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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; compulsivo</title>
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		<title>Transtorno Bipolar</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 01:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/transtorno-bipolar/" data-text="Transtorno Bipolar" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Pouco tempo atrás, eu estava em um momento de descontração, quando alguém disse algo que me deixou com tanta raiva que me levantei, fui para outro cômodo e quebrei o copo na parede. Nesse exato instante percebi que eu poderia ter Transtorno Bipolar, ou “TAB”. Não, não é a tecla do seu teclado, a sigla significa “Transtornos Afetivo Bipolar”. Quando consegui me acalmar, comecei a tentar lembrar de todas as situações em minha vida que tive uma reação parecida, ou alguma atitude que poderia indicar outro sintoma da doença. E após passar horas estudando sobre o assunto (e olha que ainda não parei), consegui constatar que tenho absolutamente todos os sintomas da doença.</p>
<p>É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”. E posso garantir a todos vocês que é algo bem difícil de aceitar, mas de acordo com:</p>
<p>Joel Yager – Professor do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Colorado; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Novo México; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria e Ciencias do Comportamento da escola de Medicina Dagid Geffen, na UCLA.</p>
<p>Que fizeram diversas pesquisas com pacientes com “TOCi”, isso é bastante real. E infelizmente, acabei entrando nessa brincadeira.</p>
<h2>Fatos</h2>
<p>Os pesquisadores citados acima conduziram um estudo pioneiro naturalístico e seccional cruzado, para comparar as correlações atuais e de toda a vida do aparecimento do “TOCi” em 64 pacientes juvenis com TOC (incluindo 44 adolescentes) e em 193 adultos com o transtorno surgido na juventude (idade média: 38 anos).<br />
Apenas 20,3% dos juvenis e 10,4% dos adultos relataram “TOC puro”, sem complicações por outros diagnósticos do eixo I ou II do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico).</p>
<p>Os adultos apresentaram transtornos do humor (inclusive bipolar) em 71,5%, versus 42,2% dos adolescentes e crianças. O TOC de inicio adulto também foi associado a maior uso de substâncias químicas (27,5% versus 0%), pânico 21,2% versus 3,2% ou transtorno alimentar (13,5% versus 1,6%) no &#8220;TOCi&#8221;.</p>
<p>Os adolescentes e adultos relataram mais frequentemente obsessões agressivas ou rituais mentais.</p>
<p>Nenhuma diferença foi encontrada quanto aos fenômenos de amontoamento ou de “incompletude” (ou seja, ter de completar determinadas tarefas).</p>
<h2>Aceitação</h2>
<p>Essa parte foi bastante complicada, e pra ser sincero, a ficha ainda não caiu completamente, mas minha parte racional não me permite pensar de outra forma, uma vez que tudo faz sentido no momento em que aceito esse diagnóstico.</p>
<p>Desde o momento em que quebrei o copo não consigo parar de pensar em outra coisa, e de buscar mais dados para fazer um “double check” e ter a absoluta certeza de que realmente é isso. Aceitar é mais difícil do que perceber (um &#8220;viva&#8221; a nosso lado mamífero).</p>
<p>Uma coisa é certa, estou me sentindo bizarro e me achando mais estranho ainda cada vez que olho no espelho. Reavaliando meu comportamento a cada segundo, em tempo real. Começo a ter raiva de mim mesmo. Eu queria quebrar o espelho&#8230;</p>
<h2>Sintomas</h2>
<p>Os sinais e sintomas da mania (ou de um episódio maníaco) incluem:</p>
<p>- Energia e atividade aumentadas, inquietação<br />
- Humor excessivamente “elevado”, bom demais, eufórico<br />
- Irritabilidade extrema<br />
- Pensamento acelerado e falar muito e rapidamente, pulando de uma idéia para outra<br />
- Distraibilidade, não consegue se concentrar direito<br />
- Pouca necessidade de sono<br />
- Crença super-valorizadas das próprias capacidades e poderes<br />
- Juízo crítico deficiente<br />
- Gastos excessivos<br />
- Um período longo de comportamento que difere do habitual<br />
- Aumento do impulso sexual<br />
- Abuso de drogas, especialmente cocaína, álcool e medicações para dormir<br />
- Comportamento provocador, invasivo ou agressivo<br />
- Negação de que há alguma coisa errada Humor triste, ansioso ou vazio duradouro<br />
- Sentimentos de desespero ou pessimismo<br />
- Sentimentos de culpa, menos valia ou impotência<br />
- Perda do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas, incluindo sexo<br />
- Diminuição da energia, uma sensação de fadiga ou de estar “devagar”<br />
- Inquietação ou irritabilidade<br />
- Dorme demais, ou não consegue dormir<br />
- Alteração no apetite e/ou perda ou ganho de peso não intencional<br />
- Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas<br />
- Idéias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio.</p>
<h2>No demais</h2>
<p>Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o Transtorno Bipolar não siginifca, necessariamente, a mudança rápida de humor ou pensamento. De fato, um estado de humor pode durar meses e meses. Esse é um dos motivos pelo qual o diagnóstico é tão complicado.</p>
<p>Pessoas que tem problemas psicológicos, seja qual for o gênero, precisam ser imparciais quanto ao julgamento de seu próprio comportamento, ou ao menos tentar, para poder perceber uma série de problemas que podem surgir devido a existência de fatores como o TOC.</p>
<h2>Percepção</h2>
<p>Acho o mundo realmente muito débil, mas de quando em vez me pergunto se isto se deve pela forma como eu o vejo, ou pela forma como ele é. É difícil saber quem pode ser mais bizarro, a imaginação ou a realidade.</p>
<p>Esse degrau do autoconhemimento torna as coisas ainda mais complicadas pra mim, ainda mais porque explica muitas coisas de meu comportamento que eu não compreendia direito, e então, simplesmente deixava passar.</p>
<p>O certo seria eu virar evangélico, mas sou inteligente demais pra isso, então preciso dar um jeito de lidar com os fatos e suas conseqüências. Não está sendo nada divertido, pois agora me vejo de uma forma nova, com mais variáveis.</p>
<p>Eu queria ser o processador cansado de uma espaçonave antiga que encontra um asteróide, mas minha parte animal me faz agir de outra forma, e em vez de pensar em um fim, só consigo imaginar um “conserto”, um jeito de “hackear” minha mente e meu comportamento.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Agora preciso encontrar uma forma de lidar com isto. Espero que seja divertido essa empreitada do “tentar não ficar maluco” (de novo).</p>
<p>Existe muito material didático na web sobre o assunto. Desde matérias a artigos científicos. Recomendo a todos que tem TOC a darem uma boa olhada no espelho, uma vez que isso atinge boa parte das pessoas que tem esse problema.</p>
<p>Podem contar com mais artigos e crônicas sobre o tema, uma vez que estou agora tentando entender esse novo problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Apenas divagando&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Sep 2010 01:45:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esquerda, mãos no bolso e passos curtos. Andar devagar me incomoda, mas estou sem pressa. Aquele navio não vai sair dali tão cedo. Faz um tempão que não uso calça nem tênis. Pessoas correndo e surfando. Porquê? Apenas divertido. Mulheres de biquine, homens de sunga. Coroa na minha frente, olho pra sua bunda. Minha senhora, e se eu tivesse um espeto de churrasco feito de ferro e empalasse a senhora? Será que dava pra fugir? Coitada da véia. Nada contra coroas, de vez em quando apenas olho pra alguém na rua e me vejo machucando-a. Eu sei, eu sou doente. Ok, nada cortante. Se eu ficasse nu e saísse correndo, alguém ia notar?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/apenas-divagando/" data-text="Apenas divagando&#8230;" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Olho pra direita, navio encalhado. Ok, melhor desfazer logo isso antes que alguém perceba que fui eu. Levanto, bato com as mãos no short, areia o vento leva, ergo braços em direção aquele monte de ferro e fico em posição de quem vai resolver alguma coisa. Faço força e deixo os dedos rígidos. Isso não vai dar em nada.</p>
<p>Esquerda, mãos no bolso e passos curtos. Andar devagar me incomoda, mas estou sem pressa. Aquele navio não vai sair dali tão cedo. Faz um tempão que não uso calça nem tênis. Pessoas correndo e surfando. Porquê? Apenas divertido. Mulheres de biquine, homens de sunga. Coroa na minha frente, olho pra sua bunda. Minha querida, e se eu tivesse um espeto de churrasco feito de ferro e empalasse a senhora? Será que dava pra fugir? Coitada da véia. Nada contra coroas, de vez em quando apenas olho pra alguém na rua e me vejo machucando-a. Eu sei, eu sou doente. Ok, nada cortante. Se eu ficasse nu e saísse correndo, alguém iria notar?</p>
<p>As pessoas passam por mim pra chegar em algum lugar. Como se não estivessem se movendo a a mais de cem mil quilômetos por hora pelo espaço, mas tudo é relativo. De que adianta a velocidade em que você está no espaço se a gente ta parado em cima dessa &#8220;pedra azul&#8221;? Aquilo alí é um ovni?</p>
<p>Tem muito bichinho na praia, mas os que andam em duas pernas me incomodam mais. Será que eu também tô incomodando alguém? Será que aquela doidinha tem namorado? Se eu chutar aquela àrvore, vai doer? Claro que vai! Mas que vontade louca de chutar aquela àrvore alí!</p>
<p>Eu sei que sou muito chato, mas prefiro perder um amigo a não falar o que me da vontade. Minha vontade sempre vai estar comigo, amigos não. Casam, morrem, te fodem. Tem algum pé de manga aqui?</p>
<p>Praias não tem rachaduras para eu não pisar, ao contrário de calçadas. Mas essa aqui tem um esgoto, aliás, vários! Como vou fazer pra passar? Já sei, subo pela calçada! Após dar a volta eu me sinto uma pessoa vitoriosa. Também comprei um óculos escuro de cinco reais que não vou usar.</p>
<p>Será que aquele cara que vende suco é seboso? Melhor não arriscar&#8230;</p>
<p>Ok, a praia ficou chata agora, vou pra casa andando&#8230; Pessoas passam por mim fazendo cooper. E se eu empurrasse alguém pro meio da rua? Será que iriam notar? Será que as mulheres se sentem melhores quando eu olho pra elas quando estão correndo de lycra? Será que toda mulher realmente quer ser desejada, ou isso é mentira? Homens de lycra querem ser desejados também? Se eu pisar nas rachaduras da calçada, o mundo vai acabar? Eu sei que não, mas minha cabeça acha que sim. Peraí, eu posso me divertir com isso. Piso nas linhas só pra fazer minha mente de otária. Mas&#8230; minha mente sou eu. Como sou mané! Oo</p>
<p>Acho que numa luta, eu perderia se tivesse de combater um &#8220;Dragão de Komodo&#8221;. Por isso eu piso em lagartixas. Mentira, eu não piso em lagartixas, mas como seria se eu esmagasse uma? Coitadinha&#8230; Será que vou ter saco de fazer a barba hoje?</p>
<p>Aquela mulher sorriu pra mim, será que eu devia fingir que tô fazendo cooper de sandália e perseguir ela até ganhar um beijo e ser preso? Quantos metros faltam pra eu chegar em casa?</p>
<p>É difícil passar por paradas de ônibus cheias sem tocar em ninguém, melhor descer a calçada e correr o risco de ser atropelado.</p>
<p>Se eu tivesse uma metralhadora aqui e começasse a atirar pra todos os lados? Eu preciso parar de ter vontade de fazer merda. Se eu pulasse de barriga no meio do mato jogando uma granada pra trás sem ver aonde acerto, eu ia matar muita gente? O que será que aquele cara alí fez hoje? Será que ele matou alguém? Acho que vou passar no supermercado e comprar umas cervejas, deu vontade de escrever alguma coisa hoje&#8230;</p>
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		<title>Eterno Retorno</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/eterno-retorno/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 23:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Toda vez que Friedrich Nietzsche falava sobre o eterno retorno, o que ele queria dizer, basicamente, era que na existência há um número limitado de fatos, e que geração após geração, a vida está sujeita a experimentar as mesmas coisas num ciclo o qual o caos não pode ter total controle. Mas eu me refiro a algo um tanto diferente.

Quando eu tinha seis anos de idade, algo estranho começou a acontecer comigo (e eu ainda estava longe da puberdade). Se eu saia em direção a algum lugar, ao retornar para minha casa, sentia uma incontrolável necessidade de percorrer o mesmo caminho. Mas era o mesmo caminho MESMO. Tentava inclusive, encontrar minhas pegadas para pisar no mesmo lugar. E em algum momento de minha infância, me tornei um especialista em pegadas. Na tentativa de reconhecer as minhas, eu tinha a necessidade de analisar cada uma. Com o tempo, comecei a sentir que poderia seguir o rastro de qualquer um numa floresta densa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/eterno-retorno/" data-text="Eterno Retorno" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Quando eu tinha seis anos de idade, algo estranho começou a acontecer comigo (e eu ainda estava longe da puberdade). Se eu saia em direção a algum lugar, ao retornar para minha casa, sentia uma incontrolável necessidade de percorrer o mesmo caminho. Mas era o mesmo caminho MESMO. Tentava inclusive, encontrar minhas pegadas para pisar no mesmo lugar. E em algum momento de minha infância, me tornei um especialista em pegadas. Na tentativa de reconhecer as minhas, eu tinha a necessidade de analisar cada uma. Com o tempo, comecei a sentir que poderia seguir o rastro de qualquer um numa floresta densa.<span id="more-304"></span></p>
<p>Isso me perturbava, pois na época eu não entendia o que ocorria comigo (obvio). Mas enquanto ia comprar pão, me preocupando em deixar boas pegadas para poder identifica-las sem problemas na volta, e poder pisar exatamente no mesmo lugar onde havia pisado na ida, eu tentava imaginar o porque que aquilo estava acontecendo comigo. Imaginei que poderia ser uma experiência de um cientista maluco, e que aquela cidade inteira havia sido criada apenas para me testar. Que Matrix que nada, com sete anos de idade eu já estava completamente convencido de que minha realidade era simulada, e que todo o planeta havia sido construído apenas para que eu pudesse ser testado para alguma coisa. Nada era real. Eu me sentia como objeto de um evento que iria definir o futuro de toda uma existência.</p>
<p>Então, com apenas sete anos, o peso do mundo estava em minhas costas. Mas se tudo era apenas uma simulação, por que eu precisava, afinal, cumprir essas ordens? Se a civilização em que me encontrava era virtual, por que eu sentia tanto medo de, ao me desprender daquela &#8220;missão&#8221;, destruir tudo o que havia, já que não havia nada?</p>
<p>O fato é que, em apenas dois anos, passei de uma criança que não conseguia levantar da cama, devido a febre reumática, ao responsável por uma galáxia &#8220;virtual&#8221;, onde todos haviam sido implantados em meu cérebro para simular um mundo que não existia, em prol de um propósito que eu desconhecia. Me sentia um robô obedecendo comandos, mas eu também era um soldado rebelde, pois sempre questionava a voz que sussurrava ordens entre minhas idéias.</p>
<p>Um dia saí de casa e resolvi não fazer o mesmo caminho de volta. Daí entrei em pânico no meio do caminho. Tentei voltar para minha &#8220;trilha&#8221;, mas senti que tudo já estava perdido. Eu suava e caminhava rapidamente. Meus dentes rangiam e minhas esperanças desabaram quando em um determinado momento senti que já era tarde, e que tudo estava perdido. E se aquele mundo fosse real? E se eu tivesse acabado de matar bilhões de pessoas? Parecia que a qualquer momento o planeta iria começar a desmoronar.</p>
<p>Quando cheguei em casa, larguei os pães em cima da mesa, corri para meu quarto e esperei o momento em que o planeta se transformaria em poeira espacial. Passei todo o restante da tarde e noite ali, me odiando e prometendo que se tivesse uma segunda chance de salvar a humanidade, não iria desperdiça-la. Quando percebi que nada ia acontecer, agradeci a voz que falava em minha cabeça, e pelos próximos anos, nunca fiz um caminho diferente que pudesse colocar o planeta em perigo, sendo ele virtual ou não.</p>
<p>Essa foi minha primeira obsessão, e o início de uma luta diária para evitar que todo o planeta fosse destruído, ou apenas que alguns milhões de pessoas perecessem. Desde aquele dia, tudo o que pudesse acontecer seria culpa minha, e só minha.</p>
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		<title>Ônibus, pessoas e cutucões&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 23:53:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[TOC]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto quando a parada de ônibus tem um número par de pessoas. Gosto principalmente quando não são muitas, porque não gosto de pessoas, mas gosto de observa-las quando estão em pequeno número. É um bom passatempo enquanto aguardo, mas aí é onde começam meus problemas&#8230; Gosto de ver os primatas, e não sei ser sutil. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/onibus-pessoas-e-cutucoes/" data-text="Ônibus, pessoas e cutucões&#8230;" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Gosto quando a parada de ônibus tem um número par de pessoas. Gosto principalmente quando não são muitas, porque não gosto de pessoas, mas gosto de observa-las quando estão em pequeno número. É um bom passatempo enquanto aguardo, mas aí é onde começam meus problemas&#8230;<span id="more-276"></span></p>
<p>Gosto de ver os primatas, e não sei ser sutil. Olho pra direita, esquerda, direita, direita, direita, direita. Não, não estou sendo redundante, essa é a quantidade de vezes que olho para a pessoa do lado (as vezes da esquerda). Ou ela me nota por eu estar olhando-a fixamente, ou me nota pela quantidade de vezes que viro a cabeça em sua direção. Doentio? Nem me fale. Mas é isso ou deixar que o ônibus atropele a todos que estão alí. Eu não gostaria de viver com isso&#8230;</p>
<p>Chega o bendito. Respiro fundo e vou enfrentar uma quantidade ímpar de degraus (isso devia ser proibido). Só é pior quando é daquelas roletas que só tem três &#8220;braços&#8221; (só pode ser marcação comigo). Fico ainda imaginando a quantidade de seres que esfregaram seus corpos imundos naquela &#8220;bagaça&#8221;. Respiro fundo, pego naquele dinheiro podre que está em meu bolso e tomo cuidado para o cobrador não tocar os dedos dele nos meus, ou eu teria que toca-lo de volta uma quantidade par de vezes. TREK! Passei.</p>
<p>Admiro bastante ônibus livres de pessoas, com opções de assento, um bem limpo de preferência. Já devidamente colocado em meu local de temperatura normal, às vezes encosto minha cabeça e braços na cadeira da frente para descansar melhor. O problema é quando vem alguém, senta e toca em mim. Daí preciso tocar a pessoa na mesma parte em que ela me tocou, uma quantidade par de vezes (sim, sempre números pares, ímpares são maléficos). Toco duas vezes, a pessoa finge que não sentiu nada, toco de novo, ela olha pra trás, me faço de besta e &#8220;tico&#8221; nela uma quarta vez. Pronto, o mundo está a salvo novamente.</p>
<p>As vezes, pra evitar esse tipo de problema eu encosto a minha cabeça na janela lateral, mas se o ônibus passa num buraco e dou com o crânio contra o vidro, o que você acha que tenho que fazer uma quantidade par de vezes também? Ultimamente tenho tentando bastante me manter ereto no assento.</p>
<p>A segunda situação é quando vou em pé. Se estou nessa condição, é porque o ônibus está consideravelmente cheio, isso significa que existe uma maior probabilidade de eu tocar em alguém, ou vice-versa. O que gera uma necessidade maior de cautela, e um nível ainda superior de vergonha, pois a pessoa pode pensar que estou &#8220;roçando nela&#8221; e não que tenho um distúrbio psicológico comprovado. Por isso tento ir pra porta de saída e me colo nela. Sei que atrapalha mais as pessoas que querem descer, mas é isso ou sair cutucando todo mundo um número par de vezes dentro do transporte, talvez ser expulso pelo cobrador a gritos, ou mesmo ser preso pela polícia por atentado ao pudor. Minhas opções me fazem grudar a porta de saída e me espremer ainda mais contra ela quando as pessoas estão descendo.</p>
<p>As vezes penso como seria se desse pra usar uma câmera que deixasse as pessoas invisíveis e eu pudesse ser filmado em um ônibus lotado, tentando me comportar dentro daquele espaço sem ser preso.</p>
<p>Mas um dia compro um carro. Gosto deles porque tem quatro rodas e quatro assentos. Só fica faltando eu colocar uma direção extra, um cano de escape a mais e arrancar o retrovisor central. Só eu poderei sentar em meu banco, pois nada pior do que quando você não tem opções de assento em um ônibus e fica esperando alguém se levantar. Antigamente eu simplesmente não sentava em um lugar onde visse que outra pessoa havia estado. Eu imaginava que se pegasse aquele lugar iria absorver tudo de ruim que aquele ser tinha. Esse pensamento ainda me incomoda, mas junto forças e sento mesmo assim. Sinto o quentinho do corpo da outra pessoa e aquela voz nada amigável em minha cabeça fica gritando: &#8220;É agora, você terá cancer, o ônibus irá bater e o mundo vai explodir! Eu te avisei pra não sentar aí, avisei! Bhuahahahaha&#8230;!!&#8221; Vou com esse pensamento até meu destino, levanto e saio tocando nas pessoas que ficaram de pé. Me espremendo entre um corpo e outro, colocando a perna pra trás para dar um chute bem onde toquei naquela pessoa quando a transpassei. Todos me olham, todos me odeiam. Cutuveladas duplas para todos os lados. Consigo chegar ao outro lado do &#8220;funil&#8221;, desço as escadas, dou um chute no pneu e continuo meu dia.</p>
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