Pouco tempo atrás, eu estava em um momento de descontração, quando alguém disse algo que me deixou com tanta raiva que me levantei, fui para outro cômodo e quebrei o copo na parede. Nesse exato instante percebi que eu poderia ter Transtorno Bipolar, ou “TAB”. Não, não é a tecla do seu teclado, a sigla significa “Transtornos Afetivo Bipolar”. Quando consegui me acalmar, comecei a tentar lembrar de todas as situações em minha vida que tive uma reação parecida, ou alguma atitude que poderia indicar outro sintoma da doença. E após passar horas estudando sobre o assunto (e olha que ainda não parei), consegui constatar que tenho absolutamente todos os sintomas da doença.
É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”. E posso garantir a todos vocês que é algo bem difícil de aceitar, mas de acordo com:
Joel Yager – Professor do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Colorado; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Novo México; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria e Ciencias do Comportamento da escola de Medicina Dagid Geffen, na UCLA.
Que fizeram diversas pesquisas com pacientes com “TOCi”, isso é bastante real. E infelizmente, acabei entrando nessa brincadeira.
Fatos
Os pesquisadores citados acima conduziram um estudo pioneiro naturalístico e seccional cruzado, para comparar as correlações atuais e de toda a vida do aparecimento do “TOCi” em 64 pacientes juvenis com TOC (incluindo 44 adolescentes) e em 193 adultos com o transtorno surgido na juventude (idade média: 38 anos).
Apenas 20,3% dos juvenis e 10,4% dos adultos relataram “TOC puro”, sem complicações por outros diagnósticos do eixo I ou II do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico).
Os adultos apresentaram transtornos do humor (inclusive bipolar) em 71,5%, versus 42,2% dos adolescentes e crianças. O TOC de inicio adulto também foi associado a maior uso de substâncias químicas (27,5% versus 0%), pânico 21,2% versus 3,2% ou transtorno alimentar (13,5% versus 1,6%) no “TOCi”.
Os adolescentes e adultos relataram mais frequentemente obsessões agressivas ou rituais mentais.
Nenhuma diferença foi encontrada quanto aos fenômenos de amontoamento ou de “incompletude” (ou seja, ter de completar determinadas tarefas).
Aceitação
Essa parte foi bastante complicada, e pra ser sincero, a ficha ainda não caiu completamente, mas minha parte racional não me permite pensar de outra forma, uma vez que tudo faz sentido no momento em que aceito esse diagnóstico.
Desde o momento em que quebrei o copo não consigo parar de pensar em outra coisa, e de buscar mais dados para fazer um “double check” e ter a absoluta certeza de que realmente é isso. Aceitar é mais difícil do que perceber (um “viva” a nosso lado mamífero).
Uma coisa é certa, estou me sentindo bizarro e me achando mais estranho ainda cada vez que olho no espelho. Reavaliando meu comportamento a cada segundo, em tempo real. Começo a ter raiva de mim mesmo. Eu queria quebrar o espelho…
Sintomas
Os sinais e sintomas da mania (ou de um episódio maníaco) incluem:
- Energia e atividade aumentadas, inquietação
- Humor excessivamente “elevado”, bom demais, eufórico
- Irritabilidade extrema
- Pensamento acelerado e falar muito e rapidamente, pulando de uma idéia para outra
- Distraibilidade, não consegue se concentrar direito
- Pouca necessidade de sono
- Crença super-valorizadas das próprias capacidades e poderes
- Juízo crítico deficiente
- Gastos excessivos
- Um período longo de comportamento que difere do habitual
- Aumento do impulso sexual
- Abuso de drogas, especialmente cocaína, álcool e medicações para dormir
- Comportamento provocador, invasivo ou agressivo
- Negação de que há alguma coisa errada Humor triste, ansioso ou vazio duradouro
- Sentimentos de desespero ou pessimismo
- Sentimentos de culpa, menos valia ou impotência
- Perda do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas, incluindo sexo
- Diminuição da energia, uma sensação de fadiga ou de estar “devagar”
- Inquietação ou irritabilidade
- Dorme demais, ou não consegue dormir
- Alteração no apetite e/ou perda ou ganho de peso não intencional
- Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas
- Idéias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio.
No demais
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o Transtorno Bipolar não siginifca, necessariamente, a mudança rápida de humor ou pensamento. De fato, um estado de humor pode durar meses e meses. Esse é um dos motivos pelo qual o diagnóstico é tão complicado.
Pessoas que tem problemas psicológicos, seja qual for o gênero, precisam ser imparciais quanto ao julgamento de seu próprio comportamento, ou ao menos tentar, para poder perceber uma série de problemas que podem surgir devido a existência de fatores como o TOC.
Percepção
Acho o mundo realmente muito débil, mas de quando em vez me pergunto se isto se deve pela forma como eu o vejo, ou pela forma como ele é. É difícil saber quem pode ser mais bizarro, a imaginação ou a realidade.
Esse degrau do autoconhemimento torna as coisas ainda mais complicadas pra mim, ainda mais porque explica muitas coisas de meu comportamento que eu não compreendia direito, e então, simplesmente deixava passar.
O certo seria eu virar evangélico, mas sou inteligente demais pra isso, então preciso dar um jeito de lidar com os fatos e suas conseqüências. Não está sendo nada divertido, pois agora me vejo de uma forma nova, com mais variáveis.
Eu queria ser o processador cansado de uma espaçonave antiga que encontra um asteróide, mas minha parte animal me faz agir de outra forma, e em vez de pensar em um fim, só consigo imaginar um “conserto”, um jeito de “hackear” minha mente e meu comportamento.
Conclusão
Agora preciso encontrar uma forma de lidar com isto. Espero que seja divertido essa empreitada do “tentar não ficar maluco” (de novo).
Existe muito material didático na web sobre o assunto. Desde matérias a artigos científicos. Recomendo a todos que tem TOC a darem uma boa olhada no espelho, uma vez que isso atinge boa parte das pessoas que tem esse problema.
Podem contar com mais artigos e crônicas sobre o tema, uma vez que estou agora tentando entender esse novo problema.




