Anneliese Michel, uma garota alemã conhecida de poucos por ter sido “possuída”, mas cuja história deu origem a um filme lançado em 2005, supostamente baseado em fatos reais e com o título de “O Exorcismo de Emily Rose” (conhecido por muitos). Como tudo na vida, uma coisa leva a outra, mas sempre por um caminho que passa por longe da razão.
E o que é essa tal de razão afinal? Muitos dizem que na verdade ela nunca existiu, outros falam que ela é apenas tímida. Mas de uma coisa temos certeza: é difícil encontra-la por aí, dando bobeira. É certo que ela tem seus motivos. Quem não sentiria vergonha de aparecer ao lado de seres como nós? Mitologicamente inteligentes e desconcertantemente ignorantes.
Mas antes que eu comece a comprometer essa minha amiga em particular, vamos voltar a Anneliese, que mesmo hoje em dia consegue impressionar muita gente com suas fotos de olho inchado e seus audios com a voz grossa.
Quando essa moça já estava muito mal, ela “viu” a virgem Maria em um sonho. Neste, ela lhe ofereceu a oportunidade de se livrar dessa “maldição” ou continuar com ela até morrer e servir de exemplo para as pessoas que não levam a religião mais a sério hoje em dia.
Apesar de pouco conveninete para ela como pessoa física, e deveras interessante para a Igreja como instituição, a própria escolheu a segunda opção. Mas todo esse conto esconde fatos.
Para a maioria das pessoas, é muito fácil aceitar de primeira esse papinho de deus, diabo e tudo o mais. Mas para aqueles que tem um pouquinho mais de curiosidade, podemos nos aprofundar mais nessa “estoria” e tentar absorver mais informações do que a igreja gostaria que soubéssemos (viva a internet!).
Pra começar, os padres que fizeram o exorcismo da Anneliese foram condenados a seis meses de prisão efetiva, e 3 anos de pena suspensa (ops!).
Antes do início do processo, os pais de Anneliese solicitaram às autoridades locais uma permissão para exumar os restos mortais de sua filha. E adivinha o porque? Eles fizeram esta solicitação em virtude de terem recebido uma mensagem de uma freira carmelita do distrito de Allgaeu, no sudoeste da Baviera. A freira relatou aos pais da jovem que teria tido uma visão na qual o corpo de Anneliese ainda estaria intacto ou incorrupto, e que esta seria a prova definitiva do caráter sobrenatural dos fatos ocorridos. O motivo oficial que foi dado às autoridades foi o de que Anneliese tinha sido sepultada às pressas em um sarcófago precário.
Mas como todos os religiosos, a irmã estava errada. Os relatórios oficiais, divulgaram que o corpo já estava em avançado estado de decomposição. As fotos que foram tiradas durante a exumação jamais foram divulgadas. Os pais e os padres exorcistas foram desencorajados a ver os restos mortais de Anneliese. O padre Arnold Renz mais tarde afirmou que teria sido, inclusive, advertido a não entrar no mortuário.
Anneliese Michel era de uma família extremamente católica, três das suas tias eram freiras e seu pai tinha considerado a ingressão num seminário. Mas a mãe de Annelise tinha cometido um “deslize” na juventude e dado à luz uma filha ilegítma, Martha, em 1948. Por essa razão casou-se com o devoto Josef Michel usando um véu negro e, praticamente desde que nasceu, em 1952, Anneliese carregou a culpa da ilegitimidade da irmã. Ilegitimidade que foi encorajada a compensar com constante devoção e orações. A irmã morreu com oito anos e certamente que o ambiente familiar de fanatismo religioso propiciou um sentimento de culpa crescente na jovem Anneliese, e uma necessidade de expiação dos pecados não só da mãe, mas igualmente da “imoralidade” que via à sua volta, nos anos sessenta.
Ela também era epiléptica. E você sabe o fatores que catacterizam a epilepsia meu caro leitor? Epilepsia é uma alteração na atividade elétrica do cérebro, temporária e reversível, que produz manifestações motoras, sensitivas, sensoriais, psíquicas ou neurovegetativas (disritmia cerebral paroxística). Os seus sintomas, para além da já diagnosticada epilepsia, sugerem que ela sofria de esquizofrenia, ambas doenças perfeitamente tratáveis na época (ignorância wins!).
O que de fato potencializou todos esses sintomas que foram diagnosticados na época por especialistas, foram as obsessões religiosas.
Em 1968, com 17 anos, Anneliese teve os primeiros episódios de convulsões e foi diagnosticada com epilepsia. Mas o sentimento de culpa pelos “pecados” alheios aliado ao ambiente familiar (doentiamente) católico propiciaram que Anneliese experienciasse alucinações demoníacas quando rezava. Em 1973, data em que foi estreado o filme “O exorcista”, sofria de depressão severa e considerava suicídio, uma vez que “vozes” na sua cabeça lhe anunciaram que estava amaldiçoada.
Eu queria saber porque nunca vi nenhum ateu sendo “possuído”. =o
Certamente que a estreia do filme a sugestionou. Pouco depois ela começou a apresentar comportamentos bizarros, muito semelhantes aos de Linda Blair, a Regan no “Exorcista”. Em 1975 Anneliese estava tão convencida da sua possessão por demónios sortidos, possessão confirmada pelos dois prelados católicos, Arnold Renz e Ernst Alt, que identificaram, entre outros, Lúcifer, Judas, Nero, Caim e Adolf Hitler, que recusou qualquer prescrição médica ou tratamento da Clínica Psiquiátrica de Wurzburg.
Eu diria mais, que além de esquizofrenia, ela poderia até mesmo ter dupla personalidade, uma seria a Anneliese, e a outra o “demônio”. Sem contar a lavagem cerebral que essa garota sofreu pela religião, que com certeza foi o que a fez considerar um tratamento médico do século dezesseis, que eram os exorcismos realizados de acordo com o manual de exorcismo então em vigor, o Rituale Romanum de 1614. E todos os fatos relatados aqui se passam depois da renascença!
Posteriormente a toda essa confusão de padres sendo presos e tudo o mais, uma comissão da Conferência dos Bispos Alemães declarou que Anneliese Michel não tinha estado possessa, o que foi considerado por muitos como um ato de autopreservação da Igreja Católica.
A verdade é que estamos longe de uma era da razão, e tudo o que impede nosso avanço é essa maldita religião, que sempre esteve aqui única e exclusivamente para limitar nossa liberdade intelectual a fim de ter o controle das pessoas. Mas infelizmente, pior são as próprias pessoas que permitem isto. Não vivemos mais na era da inquisição.
E antes que alguém me discrimine por ser ateu, digo que todos já fomos ateus um dia, ninguém nasce com fé em deus, isso é lavagem cerebral. Se eu pegasse uma revista do super-homem e lhe dissesse desde criança que aquilo era a verdade, o caminho e a vida, seria nisso que você iria acreditar hoje em dia.
Mas também não digo que você não precisa ter fé no que você acredita, até porque a religião não é dona da fé, ela apenas se apossou dela, como de tantas outras coisas em nossa história.
Anneliese Michel estava doente e não foi ao medico, foi a Igreja. Veja o que aconteceu com ela. E você, quando fica doente, vai aonde?
Mas afinal, quem sou eu pra dizer alguma coisa? A religião sempre esteve certa sobre tudo. Nunca disse uma inverdade em toda sua existência, é incrível como eles estão sempre certos. Não é possível que essa história de um tal de deus não seja verdadeira. Afinal, O Sol gira em torno da terra; o mundo é quadrado; Jesus é um herege; Jesus é um santo; Essa bíblia ta estranha, vamos editar e fazer um novo testamento; Não use camisinha; O mundo tem 12 mil anos, etc, etc, etc…


“Se eu pegasse uma revista do super-homem e lhe dissesse desde criança que aquilo era a verdade, o caminho e a vida, seria nisso que você iria acreditar hoje em dia.” Brilhante.
Acho interessante que possam existir pessoas que não acreditam que haja algo supremo e realmente brilhante! Religião e espiritualidade são a mesma coisa?
Fiquei na dúvida agora!
Porque a veneração é intrínseca do ser humano???
Em que um ateu acredita?
Desculpa, eu posso acreditar então acredito que ele não crê, não venera e alguns (não é o seu caso com certeza) não pensam…
ps. não tenho religião
@Knowing, Respondendo:
Acho interessante que possam existir pessoas que não acreditam que haja algo supremo e realmente brilhante!
R: Assim como eu acho interessante que dentre os mais de 100 mil deuses criados pelas religiões, vc acredite convenientemente que justamente o seu é o que existe.
Religião e espiritualidade são a mesma coisa?
Fiquei na dúvida agora!
R: Não, mas as religiões se apossaram da “espiritualidade”, e digo isto entre aspas, porque na verdade, uma vez que não existe espírito só pode haver o sentimento de tal experiência.
Porque a veneração é intrínseca do ser humano???
R: Porque somos uma espécie curiosa que precisa de respostas, os menos desprovidos de inteligencia não conseguem buscar ou entender as respostas, e acabam incundo a responsabilidade dos fatos a um ser superior, e uma vez que tal poder lhe é associado, o homem se sente na obrigação/necessidade de venera-lo.
Em que um ateu acredita?
R: Em tudo que os fatos corroboram.
Desculpa, eu posso acreditar então acredito que ele não crê, não venera e alguns (não é o seu caso com certeza) não pensam…
R: Não vejo o menor problema em não crer e não venerar. Se vc só é uma pessoa boa porque acredita que um ser superior te ameaça com o inferno, o que isso diz sobre vc mesmo?
ps. não tenho religião
R: Nem eu