Por favor, não me “toc”

Alguns “dependentes” do TOC -  e eu digo dependente porque muitas vezes a gente fica a mercê de alguns rituais que vão definir se vamos fazer algumas coisas ou não – tem um momento de “não me toque”. De uma hora pra outra aquele psicopata que criamos dentro de nossa cabeça nos informa que a partir daquele momento, e por um tempo indefinido que pode ser pouco ou muito, ele diz que não podemos encostar em nada nem ninguém. É como se estivéssemos em um corredor estreitíssimo. E com isso pode vir também os “Cânions”, ou “rachaduras da morte” se preferir. Cada fissura no chão, cada arranhãozinho no piso parece um Cânion, ou uma mina, dependendo do momento. Qualquer passo em falso pode nos fazer despencar em um longo buraco sem fim, ou simplesmente (e esse é meu preferido) nosso psicopata pessoal nos informa que algo a nossa volta pode acontecer: um carro explodir, um prédio desabar, e todas essas maravilhas de nosso dia-a-dia. Tudo isso se simplesmente pisarmos naquele maldito risco no chão.

Os abismos dentro das mais ínfimas fissuras no chão geralmente vem de brinde no “não me toque”, mas às vezes ele também pode vir isoladamente.

Geralmente, quando o momento “não me toque” acontece comigo, o melhor é relaxar. Minha dica pessoal para se alguém acabar lhe tocando sem querer (ou querendo) é tocar nessa pessoa de volta uma quantidade pares de vezes, até seu psicopata pessoal avisar que é o suficiente. Isso é o que faço para “evitar” o caos que pode gerar o não cumprimento desse ritual. E não tem problema se todos acharem que você está em uma corda bamba dentro de um corredor estreito, lembre-se: você está salvando a vida deles.

5 Responses to Por favor, não me “toc”

  1. uhauhauhauhauh acho que foi por isso que aconteceu aquela explosão naquele dia na maxmeio

  2. O @fernando, também conhecido por Fernando “Massa”, foi testemunha ocular do incidente da explosão.

  3. Uau.. Fiquei impressionada identifiquei-me bastante , eu também tenho esse sintoma “não me toque” desde que me conheço que tenho esse sintoma em relação a tampas no chão , aquelas tampas que estão na rua e em todo lado.. simplesmente, não as piso . Não consigo ou não posso , mas este é um de muitos .
    Mas em relação a pessoas nunca tive :)
    Achei curioso dizeres que a personagem que criaste por causa do TOC é tua amiga e que preferes viver com ela do que “curar-te” , achei curioso porque penso porque penso exactamente da mesma maneira ! Sinto-me muito mais saudável assim , sinto-me protegida .
    Tenho 15 anos .
    Sou de Portugal .
    Deves ter reparado ;)

  4. @Patricia, Hahaha, este teu sotaque e esse teu portugês “correcto” não me enganam! Quase metade dos visitantes do obsessivocompulsivo são de Tuga! Galera fina e INTELIGENTE! Hahahaha

    Obrigado pelas palavras Patricia. Sou como você, me sinto a vontade em ser da forma que sou, apesar de todos as dificuldade iniciais, que vêem antes mesmo de eu saber o que era TOC, hoje estou bem confortável e aprendi a conviver.

  5. Eu também tenho um pouco de TOC e tal como tu, simpatizo com esse meu psicopata interior, se bem que a personagem às vezes dá-me muito o que fazer, no sentido em que de vez em quando faz com que eu me torne num ponto de interrogação ambulante, numa dúvida constante! Fico com dúvidas em relação a tudo, lol, grandes filmes e grandes imagens destorcidas e espiraladas passam-me pela cabeça quando alguém me está a explicar algo que na realidade é muito simples!
    Sim, e de vez em quando passo a correr por algum prédio porque dá-me a sensação que vai cair qualquer coisa de uma das janelas, direitinha na minha cabeça…

Leave a Reply