vontade

Arquitetos do desejo, ou a teoria da vontade

Por natureza, o ser humano não gosta de fazer uso daquilo que não fomos nós mesmos que construímos ou idealizamos. Quando digo “nós”, me refiro a uma individualidade do ser, que vem do todo poderoso ego. Nada é tão bom se não foi feito por nós mesmos, e nossos desejos individuais não valem a pena serem saciados se não o forem exatamente da forma como queremos. Foi-se o tempo em que nossa raça acreditava ser a imagem e semelhança de algo supremo. Hoje isto não basta, queremos ser, nós mesmos, a própia supremacia. Construímos vontades que nunca existiram antes, vontades que geram desejos tão poderosos quanto a sede. Somos os arquitetos do desnecessário.

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horizonte

A Ilusão do Horizonte

Ainda que eu pudesse, mesmo assim não deveria.
Porque acreditar que algo pode ser dito, é tão ingênuo quanto nossa vontade.
Ainda que eu devesse, eu não deveria me arriscar.
Porque arriscar-se é tão ineficaz quanto tentar ser.

Então eu não sou, e não devo.
Porque tudo aquilo que eu pudesse, depende do que você acredita que eu deveria.
Ser, é apenas uma grande perda de tempo,
Talvez até maior que acreditar

Tendo isto, talvez a única coisa que eu possa, seja a ausência,
Porque ausência é aquilo que se pode ter verdadeiramente.
Então a verdade é que devo não estar, para talvez ter algum ser que realmente se possa tocar.
Como se pudéssemos tocar aquilo que só a gente tem.

Penso nas coisas que eu deveria fazer,
Como se o dever fosse algo meu.
Na verdade, o dever é sempre terceirizado.
Afinal, a vontade é outra coisa que não se pode tocar.

Só o que me resta é desejar que o horizonte me fosse mais distante.
Como se ele pudesse,
Como se isso importasse
O horizonte é só mais uma coisa que apenas podemos ver.

Fernando Aureliano