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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; compulsão</title>
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	<description>Os pensamentos de um transtornado</description>
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		<title>Ônibus, pessoas e cutucões&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 23:53:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gosto quando a parada de ônibus tem um número par de pessoas. Gosto principalmente quando não são muitas, porque não gosto de pessoas, mas gosto de observa-las quando estão em pequeno número. É um bom passatempo enquanto aguardo, mas aí é onde começam meus problemas&#8230; Gosto de ver os primatas, e não sei ser sutil. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto quando a parada de ônibus tem um número par de pessoas. Gosto principalmente quando não são muitas, porque não gosto de pessoas, mas gosto de observa-las quando estão em pequeno número. É um bom passatempo enquanto aguardo, mas aí é onde começam meus problemas&#8230;<span id="more-276"></span></p>
<p>Gosto de ver os primatas, e não sei ser sutil. Olho pra direita, esquerda, direita, direita, direita, direita. Não, não estou sendo redundante, essa é a quantidade de vezes que olho para a pessoa do lado (as vezes da esquerda). Ou ela  me nota por eu estar olhando-a fixamente, ou me nota pela quantidade de vezes que viro a cabeça em sua direção. Doentio? Nem me fale. Mas é isso ou deixar que o ônibus atropele a todos que estão alí. Eu não gostaria de viver com isso&#8230;</p>
<p>Chega o bendito. Respiro fundo e vou enfrentar uma quantidade ímpar de degraus (isso devia ser proibido). Só é pior quando é daquelas roletas que só tem três &#8220;braços&#8221; (só pode ser marcação comigo). Fico ainda imaginando a quantidade de seres que esfregaram seus corpos imundos naquela &#8220;bagaça&#8221;. Respiro fundo, pego naquele dinheiro podre que está em meu bolso e tomo cuidado para o cobrador não tocar os dedos dele nos meus, ou eu teria que toca-lo de volta uma quantidade par de vezes. TREK! Passei.</p>
<p>Admiro bastante ônibus livres de pessoas, com opções de assento, um bem limpo de preferência. Já devidamente colocado em meu local de temperatura normal, às vezes encosto minha cabeça  e braços na cadeira da frente para descansar melhor. O problema é quando vem alguém, senta e toca em mim. Daí preciso tocar a pessoa na mesma parte em que ela me tocou, uma quantidade par de vezes (sim, sempre números pares, ímpares são maléficos). Toco duas vezes, a pessoa finge que não sentiu nada, toco de novo, ela olha pra trás, me faço de besta e &#8220;tico&#8221; nela uma quarta vez. Pronto, o mundo está a salvo novamente.</p>
<p>As vezes, pra evitar esse tipo de problema eu encosto a minha cabeça na janela lateral, mas se o ônibus passa num buraco e dou com o crânio contra o vidro, o que você acha que tenho que fazer uma quantidade par de vezes também? Ultimamente tenho tentando bastante me manter ereto no assento.</p>
<p>A segunda situação é quando vou em pé. Se estou nessa condição, é porque o ônibus está consideravelmente cheio, isso significa que existe uma maior probabilidade de eu tocar em alguém, ou vice-versa. O que gera uma necessidade maior de cautela, e um nível ainda superior de vergonha, pois a pessoa pode pensar que estou &#8220;roçando nela&#8221; e não que tenho um distúrbio psicológico comprovado. Por isso tento ir pra porta de saída e me colo nela. Sei que atrapalha mais as pessoas que querem descer, mas é isso ou sair cutucando todo mundo um número par de vezes dentro do transporte, talvez ser expulso pelo cobrador a gritos, ou mesmo ser preso pela polícia por atentado ao pudor. Minhas opções me fazem grudar a porta de saída e me espremer ainda mais contra ela quando as pessoas estão descendo.</p>
<p>As vezes penso como seria se desse pra usar uma câmera que deixasse as pessoas invisíveis e eu pudesse ser filmado em um ônibus lotado, tentando me comportar dentro daquele espaço sem ser preso.</p>
<p>Mas um dia compro um carro. Gosto deles porque tem quatro rodas e quatro assentos. Só fica faltando eu colocar uma direção extra, um cano de escape a mais e arrancar o retrovisor central. Só eu poderei sentar em meu banco, pois nada pior do que quando você não tem opções de assento em um ônibus e fica esperando alguém se levantar. Antigamente eu simplesmente não sentava em um lugar onde visse que outra pessoa havia estado. Eu imaginava que se pegasse aquele lugar iria absorver tudo de ruim que aquele ser tinha. Esse pensamento ainda me incomoda, mas junto forças e sento mesmo assim. Sinto o quentinho do corpo da outra pessoa e aquela voz nada amigável em minha cabeça fica gritando: &#8220;É agora, você terá cancer, o ônibus irá bater e o mundo vai explodir! Eu te avisei pra não sentar aí, avisei! Bhuahahahaha&#8230;!!&#8221; Vou com esse pensamento até meu destino, levanto e saio tocando nas pessoas que ficaram de pé. Me espremendo entre um corpo e outro, colocando a perna pra trás para dar um chute bem onde toquei naquela pessoa quando a transpassei. Todos me olham, todos me odeiam. Cutuveladas duplas para todos os lados. Consigo chegar ao outro lado do &#8220;funil&#8221;, desço as escadas, dou um chute no pneu e continuo meu dia.</p>
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		<title>Razão e Violência</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 23:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que o TOC não é Psicose. Este é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma &#8220;perda de contacto com a realidade&#8221;. Ao experienciar um episódio psicótico, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que o TOC não é Psicose. Este é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma &#8220;perda de contacto com a realidade&#8221;. Ao experienciar um <span style="color: #000000;">episódio psicótico</span>, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de &#8220;crítica&#8221; ou de &#8220;insight&#8221; que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento. As obsessões e transtornos das pessoas que têem o TOC, nos perturbam justamente porque nós estamos em contato direto com a razão. Caso contrário não nos preocuparíamos com nossos rituais.<span id="more-193"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-208 alignright" title="ato-violencia-poster01" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01-150x150.jpg" alt="ato-violencia-poster01" width="150" height="150" /></a>O que ocorre é que, principalmente no início da doença, quando começamos a ter os primeiros sintomas, ninguém sabe o que é realmente o TOC, e é algo que nos deixa perturbados, porque você realmente acredita que está ficando maluco. Hoje, com a web e a socialização da informação, é muito mais fácil de se conhecer a doença. Mas em uma época como a minha, foi um tanto quanto desesperador pois eu não fazia ideia de o porque que estava acontecendo aquilo comigo, nunca tinha visto nada parecido em lugar algum. É aí que vem a depressão, pois a pessoa começa a acreditar que está perdendo a razão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem observa de fora, imagina que o TOC é apenas a repetição ou a mania de limpeza, que são os sintomas mais comuns. Acham engraçado e tudo o mais, afinal, para elas aquilo não faz o menor sentido. A verdade é que para nós que temos a doença, não faz mais sentido do que para a pessoa que está observando de fora. A questão é que a doença não é só isso. Existem outros sintomas que são ainda mais complicados de se abordar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-210 alignleft" title="violencia2" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2-150x150.jpg" alt="violencia2" width="150" height="150" /></a>Eu vejo um portador de TOC como um veterano de guerra. Aquele cara que viu muita coisa ruim, e que sofre com aquilo na cabeça, revivendo momentos de horror todo o tempo. O que muita gente não sabe, são sobre nossos pensamentos obsessivos quanto a violência e ódio. Acredito que este é um dos motivos de nossos pensamentos obsessivos terem tanto poder de persuasão, pois eles lidam diretamente com o mais terrível em relação a violência e sofrimento. Constantemente, os portadores desta doença tem pensamentos e até mesmo vontades absurdas, como por exemplo, estarmos conversando com alguma pessoa, e de repente nos vemos enfiando uma caneta no olho dessa pessoa; estrangulando-a até a morte; torturando-a e várias outras ações relacionadas a violência que poderíamos ter, como imaginar tragédias com mortes horríveis, muitas vezes absurdas. Daí vem a compulsão, como uma forma de nos livrarmos de tudo isto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-209 alignright" title="violencia psicologica" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica-150x150.jpg" alt="violencia psicologica" width="150" height="150" /></a>A questão aqui é que nós temos que lidar todos os dias com pensamentos horríveis, socialmente abomináveis. O que gera muita dor e as vezes instabilidade emocional. Por isto digo que vejo os portadores desta doença como veteranos de guerra, justamente por termos traumas de experiências tão violentas e cruéis. E o pior de tudo, é que nunca realmente vivemos nenhuma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa questão demonstra o quanto o <em>Transtono Obsessivo Compulsivo</em> pode ser cruel, e eu diria até mesmo baixo, por tentar destruir nosso lado emocional e moral, atacando a nossa razão e nossas memórias através de nossa imaginação para que cedamos a todas as compulsões a seu bel-prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Então resolvi abordar esta questão, que é tão dificíl de se expor por tratar diretamente com nossa moral. Gostaria que vocês pudessem comentar o que vocês acham disso e também os tipos de pensamentos que vocês tem que sejam relacionados a violência, para que talvez eu possa fazer um post mais direcionado a esse tipo de comportamento, característico de nosso problema.</p>
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