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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; rituais</title>
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	<description>Os pensamentos de um transtornado</description>
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		<title>Eu e nossas obsessões</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 20:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa semana recebi  um email muito legal da Ana, de Portugal, procurando tirar algumas dúvidas. O email ficou grande e acabei falando sobre coisas realmente muito interessantes que acho que seria legal passar pra vocês. Então vamos lá! Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Essa semana recebi  um email muito legal da Ana, de Portugal, procurando tirar algumas dúvidas. O email ficou grande e acabei falando sobre coisas realmente muito interessantes que acho que seria legal passar pra vocês. Então vamos lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares e estranhamente ter uma vontade incontrolável de refazer o mesmo caminho na volta. Nenhum desses desejos sumiu rapida ou completamente. Na verdade, eles foram se acumulando a medida em que o tempo passava. Durante toda a minha infância, eu também criei um medo absurdo do escuro, a ponto de só conseguir dormir com a luz acesa, daí a minha irmã mais velha me esperava dormir para apagar a luz para mim. Em seguida comecei a ter uma estranha obsessão pelas minhas unhas. Sabe quando você tem uma imperfeição na unha e a passa por um tecido, daí você sente o tecido predendo um pouco nessas imperfeições? Para evitar esse problema, eu comecei a arrancar todas as minhas unhas com os dentes, mesmo as dos pés, e as passava em algo feito com algodão para ter a certeza de que elas não prendiam mais em nada. Em seguida comecei com a minha obsessão mais forte, que é a de repetição e a de tocar em um lugar especifico. As vezes quando toco em algo ou alguém sem querer, eu sinto que tenho que conseguir tocar exatamente naquele mesmo lugar novamente, independente de quantas vezes eu precise tentar, e só posso parar quando consigo tocar naquele mesmo lugar. O problema é que, por exemplo, as vezes eu piso em uma pedrinha no chão, então eu fico tentando tocar na mesma pedra com o mesmo lugar do pé em que a toquei, e isso pode realmente durar muitos e muitos minutos. Outras vezes estou no ônibus e toco em alguém, é uma vergonha, porque fico tocando na pessoa de novo e de novo até conseguir acertar aquele lugar novamente, e isso é realmente um grande problema para mim. Penso que se eu não fizer isto, algo de muito ruim pode acontecer, como um predio desabar, aviões caírem ou até mesmo países simplesmente explodirem.<span id="more-130"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A obsessão é assim, por mais que você tenha a plena consciência de que tudo o que lhe ocorre e que possa acontecer não faz o menor sentido, algo dentro de você diz que aquilo irá acontecer sem a menor dúvida. É uma uma força infinitamente maior que nós e que nos move a fazer aquilo que nos ocorre.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas obsessões começaram cedo por que tive febre reumática quando criança, uma doença que causou uma inflamação em meu cérebro, demorei mais de 12 anos para ligar uma coisa a outra. Muitas pessoas acabam adquirindo o TOC desta mesma forma, ou com uma infecção originada por outros motivos. E o pior, em boa parte das vezes, a pessoa nunca vai descobrir que teve essa infecção e fica sem saber ou entender porque tem esse diagnóstico.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomei remédios sim, durante muito tempo, remédios de todo o tipo. Mas por fim acabei percebendo que nenhum destes remédios iriam realmente me curar, apenas amenizar por um período de tempo. Cheguei num ponto que decidi que não queria passar a vida inteira tomando estes remédios, até porque alguns deles eram <em>tarja preta</em>, e mais cedo ou mais tarde isso acabaria fazendo mal ao meu sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">Você me contou em seu email, Ana, que você gostava muito de escrever e adora pintar. Uma alternativa minha a todos estes remédios foi tentar direcionar meus impulsos, que não param, e minha imaginação, que mais parecia um touro indomável. Comecei então a escrever também, eu sempre gostei muito de ler livros e quadrinhos. Minha obsessão me causou &#8211; e geralmente causa na grande maioria das pessoas que tem esse problema &#8211; uma hiperativdade intrínseca a doença. O que eu faço é direcionar toda essa hiperatividade para algo que eu goste de fazer e que utilize muito a mente, como escrever, desenhar ou pintar. Na verdade eu cheguei a fazer essas três coisas por anos, mas no final, acabei me sentindo mais a vontade escrevendo, que é o meu caso. A Ana, ou qualquer outra pessoa pode se sentir mais a vontade com outras coisas, como tocar uma gaita, cantar, pintar, etc. O importante é você canalizar toda essa vontade que o TOC acaba nos impulsionando, para algo específico. Utilize os remédios no começo, para você começar a conseguir algum controle, depois vá tentando se livrar deles, direcionando suas compulsões para algo que lhe ocupe mentalmente, que lhe distraia um pouco e que lhe faça sentir-se bem. O importante de comentar, é que por mais que você fique distraído, quando o TOC &#8220;ativar&#8221; um ritual para você, não tenha a menor dúvida, não há distração no mundo que consiga fazer com que você não perceba isso. Mas se você estiver ocupado intelectualmente, pode usar essa ocupação como uma espécie de força para tomar a decisão mais díficil de toda a vida das pessoas que vivem com esse problema, que é a de não fazer o ritual. Essa é a diferença, consigo me livrar de muitas dessas vontades canalizado em outra coisa. Muitas vezes não consigo, mas muitas vezes também consigo, e isso vai nos ajudando a lutar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhuma de minhas compulsões jamais desapareceu, eu apenas tenho um certo controle sobre elas. Faço coisas estranhas a todo momento, as vezes estou numa mesa conversando com alguém e fazendo uma série de coisas estranhas com as mãos ou pés por debaixo da mesa, mas os rituais não me controlam tanto quanto antes, pois me mantenho sempre mentalmente ocupado, tentando tirar o foco o máximo possível destes rituais. A questão é que hoje em dia, eu consigo fazer com que minhas compulsões não me impeçam de fazer nada, apesar de elas ainda estarem comigo. É um tipo de equilíbrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como eu, acredito que todos podem direcionar suas compulsões para algo, ao invés de deixar que elas simplesmente aconteçam e que você passe o resto de sua vida simplesmente com medo de que elas ocorram. Sei bem que as compulsões simplesmente disparam dentro de nós sem o menor aviso prévio. Eu vejo este distúrbio como uma espécie de &#8220;poder&#8221;, e tento direcioná-lo para o meu bem, utilizando todos os potenciais &#8220;indiretos&#8221; que o TOC possa gerar em mim.</p>
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		<title>O que é o TOC?</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 03:42:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência. A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta [...]]]></description>
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<p>Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência.</p>
<p>A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta doença. É muito comum o &#8220;Transtorno Obsessivo Compulsivo&#8221; (TOC) ocorrer após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais. Sabe-se ainda que algumas zonas cerebrais se tornam hiperativas, ou seja, funcionam mais nos portadores dessa doença do que em pessoas normais, como por exemplo o lobo frontal do cérebro, na região periorbital, e também regiões mais profundas como os gânglios ou núcleos da base. É comum que grandes gênios, artistas e pessoas muito precoces tenham este tipo de distúrbio, justamente devido a esta hiperatividade cerebral causada pela doença. A hiperatividade tende a se normalizar com o tratamento farmacológico bem como com a terapia cognitivo-comportamental.<span id="more-106"></span></p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/cerebrojpg.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2346" title="cerebrojpg" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/cerebrojpg-150x150.jpg" alt="cerebrojpg" width="150" height="150" /></a>No entanto, ainda existem várias questões não esclarecidas, como por exemplo, o fato de a medicação não funcionar com alguns pacientes. Estes medicamentos trabalham inibindo a recaptação da serotonina que é utilizada e produzida em demasia pelo cérebro dos pacientes. O TOC também pode aparecer como sintoma em doenças como encefalite, associada a tiques, conhecido como &#8220;transtorno de Gilles de la Tourette&#8221;, à febre reumática ou mesmo à doenças nervosas ou psiquiátricas. No caso deste autor que vos fala por exemplo, o TOC chegou na época em que fui atingido pela febre reumática, e nunca mais foi embora. Quando esta doença me atacou eu tinha cerca de 5 anos de idade.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/melhor_impossivel02jpg.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-2347" title="melhor_impossivel02jpg" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/melhor_impossivel02jpg-150x150.jpg" alt="melhor_impossivel02jpg" width="150" height="150" /></a>Fatores de natureza psicológica também influenciam no surgimento, manutenção e agravamento da doença.  É possível que o distúrbio surja após algum estress psicológico. Estes conflitos podem agravar os sintomas e podem também alterar a forma de pensar dos pacientes. O TOC pode mudar a forma de perceber e avaliar a realidade, pode fazer com que supervalorizemos nossos próprios pensamentos e ações, nos fazendo acreditar que eles possam influenciar diretamente em eventos de escalas grandiosas. Podemos acreditar até mesmo que podemos salvar um planeta inteiro com um simples acender e apagar das luzes.</p>
<p>Algumas características da doença é nos fazer desenvolver rituais para que possamos manter o equilíbrio e a vida no planeta, ou simplesmente, que acreditamos colaborar para que nos faça manter nossa própria integridade. É comum rituais de repetição, preocupações absurdas com limpeza, perfeccionismo. Um portador desta doença acredita verdadeiramente que salva vidas todos os dias.</p>
<p>Os &#8220;pensamentos mágicos&#8221; podem acompanhar um paciente por dias inteiros, ou até mais. Cada paciente pode apresentar um ou mais destes sintomas, que até o momento são considerados incuráveis. Podem ser diminuídos e se tornarem até mesmo raros através de tratamentos e cirurgias, mas sempre estarão lá.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/imagem1.png"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2348" title="imagem1" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/05/imagem1-150x150.png" alt="imagem1" width="150" height="150" /></a>É importante entender que esse tipo de reação não é algo que surge na cabeça das pessoas com esse problema como algo que possa simplesmente ser ignorado. As ideias que guiam e geram comportamentos nas pessoas com o TOC são extremamente poderosas. E por mais que depois de muito tratamento psicológico os pacientes saibam que aquilo não é real, por mais que tenham completa consciência disso, é como se não tivessem opções. Como se houvesse um ser supremo e superpoderoso em sua cabeça que lhe controlasse e lhe obrigasse a seguir com os rituais. Alguns destes rituais chegam a ser feitos, muitas vezes, sem que nós mesmos percebamos. É algo absolutamente incontrolável, como se estivéssemos drogados mesmo. Como se não tivéssemos mais nenhum controle que seja de nosso corpo. Comportamentos &#8220;evitativos&#8221; também são comuns como forma de não desencadearem essas obsessões.</p>
<p>Tenho absoluta certeza de que não vou conseguir explanar todos os problemas relacionados ao TOC, mas acredito ter deixado muitas coisas bem claras. Qualquer dúvida, pode comentar que responderei com prazer. Também pode me enviar emails. Claro que não sou um médico, mas estudo, convivo e batalho com esta doença pelo menos a 18 anos e acredito que isto me qualifica a conversar sobre ela, mais do que muitos médicos inclusive.</p>
<p>Existem várias produções interessantes do cinema e da tv que falam sobre o assunto (apesar de um pouco exageradamente, ou não!), como por exemplo os filmes: &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=oKuRiJDRyLI" target="_blank">Melhor é impossível</a>&#8220;, &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=fgbt45zcdFM" target="_blank">O Aviador</a>&#8221; e o seriado &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=p9Syqgjvz-4" target="_blank">Monk</a>&#8220;. Estes mostram pessoas que convivem com esse problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="350" height="250" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/p9Syqgjvz-4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="350" height="250" src="http://www.youtube.com/v/p9Syqgjvz-4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></div>
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		<title>Por favor, não me “toc”</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 17:26:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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<p>Alguns “dependentes” do TOC -  e eu digo dependente porque muitas vezes a gente fica a mercê de alguns rituais que vão definir se vamos fazer algumas coisas ou não &#8211; tem um momento de “não me toque”. De uma hora pra outra aquele psicopata que criamos dentro de nossa cabeça nos informa que a partir daquele momento, e por um tempo indefinido que pode ser pouco ou muito, ele diz que não podemos encostar em nada nem ninguém. É como se estivéssemos em um corredor estreitíssimo. E com isso pode vir também os “Cânions”, ou “rachaduras da morte” se preferir. Cada fissura no chão, cada arranhãozinho no piso parece um Cânion, ou uma mina, dependendo do momento. Qualquer passo em falso pode nos fazer despencar em um longo buraco sem fim, ou simplesmente (e esse é meu preferido) nosso psicopata pessoal nos informa que algo a nossa volta pode acontecer: um carro explodir, um prédio desabar, e todas essas maravilhas de nosso dia-a-dia. Tudo isso se simplesmente pisarmos naquele maldito risco no chão.</p>
<p>Os abismos dentro das mais <em>ínfimas</em> fissuras no chão geralmente vem de brinde no “não me toque”, mas às vezes ele também pode vir isoladamente.</p>
<p>Geralmente, quando o momento “não me toque” acontece comigo, o melhor é relaxar. Minha dica pessoal para se alguém acabar lhe tocando sem querer (ou querendo) é tocar nessa pessoa de volta uma quantidade pares de vezes, até seu psicopata pessoal avisar que é o suficiente. Isso é o que faço para “evitar” o caos que pode gerar o não cumprimento desse ritual. E não tem problema se todos acharem que você está em uma corda bamba dentro de um corredor estreito, lembre-se: você está salvando a vida deles.</p></div>
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