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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; obsessão</title>
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		<title>Transtorno Bipolar</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 01:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/transtorno-bipolar/" data-text="Transtorno Bipolar" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Pouco tempo atrás, eu estava em um momento de descontração, quando alguém disse algo que me deixou com tanta raiva que me levantei, fui para outro cômodo e quebrei o copo na parede. Nesse exato instante percebi que eu poderia ter Transtorno Bipolar, ou “TAB”. Não, não é a tecla do seu teclado, a sigla significa “Transtornos Afetivo Bipolar”. Quando consegui me acalmar, comecei a tentar lembrar de todas as situações em minha vida que tive uma reação parecida, ou alguma atitude que poderia indicar outro sintoma da doença. E após passar horas estudando sobre o assunto (e olha que ainda não parei), consegui constatar que tenho absolutamente todos os sintomas da doença.</p>
<p>É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”. E posso garantir a todos vocês que é algo bem difícil de aceitar, mas de acordo com:</p>
<p>Joel Yager – Professor do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Colorado; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Novo México; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria e Ciencias do Comportamento da escola de Medicina Dagid Geffen, na UCLA.</p>
<p>Que fizeram diversas pesquisas com pacientes com “TOCi”, isso é bastante real. E infelizmente, acabei entrando nessa brincadeira.</p>
<h2>Fatos</h2>
<p>Os pesquisadores citados acima conduziram um estudo pioneiro naturalístico e seccional cruzado, para comparar as correlações atuais e de toda a vida do aparecimento do “TOCi” em 64 pacientes juvenis com TOC (incluindo 44 adolescentes) e em 193 adultos com o transtorno surgido na juventude (idade média: 38 anos).<br />
Apenas 20,3% dos juvenis e 10,4% dos adultos relataram “TOC puro”, sem complicações por outros diagnósticos do eixo I ou II do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico).</p>
<p>Os adultos apresentaram transtornos do humor (inclusive bipolar) em 71,5%, versus 42,2% dos adolescentes e crianças. O TOC de inicio adulto também foi associado a maior uso de substâncias químicas (27,5% versus 0%), pânico 21,2% versus 3,2% ou transtorno alimentar (13,5% versus 1,6%) no &#8220;TOCi&#8221;.</p>
<p>Os adolescentes e adultos relataram mais frequentemente obsessões agressivas ou rituais mentais.</p>
<p>Nenhuma diferença foi encontrada quanto aos fenômenos de amontoamento ou de “incompletude” (ou seja, ter de completar determinadas tarefas).</p>
<h2>Aceitação</h2>
<p>Essa parte foi bastante complicada, e pra ser sincero, a ficha ainda não caiu completamente, mas minha parte racional não me permite pensar de outra forma, uma vez que tudo faz sentido no momento em que aceito esse diagnóstico.</p>
<p>Desde o momento em que quebrei o copo não consigo parar de pensar em outra coisa, e de buscar mais dados para fazer um “double check” e ter a absoluta certeza de que realmente é isso. Aceitar é mais difícil do que perceber (um &#8220;viva&#8221; a nosso lado mamífero).</p>
<p>Uma coisa é certa, estou me sentindo bizarro e me achando mais estranho ainda cada vez que olho no espelho. Reavaliando meu comportamento a cada segundo, em tempo real. Começo a ter raiva de mim mesmo. Eu queria quebrar o espelho&#8230;</p>
<h2>Sintomas</h2>
<p>Os sinais e sintomas da mania (ou de um episódio maníaco) incluem:</p>
<p>- Energia e atividade aumentadas, inquietação<br />
- Humor excessivamente “elevado”, bom demais, eufórico<br />
- Irritabilidade extrema<br />
- Pensamento acelerado e falar muito e rapidamente, pulando de uma idéia para outra<br />
- Distraibilidade, não consegue se concentrar direito<br />
- Pouca necessidade de sono<br />
- Crença super-valorizadas das próprias capacidades e poderes<br />
- Juízo crítico deficiente<br />
- Gastos excessivos<br />
- Um período longo de comportamento que difere do habitual<br />
- Aumento do impulso sexual<br />
- Abuso de drogas, especialmente cocaína, álcool e medicações para dormir<br />
- Comportamento provocador, invasivo ou agressivo<br />
- Negação de que há alguma coisa errada Humor triste, ansioso ou vazio duradouro<br />
- Sentimentos de desespero ou pessimismo<br />
- Sentimentos de culpa, menos valia ou impotência<br />
- Perda do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas, incluindo sexo<br />
- Diminuição da energia, uma sensação de fadiga ou de estar “devagar”<br />
- Inquietação ou irritabilidade<br />
- Dorme demais, ou não consegue dormir<br />
- Alteração no apetite e/ou perda ou ganho de peso não intencional<br />
- Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas<br />
- Idéias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio.</p>
<h2>No demais</h2>
<p>Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o Transtorno Bipolar não siginifca, necessariamente, a mudança rápida de humor ou pensamento. De fato, um estado de humor pode durar meses e meses. Esse é um dos motivos pelo qual o diagnóstico é tão complicado.</p>
<p>Pessoas que tem problemas psicológicos, seja qual for o gênero, precisam ser imparciais quanto ao julgamento de seu próprio comportamento, ou ao menos tentar, para poder perceber uma série de problemas que podem surgir devido a existência de fatores como o TOC.</p>
<h2>Percepção</h2>
<p>Acho o mundo realmente muito débil, mas de quando em vez me pergunto se isto se deve pela forma como eu o vejo, ou pela forma como ele é. É difícil saber quem pode ser mais bizarro, a imaginação ou a realidade.</p>
<p>Esse degrau do autoconhemimento torna as coisas ainda mais complicadas pra mim, ainda mais porque explica muitas coisas de meu comportamento que eu não compreendia direito, e então, simplesmente deixava passar.</p>
<p>O certo seria eu virar evangélico, mas sou inteligente demais pra isso, então preciso dar um jeito de lidar com os fatos e suas conseqüências. Não está sendo nada divertido, pois agora me vejo de uma forma nova, com mais variáveis.</p>
<p>Eu queria ser o processador cansado de uma espaçonave antiga que encontra um asteróide, mas minha parte animal me faz agir de outra forma, e em vez de pensar em um fim, só consigo imaginar um “conserto”, um jeito de “hackear” minha mente e meu comportamento.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Agora preciso encontrar uma forma de lidar com isto. Espero que seja divertido essa empreitada do “tentar não ficar maluco” (de novo).</p>
<p>Existe muito material didático na web sobre o assunto. Desde matérias a artigos científicos. Recomendo a todos que tem TOC a darem uma boa olhada no espelho, uma vez que isso atinge boa parte das pessoas que tem esse problema.</p>
<p>Podem contar com mais artigos e crônicas sobre o tema, uma vez que estou agora tentando entender esse novo problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/oc7XozMbR9A?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/oc7XozMbR9A?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Trabalhando pra caralho!</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Jan 2011 02:11:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As vezes eu acho que todos os posts do blog deveriam ter um número par de letras, mas isso não importa tanto assim... O que eu queria mesmo era que todos os meus clientes me pagassem caro para não fazer nada, ao invés de me darem tanto trabalho, mas isso é um sonho, não uma obsessão...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/trabalhando-pra-caralho/" data-text="Trabalhando pra caralho!" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Mas não temam! Estou preparando um layout novo pro blog, e estou com alguns planos que me ajudarão a deixa-lo mais ativo. Não, eu não vou mudar o tipo de conteúdo, o blog continuará exatamente como ele é, apenas estou tendo algumas ideias, planos etc etc etc para tornar mais ágil a atualização aqui.</p>
<p>No mais, continuo abrindo e fechando a carteira inúmeras vezes toda sempre que vou pagar uma conta, e ainda tenho que aguentar as pessoas me olhando com cara de &#8220;Bixo doido do caralho&#8221; toda vez que vou na farmácia da esquina e não posso pisar nas linhas do azulejo de lá (não me perguntem o porquê).</p>
<p>Ultimamente tenho tido uma séria obsessão por meteoros. Fico olhando por alguma janela e imaginando um deles rasgando os ceus (e atmosfera) enquanto desce para destruir a terra completamente (uma coisa que eu acharia muito massa se acontecesse).</p>
<p>As vezes eu também acho que todos os posts do blog deveriam ter um número par de letras, mas isso não importa tanto assim&#8230; O que eu queria mesmo era que todos os meus clientes me pagassem caro para não fazer nada, ao invés de me darem tanto trabalho, mas isso é um sonho, não uma obsessão&#8230;</p>
<p>Eu consigo perceber quando vai chover pelo cheiro do ar, e posso notar quando alguém não tomou banho pelo odor do sovaco, mas isso não é nenhum superpoder&#8230;</p>
<p>Meus sonhos são tão massas que em breve começarei a conta-los aqui também, então aguardem uma nova categoria&#8230;</p>
<p>Outra coisa legal é que eu acho que vocês poderiam deixar nos comentários dúvidas ou sugestões de temas que vocês tem curiosidade de ler, algum relato sobre algo específico (ou não) etc etc etc&#8230;</p>
<p>O poder é de vocês!</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mb8WQR7G9Xs" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/mb8WQR7G9Xs"></embed></object></p>
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		<title>A ciência salvou minha alma</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Nov 2010 01:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou de ficar postando vídeos, mas este é a síntese de diversas coisas que senti durante todas as minhas descobertas, e minha admiração sobre o universo e o conhecimento. Conhecimento este que acredito ser mais eficiente que vários remédios, pois para mim, o conhecer é capaz de nos curar de várias formas. E foi  a consciência e o entendimento sobre  a ciência e história que me fizeram amar tudo aquilo que amo hoje, e superar todos os contratempos dessa vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/a-ciencia-salvou-minha-alma/" data-text="A ciência salvou minha alma" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Não sou de ficar postando vídeos, mas este é a síntese de diversas coisas que senti durante todas as minhas descobertas, e minha admiração sobre o universo e o conhecimento. Conhecimento este que acredito ser mais eficiente que vários remédios, pois para mim, o conhecer é capaz de nos curar de várias formas. E foi  a consciência e o entendimento sobre  a ciência e história que me fizeram amar tudo aquilo que amo hoje, e superar todos os contratempos dessa vida.<span id="more-438"></span></p>
<p>Só posso lamentar por aqueles que não gostam de exercitar sua curiosidade, e que não tem sede por conhecer e entender sobre como e porquê estamos aqui, fazemos tudo o que fazemos e como o universo se comporta.</p>
<p>O que realmente me fez “superar” o TOC (e digo superar entre aspas, pois ele não vai embora, na verdade, apenas podemos lidar com ele), foi tudo o que aprendi sobre a vida, o universo e tudo o mais. Gostaria que todos pudessem compartilhar desse sentimento, uma vez que o conhecimento é o remédio mais eficiente quando tentamos superar problemas como os de quem sofre com o TOC, assim como “superar” a própria vida. O “entender” para mim, sempre foi a maior ferramenta/arma contra tudo aquilo que precisei vencer.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="500" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KIiH9GJ10TE?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="500" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/KIiH9GJ10TE?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Possessão: Esquizofrenia, obsessão e ignorância</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 16:38:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Anneliese Michel, uma garota alemã conhecida de poucos por ter sido "possuída", mas cuja história deu origem a um filme lançado em 2005, supostamente baseado em fatos reais e com o título de "O Exorcismo de Emily Rose" (conhecido por muitos). Como tudo na vida, uma coisa leva a outra, mas sempre por um caminho que passa por longe da razão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/possessao-esquizofrenia-obsessao-e-ignorancia/" data-text="Possessão: Esquizofrenia, obsessão e ignorância" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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			</script>
                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p style="text-align: justify;">Anneliese Michel, uma garota alemã conhecida de poucos por ter sido &#8220;possuída&#8221;, mas cuja história deu origem a um filme lançado em 2005, supostamente baseado em fatos reais e com o título de &#8220;O Exorcismo de Emily Rose&#8221; (conhecido por muitos). Como tudo na vida, uma coisa leva a outra, mas sempre por um caminho que passa por longe da razão.<span id="more-248"></span></p>
<p style="text-align: justify;">E o que é essa tal de razão afinal? Muitos dizem que na verdade ela nunca existiu, outros falam que ela é apenas tímida. Mas de uma coisa temos certeza: é difícil encontra-la por aí, dando bobeira. É certo que ela tem seus motivos. Quem não sentiria vergonha de aparecer ao lado de seres como nós? Mitologicamente inteligentes e desconcertantemente ignorantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/anneliese_michel.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-253" title="anneliese_michel" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/anneliese_michel-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Mas antes que eu comece a comprometer essa minha amiga em particular, vamos voltar a Anneliese, que mesmo hoje em dia consegue impressionar muita gente com suas fotos de olho inchado e seus audios com a voz grossa.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando essa moça já estava muito mal, ela &#8220;viu&#8221; a virgem Maria em um sonho. Neste, ela lhe ofereceu a oportunidade de se livrar dessa &#8220;maldição&#8221; ou continuar com ela até morrer e servir de exemplo para as pessoas que não levam a religião mais a sério hoje em dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de pouco conveninete para ela como pessoa física, e deveras interessante para a Igreja como instituição, a própria escolheu a segunda opção. Mas todo esse conto esconde fatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a maioria das pessoas, é muito fácil aceitar de primeira esse papinho de deus, diabo e tudo o mais. Mas para aqueles que tem um pouquinho mais de curiosidade, podemos nos aprofundar mais nessa &#8220;estoria&#8221; e tentar absorver mais informações do que a igreja gostaria que soubéssemos (viva a internet!).</p>
<p style="text-align: justify;">Pra começar, os padres que fizeram o exorcismo da Anneliese foram condenados a seis meses de prisão efetiva, e 3 anos de pena suspensa (ops!).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/emily_rose_final.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-254" title="emily_rose_final" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/emily_rose_final-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Antes do início do processo, os pais de Anneliese solicitaram às autoridades locais uma permissão para exumar os restos mortais de sua filha. E adivinha o porque? Eles fizeram esta solicitação em virtude de terem recebido uma mensagem de uma freira carmelita do distrito de Allgaeu, no sudoeste da Baviera. A freira relatou aos pais da jovem que teria tido uma visão na qual o corpo de Anneliese ainda estaria intacto ou incorrupto, e que esta seria a prova definitiva do caráter sobrenatural dos fatos ocorridos. O motivo oficial que foi dado às autoridades foi o de que Anneliese tinha sido sepultada às pressas em um sarcófago precário.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas como todos os religiosos, a irmã estava errada. Os relatórios oficiais, divulgaram que o corpo já estava em avançado estado de decomposição. As fotos que foram tiradas durante a exumação jamais foram divulgadas. Os pais e os padres exorcistas foram desencorajados a ver os restos mortais de Anneliese. O padre Arnold Renz mais tarde afirmou que teria sido, inclusive, advertido a não entrar no mortuário.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/anneliese-michel.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-255" title="anneliese-michel" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/anneliese-michel-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Anneliese Michel era de uma família extremamente católica, três das suas tias eram freiras e seu pai tinha considerado a ingressão num seminário. Mas a mãe de Annelise tinha cometido um &#8220;deslize&#8221; na juventude e dado à luz uma filha ilegítma, Martha, em 1948. Por essa razão casou-se com o devoto Josef Michel usando um véu negro e, praticamente desde que nasceu, em 1952, Anneliese carregou a culpa da ilegitimidade da irmã. Ilegitimidade que foi encorajada a compensar com constante devoção e orações. A irmã morreu com oito anos e certamente que o ambiente familiar de fanatismo religioso propiciou um sentimento de culpa crescente na jovem Anneliese, e uma necessidade de expiação dos pecados não só da mãe, mas igualmente da &#8220;imoralidade&#8221; que via à sua volta, nos anos sessenta.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela também era epiléptica. E você sabe o fatores que catacterizam a epilepsia meu caro leitor? Epilepsia é uma alteração na atividade elétrica do cérebro, temporária e reversível, que produz manifestações motoras, sensitivas, sensoriais, psíquicas ou neurovegetativas (disritmia cerebral paroxística). Os seus sintomas, para além da já diagnosticada epilepsia, sugerem que ela sofria de esquizofrenia, ambas doenças perfeitamente tratáveis na época (ignorância wins!).</p>
<p style="text-align: justify;">O que de fato potencializou todos esses sintomas que foram diagnosticados na época por especialistas, foram as obsessões religiosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1968, com 17 anos, Anneliese teve os primeiros episódios de convulsões e foi diagnosticada com epilepsia. Mas o sentimento de culpa pelos &#8220;pecados&#8221; alheios aliado ao ambiente familiar (doentiamente) católico propiciaram que Anneliese experienciasse alucinações demoníacas quando rezava. Em 1973, data em que foi estreado o filme &#8220;O exorcista&#8221;, sofria de depressão severa e considerava suicídio, uma vez que &#8220;vozes&#8221; na sua cabeça lhe anunciaram que estava amaldiçoada.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu queria saber porque nunca vi nenhum ateu sendo &#8220;possuído&#8221;. =o</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/dodatek2a21f7bs.jpg"><img class="size-medium wp-image-256 alignright" title="dodatek2a21f7bs" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2010/03/dodatek2a21f7bs-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" /></a>Certamente que a estreia do filme a sugestionou. Pouco depois ela começou a apresentar comportamentos bizarros, muito semelhantes aos de Linda Blair, a Regan no &#8220;Exorcista&#8221;. Em 1975 Anneliese estava tão convencida da sua possessão por demónios sortidos, possessão confirmada pelos dois prelados católicos, Arnold Renz e Ernst Alt, que identificaram, entre outros, Lúcifer, Judas, Nero, Caim e Adolf Hitler, que recusou qualquer prescrição médica ou tratamento da Clínica Psiquiátrica de Wurzburg.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu diria mais, que além de esquizofrenia, ela poderia até mesmo ter dupla personalidade, uma seria a Anneliese, e a outra o &#8220;demônio&#8221;. Sem contar a lavagem cerebral que essa garota sofreu pela religião, que com certeza foi o que a fez considerar um tratamento médico do século dezesseis, que eram os exorcismos realizados de acordo com o manual de exorcismo então em vigor, o Rituale Romanum de 1614. E todos os fatos relatados aqui se passam depois da renascença!</p>
<p style="text-align: justify;">Posteriormente a toda essa confusão de padres sendo presos e tudo o mais, uma comissão da Conferência dos Bispos Alemães declarou que Anneliese Michel não tinha estado possessa, o que foi considerado por muitos como um ato de autopreservação da Igreja Católica.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que estamos longe de uma era da razão, e tudo o que impede nosso avanço é essa maldita religião, que sempre esteve aqui única e exclusivamente para limitar nossa liberdade intelectual a fim de ter o controle das pessoas. Mas infelizmente, pior são as próprias pessoas que permitem isto. Não vivemos mais na era da inquisição.</p>
<p style="text-align: justify;">E antes que alguém me discrimine por ser ateu, digo que todos já fomos ateus um dia, ninguém nasce com fé em deus, isso é lavagem cerebral. Se eu pegasse uma revista do super-homem e lhe dissesse desde criança que aquilo era a verdade, o caminho e a vida, seria nisso que você iria acreditar hoje em dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também não digo que você não precisa ter fé no que você acredita, até porque a religião não é dona da fé, ela apenas se apossou dela, como de tantas outras coisas em nossa história.</p>
<p style="text-align: justify;">Anneliese Michel estava doente e não foi ao medico, foi a Igreja. Veja o que aconteceu com ela. E você, quando fica doente, vai aonde?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas afinal, quem sou eu pra dizer alguma coisa? A religião sempre esteve certa sobre tudo. Nunca disse uma inverdade em toda sua existência, é incrível como eles estão sempre certos. Não é possível que essa história de um tal de deus não seja verdadeira. Afinal, O Sol gira em torno da terra; o mundo é quadrado; Jesus é um herege; Jesus é um santo; Essa bíblia ta estranha, vamos editar e fazer um novo testamento; Não use camisinha; O mundo tem 12 mil anos, etc, etc, etc&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 400px; height: 300px;" width="400" height="300" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/qr-IdHU3A5M" /><embed style="width: 400px; height: 300px;" width="400" height="300" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/qr-IdHU3A5M" /></object></p>
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		<title>Antes e depois de um certo dia</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 16:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em algum dia da semana, em uma determinada época de minha infância, eu comecei a ficar inclinado a ter algumas atitudes que, para mim, e para quem estivesse de fora visse, pareciam bem estranhas. De repente, senti que minhas unhas não poderiam ter nenhuma falha. Eu tinha cerca de 8 anos de idade, não tinha a menor vaidade sobre nada. Tanto que o importante não era ter as unhas bonitas, apenas que elas não deveriam ter sulcos ou pontas que prendessem no cobertor, por exemplo. Isso é até um tanto quanto natural, até eu começar a ficar completamente obcecado por isto. Não podia perder tempo procurando um cortador de unhas, sejam as dos pés ou das mãos, se não estivessem como deveriam, aquilo precisava ser resolvido imediatamente. Comecei a arranca-las a mordidas. Mordia minhas unhas até elas sangrarem, e mesmo assim, se ainda não estivessem “perfeitas”, eu continuava, com o gosto do sangue em minha boca. Mal sabia eu que este era o início de um problema com o qual eu teria que conviver durante toda a minha vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/antes-e-depois-de-um-certo-dia/" data-text="Antes e depois de um certo dia" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p style="text-align: justify;">Em algum dia da semana, em uma determinada época de minha infância, eu comecei a ficar inclinado a ter algumas atitudes que, para mim, e para quem estivesse de fora visse, pareciam bem estranhas. De repente, senti que minhas unhas não poderiam ter nenhuma falha. Eu tinha cerca de 8 anos de idade, não tinha a menor vaidade sobre nada. Tanto que o importante não era ter as unhas bonitas, apenas que elas não deveriam ter sulcos ou pontas que prendessem no cobertor, por exemplo. Isso é até um tanto quanto natural, até eu começar a ficar completamente obcecado por isto. Não podia perder tempo procurando um cortador de unhas, sejam as dos pés ou das mãos, se não estivessem como deveriam, aquilo precisava ser resolvido imediatamente. Comecei a arranca-las a mordidas. Mordia minhas unhas até elas sangrarem, e mesmo assim, se ainda não estivessem “perfeitas”, eu continuava, com o gosto do sangue em minha boca. Mal sabia eu que este era o início de um problema com o qual eu teria que conviver durante toda a minha vida.<span id="more-224"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O desejo compulsivo de manter o fio de minhas unhas sempre lisinho nunca desapareu. Após o início dessa necessidade compulsiva, vieram as obsessões, que ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é como se fosse um sonho acordado, ou apenas um desejo. Para mim, está mais para um delírio consciente ou uma realidade virtual. A maioria das vezes eu sei que estou em uma determinada realidade, mas mergulho num evento gerado por uma espécie de “inconsciente ativo”, que tenta me controlar. Daí vem as obsessões: Percebo uma ideia ou um pensamento que me ocorre, e é como se mergulhasse nisto, mas não como um salto olímpico, é mais como uma queda desajeitada dentro de um lugar que não escolhi estar, e de onde é difícil sair. Essas ideias e pseudo-realidade começam a cercar minha consciência e começo a me sentir claustrofóbico por esses pensamentos que me apertam cada vez mais. É como se estivesse, a cada momento, mergulhando mais fundo dentro deste abismo. Como se não bastasse estar nessa situação, as próprias ideias que me cercam são ainda mais pavorosas que a própria situação em sí. E num dado momento, um desses “monstros” parece querer fazer um pacto comigo. Percebo que é como se, o tempo todo, essa fosse a intenção de meu subconsciente. É como fazer um pacto com o diabo, mas o que ganho não é algo que não tinha, apenas retomo a liberdade da minha mente. Ela pede que eu faça algo ridículo em números pares, ou que toque no mesmo lugar de meu corpo em um determinado local o qual havia tocado antes. Quando percebo isto, parece ser um pequeno preço a se pagar para libertar a minha consciência daquela situação. Eu faço, e é como se ficássemos quites. Daí, posso partir em paz, pelo menos por enquanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um tempo até eu perceber que estava sendo chantageado o tempo todo pela minha própria razão. O primeiro pensamento que me ocorre é que eu estou ficando completamente louco. Penso que se pedir ajuda irão me internar na hora, irão apontar o dedo para mim e me chamar de louco, afinal, lembrem-se, eu não havia chegado nem aos dez anos ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A missão agora é encontrar uma forma de não enlouquecer de vez, tentar controlar essas situações de algum modo. Mas cada vez que meu subconsciente aparece para me chantagear por algo que parece tão pouco, ele é sempre mais poderoso do que eu me lembrava, daí começo a me viciar, porque afinal, ele não parece pedir muito. Mas o preço começa a ficar cada vez mais alto, as pessoas começam a notar, e a cada vez preciso me esforçar mais para pagar o valor dessa chantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo é gradual, de forma que vou me acostumando com esses rituais obrigatórios para me livrar daquela “cela”. Mas existe outro fator: o trauma. A “realidade virtual” e os pensamentos a que sou impelido pela minha mente são poderosos e cada vez mais violentos. Num dado momento, é como se eu não caísse mais naquele abismo, mas como se todo o meu mundo estivesse dentro dele. Não posso mais fugir daquelas ideias, agora os rituais servem apenas para fazer com que elas se afastem por algum tempo, e esse intervalo também fica cada vez menor. Num instante de poucos meses já sou uma marionete das minhas obsessões, e o pior de tudo, é que eu não faço a menor ideia de que tudo isto é uma doença. Estou em silêncio, sozinho e apavorado por tudo aquilo que presencio todos os dias o tempo todo dentro de minha cabeça. E eu já percebi que não há saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, as coisas não ficam melhores, mas você se acostuma. Acaba se tornando íntimo de seus próprios rituais e seu corpo começa a reagir automaticamente as situações, pelo menos na maioria das vezes, quando é um ritual simples. Eu cheguei em um ponto em que não discutia mais com a razão de minhas compulsões. Eu aceitava as obsessões sem distinção, e apenas às realizava logo, para me livrar daquilo e continuar com minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Apenas mais um momento de ‘loucura’ e continuo com minha vida”, pensava eu. Eu já havia aceitado estar preso no abismo de minhas obsessões e compulsões: “Essa manhã, só terei tempo de salvar 3.000 vidas, a tarde eu cuido do planeta”. É como se o destino do universo dependesse única e exclusivamente de minhas compulsões. Minhas obsessões faziam com que pensasse que todas essas situações fossem realmente acontecer, apesar de eu nunca acreditar em nenhuma delas. É assim que funciona: eu sei que nada do que minha cabeça diz vai realmente ocorrer se eu não fizer determinada coisa. Eu não acredito em nada disso, mas ao mesmo tempo, eu tenho que fazer os rituais, para que nada disso aconteça. É uma situação bem surreal e complicada de se fazer compreender em palavras, mas basicamente, é assim que funciona. Eu acabei aceitando que o destino da humanidade, planeta, universo e tudo o mais, cabia apenas a um movimento de um determinado músculo da garganta, que eu fazia pela manhã, ou pela quantidade de vezes que acendia e apagava as luzes da sala, antes de entrar em casa. E para mim, com o tempo, isso ficou bem natural. Assim fui seguindo com minha vida, até um dia em que sentei no sofá de um lugar qualquer, onde ví uma mulher qualquer na capa de uma revista qualquer de fofofcas, e que comecei a folhear. Por mais fútil que possa ter parecido esse momento, minha vida realmente se dividiu em antes e depois desse dia. Foi quando descobri que, na verdade, eu não tinha “super-poder” nenhum, e sim uma doença complexa e pouco compreendida. Nesta revista havia uma matéria de uma atriz que tinha todos os meus sintomas, e a matéria chamou isso de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que nunca em minha vida eu senti tanto alívio.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta de que meu problema era uma doença foi algo bom, por descobrir que não estava sozinho, nem que eu era um louco completo. Por outro lado, a medida que fui pesquisando cada vez mais e mais a respeito, e consultando psicólogos, descobri que não havia cura para o meu problema, além de também descobrir de esse ser o motivo que fazia com que eu fosse tão agitado. De qualquer forma, descobri que se eu direcionasse toda essa agitação em uma tarefa, poderia “burlar” minhas obsessões, ocupando a minha mente. Hoje pareço muito mais maluco do que no começo, passo o dia inteiro fazendo todo o tipo de coisas, trabalhando direto, inventando projetos pessoais e executando todas essas tarefas enquanto realizo algumas de minhas compulsões. Por outro lado, o fato de direcionar alguns dos efeitos colaterais dessa doença, como a hiperatividade, me fez aumentar a qualidade de vida, além de garantir que eu pensasse menos a respeito e  tivesse menos “visões” violentas. Hoje, estou longe de ser uma pessoa normal, mas quem é? Levo minha vida da forma como me acostumei. Direciono minhas ideias para o que gosto, e com isto, consegui entrar em uma espécie de harmonia com minhas obsessões e compulsões. Neste momento, sou apenas mais um estranho dentre a multidão.</p>
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