para quem sofre de “TOC”, a relação com um cachorro pode ser saudável de várias maneiras. Vou explicar.

Em toda a história da humanidade, a coisa mais poderosa que já existiu, aquilo que ergueu e derrubou reinados, que inspirou homens a fazer coisas grandiosas sempre foi a “buceta”, sim, a “buceta”, ela mesma, o mesmo vale para as mulheres também, que têm seu equivalente no homem. O que quero dizer é: O sentimento de ter alguém do seu lado, que lhe completa, que lhe ajuda, faz as pessoas superarem muitas coisas, a “buceta” fez muitas coisas na nossa história, mas o tipo de amor que pode ajudar uma pessoa com “TOC” é diferente.

Ter alguém que caga, come, bebe, dorme e faz uma série de outras coisas, muitas delas nojentas, normalmente nos faria expulsar esse ser de nossa casa para mante-la organizada de forma que só alguém com “TOC” sabe deixar.  No entanto, quando vc tem um tipo de relacionamento puro e incondicional como só um cachorro pode oferecer – e um cachorro é um ser que depende completamente de nós – você começa a se esforçar um pouco mais para poder cuidar dessa relação. É algo tão verdadeiro que a gente não percebe que esta fazendo coisas que antes nossos rituais jamais permitiriam, e quando percebe, acaba fazendo mesmo assim porque sabemos sabe que aquele animal precisa de nós, acredita e confia em nós cegamente.

Já está mais que comprovado de diversas formas possíveis que pessoas com cães tem uma qualidade de vida muito melhor, diminuindo até a incidência de enfarto e outros problemas de saúde. Apesar de que cuidar de um animal requer muita dedicação, empenho e consciência por parte de quem o cria. O relacionamento homem e cão é a chave para ajudar a superar diversos problemas das pessoas com o “TOC”.

Claro que o tipo e a força do sentimento que se nutri pelo animal é algo muito pessoal e depende muito de cada um, não adianta comprar ou adotar um cachorro se você não gosta, só por alguns dos motivos que falei acima, é preciso realmente querer e amar o animal para que se possa ter esse resultado que é mais uma consequência do que um propósito.

Com um cão nós pegamos em coisas viscosas; nos arriscamos a pisar em uma linha no chão, pondo em risco a segurança de um planeta para poder chegar a tempo de evitar que nosso melhor amigo se machuque (sim, muitas pessoas com “TOC” acreditam que o simples fato de pisar em uma fissura no chão pode fazer com que um planeta seja destruído). Para uma pessoa com nosso tipo de problema, ter um cão é uma espécie de superação. Talvez não a solução para nossos problemas, mas é um belo motivo para começarmos a enfrentar muitos deles.

nota: a ilustração deste post foi feita pela Tati Viana

Por favor, não me “toc”

Alguns “dependentes” do TOC -  e eu digo dependente porque muitas vezes a gente fica a mercê de alguns rituais que vão definir se vamos fazer algumas coisas ou não – tem um momento de “não me toque”. De uma hora pra outra aquele psicopata que criamos dentro de nossa cabeça nos informa que a partir daquele momento, e por um tempo indefinido que pode ser pouco ou muito, ele diz que não podemos encostar em nada nem ninguém. É como se estivéssemos em um corredor estreitíssimo. E com isso pode vir também os “Cânions”, ou “rachaduras da morte” se preferir. Cada fissura no chão, cada arranhãozinho no piso parece um Cânion, ou uma mina, dependendo do momento. Qualquer passo em falso pode nos fazer despencar em um longo buraco sem fim, ou simplesmente (e esse é meu preferido) nosso psicopata pessoal nos informa que algo a nossa volta pode acontecer: um carro explodir, um prédio desabar, e todas essas maravilhas de nosso dia-a-dia. Tudo isso se simplesmente pisarmos naquele maldito risco no chão.

Os abismos dentro das mais ínfimas fissuras no chão geralmente vem de brinde no “não me toque”, mas às vezes ele também pode vir isoladamente.

Geralmente, quando o momento “não me toque” acontece comigo, o melhor é relaxar. Minha dica pessoal para se alguém acabar lhe tocando sem querer (ou querendo) é tocar nessa pessoa de volta uma quantidade pares de vezes, até seu psicopata pessoal avisar que é o suficiente. Isso é o que faço para “evitar” o caos que pode gerar o não cumprimento desse ritual. E não tem problema se todos acharem que você está em uma corda bamba dentro de um corredor estreito, lembre-se: você está salvando a vida deles.

Porque ter um cão?

A minha vida inteira eu sempre amei animais, e é claro, principalmente cachorros. Mas porque cachorro? Porque eu sinto que é diferente? Porque ele realmente parece ser um excelente amigo? Bom… eu imagino que é porque ele é.

É muito difícil falar desse tipo de relacionamento sem parecer piegas. Mas a verdade é que o cão é incrivelmente mais inteligente do que muita gente pensa. Os cães podem entender até 160 palavras, reconhecem cerca de 90% de nossa expressão corporal e facial. O cachorro realmente interage com você, ele realmente ama você, e olha que você nem precisa dar algo em troca, ele vai amar você de verdade, basta você ama-lo também. Continue Lendo →