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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; razão</title>
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	<description>Os pensamentos de um transtornado</description>
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		<title>Antes e depois de um certo dia</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 16:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em algum dia da semana, em uma determinada época de minha infância, eu comecei a ficar inclinado a ter algumas atitudes que, para mim, e para quem estivesse de fora visse, pareciam bem estranhas. De repente, senti que minhas unhas não poderiam ter nenhuma falha. Eu tinha cerca de 8 anos de idade, não tinha a menor vaidade sobre nada. Tanto que o importante não era ter as unhas bonitas, apenas que elas não deveriam ter sulcos ou pontas que prendessem no cobertor, por exemplo. Isso é até um tanto quanto natural, até eu começar a ficar completamente obcecado por isto. Não podia perder tempo procurando um cortador de unhas, sejam as dos pés ou das mãos, se não estivessem como deveriam, aquilo precisava ser resolvido imediatamente. Comecei a arranca-las a mordidas. Mordia minhas unhas até elas sangrarem, e mesmo assim, se ainda não estivessem “perfeitas”, eu continuava, com o gosto do sangue em minha boca. Mal sabia eu que este era o início de um problema com o qual eu teria que conviver durante toda a minha vida.<span id="more-224"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O desejo compulsivo de manter o fio de minhas unhas sempre lisinho nunca desapareu. Após o início dessa necessidade compulsiva, vieram as obsessões, que ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é como se fosse um sonho acordado, ou apenas um desejo. Para mim, está mais para um delírio consciente ou uma realidade virtual. A maioria das vezes eu sei que estou em uma determinada realidade, mas mergulho num evento gerado por uma espécie de “inconsciente ativo”, que tenta me controlar. Daí vem as obsessões: Percebo uma ideia ou um pensamento que me ocorre, e é como se mergulhasse nisto, mas não como um salto olímpico, é mais como uma queda desajeitada dentro de um lugar que não escolhi estar, e de onde é difícil sair. Essas ideias e pseudo-realidade começam a cercar minha consciência e começo a me sentir claustrofóbico por esses pensamentos que me apertam cada vez mais. É como se estivesse, a cada momento, mergulhando mais fundo dentro deste abismo. Como se não bastasse estar nessa situação, as próprias ideias que me cercam são ainda mais pavorosas que a própria situação em sí. E num dado momento, um desses “monstros” parece querer fazer um pacto comigo. Percebo que é como se, o tempo todo, essa fosse a intenção de meu subconsciente. É como fazer um pacto com o diabo, mas o que ganho não é algo que não tinha, apenas retomo a liberdade da minha mente. Ela pede que eu faça algo ridículo em números pares, ou que toque no mesmo lugar de meu corpo em um determinado local o qual havia tocado antes. Quando percebo isto, parece ser um pequeno preço a se pagar para libertar a minha consciência daquela situação. Eu faço, e é como se ficássemos quites. Daí, posso partir em paz, pelo menos por enquanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um tempo até eu perceber que estava sendo chantageado o tempo todo pela minha própria razão. O primeiro pensamento que me ocorre é que eu estou ficando completamente louco. Penso que se pedir ajuda irão me internar na hora, irão apontar o dedo para mim e me chamar de louco, afinal, lembrem-se, eu não havia chegado nem aos dez anos ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A missão agora é encontrar uma forma de não enlouquecer de vez, tentar controlar essas situações de algum modo. Mas cada vez que meu subconsciente aparece para me chantagear por algo que parece tão pouco, ele é sempre mais poderoso do que eu me lembrava, daí começo a me viciar, porque afinal, ele não parece pedir muito. Mas o preço começa a ficar cada vez mais alto, as pessoas começam a notar, e a cada vez preciso me esforçar mais para pagar o valor dessa chantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo é gradual, de forma que vou me acostumando com esses rituais obrigatórios para me livrar daquela “cela”. Mas existe outro fator: o trauma. A “realidade virtual” e os pensamentos a que sou impelido pela minha mente são poderosos e cada vez mais violentos. Num dado momento, é como se eu não caísse mais naquele abismo, mas como se todo o meu mundo estivesse dentro dele. Não posso mais fugir daquelas ideias, agora os rituais servem apenas para fazer com que elas se afastem por algum tempo, e esse intervalo também fica cada vez menor. Num instante de poucos meses já sou uma marionete das minhas obsessões, e o pior de tudo, é que eu não faço a menor ideia de que tudo isto é uma doença. Estou em silêncio, sozinho e apavorado por tudo aquilo que presencio todos os dias o tempo todo dentro de minha cabeça. E eu já percebi que não há saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, as coisas não ficam melhores, mas você se acostuma. Acaba se tornando íntimo de seus próprios rituais e seu corpo começa a reagir automaticamente as situações, pelo menos na maioria das vezes, quando é um ritual simples. Eu cheguei em um ponto em que não discutia mais com a razão de minhas compulsões. Eu aceitava as obsessões sem distinção, e apenas às realizava logo, para me livrar daquilo e continuar com minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Apenas mais um momento de ‘loucura’ e continuo com minha vida”, pensava eu. Eu já havia aceitado estar preso no abismo de minhas obsessões e compulsões: “Essa manhã, só terei tempo de salvar 3.000 vidas, a tarde eu cuido do planeta”. É como se o destino do universo dependesse única e exclusivamente de minhas compulsões. Minhas obsessões faziam com que pensasse que todas essas situações fossem realmente acontecer, apesar de eu nunca acreditar em nenhuma delas. É assim que funciona: eu sei que nada do que minha cabeça diz vai realmente ocorrer se eu não fizer determinada coisa. Eu não acredito em nada disso, mas ao mesmo tempo, eu tenho que fazer os rituais, para que nada disso aconteça. É uma situação bem surreal e complicada de se fazer compreender em palavras, mas basicamente, é assim que funciona. Eu acabei aceitando que o destino da humanidade, planeta, universo e tudo o mais, cabia apenas a um movimento de um determinado músculo da garganta, que eu fazia pela manhã, ou pela quantidade de vezes que acendia e apagava as luzes da sala, antes de entrar em casa. E para mim, com o tempo, isso ficou bem natural. Assim fui seguindo com minha vida, até um dia em que sentei no sofá de um lugar qualquer, onde ví uma mulher qualquer na capa de uma revista qualquer de fofofcas, e que comecei a folhear. Por mais fútil que possa ter parecido esse momento, minha vida realmente se dividiu em antes e depois desse dia. Foi quando descobri que, na verdade, eu não tinha “super-poder” nenhum, e sim uma doença complexa e pouco compreendida. Nesta revista havia uma matéria de uma atriz que tinha todos os meus sintomas, e a matéria chamou isso de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que nunca em minha vida eu senti tanto alívio.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta de que meu problema era uma doença foi algo bom, por descobrir que não estava sozinho, nem que eu era um louco completo. Por outro lado, a medida que fui pesquisando cada vez mais e mais a respeito, e consultando psicólogos, descobri que não havia cura para o meu problema, além de também descobrir de esse ser o motivo que fazia com que eu fosse tão agitado. De qualquer forma, descobri que se eu direcionasse toda essa agitação em uma tarefa, poderia “burlar” minhas obsessões, ocupando a minha mente. Hoje pareço muito mais maluco do que no começo, passo o dia inteiro fazendo todo o tipo de coisas, trabalhando direto, inventando projetos pessoais e executando todas essas tarefas enquanto realizo algumas de minhas compulsões. Por outro lado, o fato de direcionar alguns dos efeitos colaterais dessa doença, como a hiperatividade, me fez aumentar a qualidade de vida, além de garantir que eu pensasse menos a respeito e  tivesse menos “visões” violentas. Hoje, estou longe de ser uma pessoa normal, mas quem é? Levo minha vida da forma como me acostumei. Direciono minhas ideias para o que gosto, e com isto, consegui entrar em uma espécie de harmonia com minhas obsessões e compulsões. Neste momento, sou apenas mais um estranho dentre a multidão.</p>
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		<title>Razão e Violência</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 23:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que o TOC não é Psicose. Este é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma &#8220;perda de contacto com a realidade&#8221;. Ao experienciar um <span style="color: #000000;">episódio psicótico</span>, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de &#8220;crítica&#8221; ou de &#8220;insight&#8221; que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento. As obsessões e transtornos das pessoas que têem o TOC, nos perturbam justamente porque nós estamos em contato direto com a razão. Caso contrário não nos preocuparíamos com nossos rituais.<span id="more-193"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-208 alignright" title="ato-violencia-poster01" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/ato-violencia-poster01-150x150.jpg" alt="ato-violencia-poster01" width="150" height="150" /></a>O que ocorre é que, principalmente no início da doença, quando começamos a ter os primeiros sintomas, ninguém sabe o que é realmente o TOC, e é algo que nos deixa perturbados, porque você realmente acredita que está ficando maluco. Hoje, com a web e a socialização da informação, é muito mais fácil de se conhecer a doença. Mas em uma época como a minha, foi um tanto quanto desesperador pois eu não fazia ideia de o porque que estava acontecendo aquilo comigo, nunca tinha visto nada parecido em lugar algum. É aí que vem a depressão, pois a pessoa começa a acreditar que está perdendo a razão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem observa de fora, imagina que o TOC é apenas a repetição ou a mania de limpeza, que são os sintomas mais comuns. Acham engraçado e tudo o mais, afinal, para elas aquilo não faz o menor sentido. A verdade é que para nós que temos a doença, não faz mais sentido do que para a pessoa que está observando de fora. A questão é que a doença não é só isso. Existem outros sintomas que são ainda mais complicados de se abordar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-210 alignleft" title="violencia2" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia2-150x150.jpg" alt="violencia2" width="150" height="150" /></a>Eu vejo um portador de TOC como um veterano de guerra. Aquele cara que viu muita coisa ruim, e que sofre com aquilo na cabeça, revivendo momentos de horror todo o tempo. O que muita gente não sabe, são sobre nossos pensamentos obsessivos quanto a violência e ódio. Acredito que este é um dos motivos de nossos pensamentos obsessivos terem tanto poder de persuasão, pois eles lidam diretamente com o mais terrível em relação a violência e sofrimento. Constantemente, os portadores desta doença tem pensamentos e até mesmo vontades absurdas, como por exemplo, estarmos conversando com alguma pessoa, e de repente nos vemos enfiando uma caneta no olho dessa pessoa; estrangulando-a até a morte; torturando-a e várias outras ações relacionadas a violência que poderíamos ter, como imaginar tragédias com mortes horríveis, muitas vezes absurdas. Daí vem a compulsão, como uma forma de nos livrarmos de tudo isto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-209 alignright" title="violencia psicologica" src="http://www.obsessivocompulsivo.com/wp-content/uploads/2009/09/violencia-psicologica-150x150.jpg" alt="violencia psicologica" width="150" height="150" /></a>A questão aqui é que nós temos que lidar todos os dias com pensamentos horríveis, socialmente abomináveis. O que gera muita dor e as vezes instabilidade emocional. Por isto digo que vejo os portadores desta doença como veteranos de guerra, justamente por termos traumas de experiências tão violentas e cruéis. E o pior de tudo, é que nunca realmente vivemos nenhuma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa questão demonstra o quanto o <em>Transtono Obsessivo Compulsivo</em> pode ser cruel, e eu diria até mesmo baixo, por tentar destruir nosso lado emocional e moral, atacando a nossa razão e nossas memórias através de nossa imaginação para que cedamos a todas as compulsões a seu bel-prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Então resolvi abordar esta questão, que é tão dificíl de se expor por tratar diretamente com nossa moral. Gostaria que vocês pudessem comentar o que vocês acham disso e também os tipos de pensamentos que vocês tem que sejam relacionados a violência, para que talvez eu possa fazer um post mais direcionado a esse tipo de comportamento, característico de nosso problema.</p>
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