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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; TOC</title>
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		<title>Transtorno Bipolar</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 01:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/transtorno-bipolar/" data-text="Transtorno Bipolar" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Pouco tempo atrás, eu estava em um momento de descontração, quando alguém disse algo que me deixou com tanta raiva que me levantei, fui para outro cômodo e quebrei o copo na parede. Nesse exato instante percebi que eu poderia ter Transtorno Bipolar, ou “TAB”. Não, não é a tecla do seu teclado, a sigla significa “Transtornos Afetivo Bipolar”. Quando consegui me acalmar, comecei a tentar lembrar de todas as situações em minha vida que tive uma reação parecida, ou alguma atitude que poderia indicar outro sintoma da doença. E após passar horas estudando sobre o assunto (e olha que ainda não parei), consegui constatar que tenho absolutamente todos os sintomas da doença.</p>
<p>É aí que todos que tem TOC precisam observar com mais cautela seu comportamento. Lendo vários artigos científicos, descobri que cerca de 70% das pessoas adultas com “TOCi”, que é o TOC desenvolvido na infância, tem outros tipos de desordem na vida adulta. Dentre esses problemas está incluso, no topo da lista, o “Transtorno Bipolar”. E posso garantir a todos vocês que é algo bem difícil de aceitar, mas de acordo com:</p>
<p>Joel Yager – Professor do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Colorado; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Novo México; Professor Emérito do Depto de Psiquiatria e Ciencias do Comportamento da escola de Medicina Dagid Geffen, na UCLA.</p>
<p>Que fizeram diversas pesquisas com pacientes com “TOCi”, isso é bastante real. E infelizmente, acabei entrando nessa brincadeira.</p>
<h2>Fatos</h2>
<p>Os pesquisadores citados acima conduziram um estudo pioneiro naturalístico e seccional cruzado, para comparar as correlações atuais e de toda a vida do aparecimento do “TOCi” em 64 pacientes juvenis com TOC (incluindo 44 adolescentes) e em 193 adultos com o transtorno surgido na juventude (idade média: 38 anos).<br />
Apenas 20,3% dos juvenis e 10,4% dos adultos relataram “TOC puro”, sem complicações por outros diagnósticos do eixo I ou II do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico).</p>
<p>Os adultos apresentaram transtornos do humor (inclusive bipolar) em 71,5%, versus 42,2% dos adolescentes e crianças. O TOC de inicio adulto também foi associado a maior uso de substâncias químicas (27,5% versus 0%), pânico 21,2% versus 3,2% ou transtorno alimentar (13,5% versus 1,6%) no &#8220;TOCi&#8221;.</p>
<p>Os adolescentes e adultos relataram mais frequentemente obsessões agressivas ou rituais mentais.</p>
<p>Nenhuma diferença foi encontrada quanto aos fenômenos de amontoamento ou de “incompletude” (ou seja, ter de completar determinadas tarefas).</p>
<h2>Aceitação</h2>
<p>Essa parte foi bastante complicada, e pra ser sincero, a ficha ainda não caiu completamente, mas minha parte racional não me permite pensar de outra forma, uma vez que tudo faz sentido no momento em que aceito esse diagnóstico.</p>
<p>Desde o momento em que quebrei o copo não consigo parar de pensar em outra coisa, e de buscar mais dados para fazer um “double check” e ter a absoluta certeza de que realmente é isso. Aceitar é mais difícil do que perceber (um &#8220;viva&#8221; a nosso lado mamífero).</p>
<p>Uma coisa é certa, estou me sentindo bizarro e me achando mais estranho ainda cada vez que olho no espelho. Reavaliando meu comportamento a cada segundo, em tempo real. Começo a ter raiva de mim mesmo. Eu queria quebrar o espelho&#8230;</p>
<h2>Sintomas</h2>
<p>Os sinais e sintomas da mania (ou de um episódio maníaco) incluem:</p>
<p>- Energia e atividade aumentadas, inquietação<br />
- Humor excessivamente “elevado”, bom demais, eufórico<br />
- Irritabilidade extrema<br />
- Pensamento acelerado e falar muito e rapidamente, pulando de uma idéia para outra<br />
- Distraibilidade, não consegue se concentrar direito<br />
- Pouca necessidade de sono<br />
- Crença super-valorizadas das próprias capacidades e poderes<br />
- Juízo crítico deficiente<br />
- Gastos excessivos<br />
- Um período longo de comportamento que difere do habitual<br />
- Aumento do impulso sexual<br />
- Abuso de drogas, especialmente cocaína, álcool e medicações para dormir<br />
- Comportamento provocador, invasivo ou agressivo<br />
- Negação de que há alguma coisa errada Humor triste, ansioso ou vazio duradouro<br />
- Sentimentos de desespero ou pessimismo<br />
- Sentimentos de culpa, menos valia ou impotência<br />
- Perda do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas, incluindo sexo<br />
- Diminuição da energia, uma sensação de fadiga ou de estar “devagar”<br />
- Inquietação ou irritabilidade<br />
- Dorme demais, ou não consegue dormir<br />
- Alteração no apetite e/ou perda ou ganho de peso não intencional<br />
- Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas<br />
- Idéias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio.</p>
<h2>No demais</h2>
<p>Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o Transtorno Bipolar não siginifca, necessariamente, a mudança rápida de humor ou pensamento. De fato, um estado de humor pode durar meses e meses. Esse é um dos motivos pelo qual o diagnóstico é tão complicado.</p>
<p>Pessoas que tem problemas psicológicos, seja qual for o gênero, precisam ser imparciais quanto ao julgamento de seu próprio comportamento, ou ao menos tentar, para poder perceber uma série de problemas que podem surgir devido a existência de fatores como o TOC.</p>
<h2>Percepção</h2>
<p>Acho o mundo realmente muito débil, mas de quando em vez me pergunto se isto se deve pela forma como eu o vejo, ou pela forma como ele é. É difícil saber quem pode ser mais bizarro, a imaginação ou a realidade.</p>
<p>Esse degrau do autoconhemimento torna as coisas ainda mais complicadas pra mim, ainda mais porque explica muitas coisas de meu comportamento que eu não compreendia direito, e então, simplesmente deixava passar.</p>
<p>O certo seria eu virar evangélico, mas sou inteligente demais pra isso, então preciso dar um jeito de lidar com os fatos e suas conseqüências. Não está sendo nada divertido, pois agora me vejo de uma forma nova, com mais variáveis.</p>
<p>Eu queria ser o processador cansado de uma espaçonave antiga que encontra um asteróide, mas minha parte animal me faz agir de outra forma, e em vez de pensar em um fim, só consigo imaginar um “conserto”, um jeito de “hackear” minha mente e meu comportamento.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Agora preciso encontrar uma forma de lidar com isto. Espero que seja divertido essa empreitada do “tentar não ficar maluco” (de novo).</p>
<p>Existe muito material didático na web sobre o assunto. Desde matérias a artigos científicos. Recomendo a todos que tem TOC a darem uma boa olhada no espelho, uma vez que isso atinge boa parte das pessoas que tem esse problema.</p>
<p>Podem contar com mais artigos e crônicas sobre o tema, uma vez que estou agora tentando entender esse novo problema.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/mBKF6BSMTFA?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/oc7XozMbR9A?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/oc7XozMbR9A?fs=1&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Trabalhando pra caralho!</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Jan 2011 02:11:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As vezes eu acho que todos os posts do blog deveriam ter um número par de letras, mas isso não importa tanto assim... O que eu queria mesmo era que todos os meus clientes me pagassem caro para não fazer nada, ao invés de me darem tanto trabalho, mas isso é um sonho, não uma obsessão...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/trabalhando-pra-caralho/" data-text="Trabalhando pra caralho!" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Mas não temam! Estou preparando um layout novo pro blog, e estou com alguns planos que me ajudarão a deixa-lo mais ativo. Não, eu não vou mudar o tipo de conteúdo, o blog continuará exatamente como ele é, apenas estou tendo algumas ideias, planos etc etc etc para tornar mais ágil a atualização aqui.</p>
<p>No mais, continuo abrindo e fechando a carteira inúmeras vezes toda sempre que vou pagar uma conta, e ainda tenho que aguentar as pessoas me olhando com cara de &#8220;Bixo doido do caralho&#8221; toda vez que vou na farmácia da esquina e não posso pisar nas linhas do azulejo de lá (não me perguntem o porquê).</p>
<p>Ultimamente tenho tido uma séria obsessão por meteoros. Fico olhando por alguma janela e imaginando um deles rasgando os ceus (e atmosfera) enquanto desce para destruir a terra completamente (uma coisa que eu acharia muito massa se acontecesse).</p>
<p>As vezes eu também acho que todos os posts do blog deveriam ter um número par de letras, mas isso não importa tanto assim&#8230; O que eu queria mesmo era que todos os meus clientes me pagassem caro para não fazer nada, ao invés de me darem tanto trabalho, mas isso é um sonho, não uma obsessão&#8230;</p>
<p>Eu consigo perceber quando vai chover pelo cheiro do ar, e posso notar quando alguém não tomou banho pelo odor do sovaco, mas isso não é nenhum superpoder&#8230;</p>
<p>Meus sonhos são tão massas que em breve começarei a conta-los aqui também, então aguardem uma nova categoria&#8230;</p>
<p>Outra coisa legal é que eu acho que vocês poderiam deixar nos comentários dúvidas ou sugestões de temas que vocês tem curiosidade de ler, algum relato sobre algo específico (ou não) etc etc etc&#8230;</p>
<p>O poder é de vocês!</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mb8WQR7G9Xs" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/mb8WQR7G9Xs"></embed></object></p>
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		<title>Check! Check! Check! Check!</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 01:25:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chave na porta, olho pra trás. Esqueci algo? Luz, tornera e janela. O estabilizador ta desligado, pois lembro que chutei ele. Giro a chave, saio, tranco e cuspo na porta pra ter certeza de que vou lembrar que a fechei.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/check/" data-text="Check! Check! Check! Check!" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Chave na porta. Abre e fecha, abre e fecha. É claro que eu não precisaria fazer isso, mas é sempre bom garantir. Cortina fechada. Verifico tudo umas 4 ou 6 ou 8 vezes (números pares sempre!).  Observo o teto e desvio das rachaduras no chão &#8211; Sempre há rachaduras no chão, por menores que sejam. -  Me viro, olho o estabilizador de novo, viro o rosto pro lado, olho o estabilizador de novo, e de novo, e repito essa coisa imbecil 12 vezes. Então, quando estou já quase tonto, continuo em direção a saída.</p>
<p>Chave na porta, olho pra trás. Esqueci algo? Luz, torneira e janela. O estabilizador tá desligado, pois lembro que o chutei. Giro a chave, saio, tranco e cuspo na porta pra ter certeza de que vou lembrar que a fechei.</p>
<p>Botão, elevador e PIN! Ninguém. Entro, aperto o térreo e torço para ninguém aparecer. No sétimo andar tem velho, no quinto tem criança e mulher. Só em ter parado no sétimo já acho que o elevador vai soltar, cair e que vamos todos morrer. Todo mundo tenta encostar em mim. O velho toca no meu ombro e depois tira o catarro da garganta. Nojo da porra! Afinal, tem micróbios em toda parte hoje. Dou duas ombradas no velho. Encosto exatamente no local em que o ombro dele me encostou. Ele olha pra trás e depois encosto mais duas vezes.</p>
<p>Térreo! Entro e saio do elevador quatro vezes, as pessoas olham pra mim enquanto passo pela recepção me perguntando se fechei a janela e achando que vou ser atropelado por ter saído do trabalho em um horário ímpar.</p>
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		<title>A ciência salvou minha alma</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Nov 2010 01:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou de ficar postando vídeos, mas este é a síntese de diversas coisas que senti durante todas as minhas descobertas, e minha admiração sobre o universo e o conhecimento. Conhecimento este que acredito ser mais eficiente que vários remédios, pois para mim, o conhecer é capaz de nos curar de várias formas. E foi  a consciência e o entendimento sobre  a ciência e história que me fizeram amar tudo aquilo que amo hoje, e superar todos os contratempos dessa vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/a-ciencia-salvou-minha-alma/" data-text="A ciência salvou minha alma" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Não sou de ficar postando vídeos, mas este é a síntese de diversas coisas que senti durante todas as minhas descobertas, e minha admiração sobre o universo e o conhecimento. Conhecimento este que acredito ser mais eficiente que vários remédios, pois para mim, o conhecer é capaz de nos curar de várias formas. E foi  a consciência e o entendimento sobre  a ciência e história que me fizeram amar tudo aquilo que amo hoje, e superar todos os contratempos dessa vida.<span id="more-438"></span></p>
<p>Só posso lamentar por aqueles que não gostam de exercitar sua curiosidade, e que não tem sede por conhecer e entender sobre como e porquê estamos aqui, fazemos tudo o que fazemos e como o universo se comporta.</p>
<p>O que realmente me fez “superar” o TOC (e digo superar entre aspas, pois ele não vai embora, na verdade, apenas podemos lidar com ele), foi tudo o que aprendi sobre a vida, o universo e tudo o mais. Gostaria que todos pudessem compartilhar desse sentimento, uma vez que o conhecimento é o remédio mais eficiente quando tentamos superar problemas como os de quem sofre com o TOC, assim como “superar” a própria vida. O “entender” para mim, sempre foi a maior ferramenta/arma contra tudo aquilo que precisei vencer.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="500" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KIiH9GJ10TE?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="500" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/KIiH9GJ10TE?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Apenas divagando&#8230;</title>
		<link>http://www.obsessivocompulsivo.com/apenas-divagando/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Sep 2010 01:45:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esquerda, mãos no bolso e passos curtos. Andar devagar me incomoda, mas estou sem pressa. Aquele navio não vai sair dali tão cedo. Faz um tempão que não uso calça nem tênis. Pessoas correndo e surfando. Porquê? Apenas divertido. Mulheres de biquine, homens de sunga. Coroa na minha frente, olho pra sua bunda. Minha senhora, e se eu tivesse um espeto de churrasco feito de ferro e empalasse a senhora? Será que dava pra fugir? Coitada da véia. Nada contra coroas, de vez em quando apenas olho pra alguém na rua e me vejo machucando-a. Eu sei, eu sou doente. Ok, nada cortante. Se eu ficasse nu e saísse correndo, alguém ia notar?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/apenas-divagando/" data-text="Apenas divagando&#8230;" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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                        <script src="http://widgets.fbshare.me/files/fbshare.js"></script></div></div><p>Dia nublado, fim de tarde, praia.</p>
<p>Olho pra direita, navio encalhado. Ok, melhor desfazer logo isso antes que alguém perceba que fui eu. Levanto, bato com as mãos no short, areia o vento leva, ergo braços em direção aquele monte de ferro e fico em posição de quem vai resolver alguma coisa. Faço força e deixo os dedos rígidos. Isso não vai dar em nada.</p>
<p>Esquerda, mãos no bolso e passos curtos. Andar devagar me incomoda, mas estou sem pressa. Aquele navio não vai sair dali tão cedo. Faz um tempão que não uso calça nem tênis. Pessoas correndo e surfando. Porquê? Apenas divertido. Mulheres de biquine, homens de sunga. Coroa na minha frente, olho pra sua bunda. Minha querida, e se eu tivesse um espeto de churrasco feito de ferro e empalasse a senhora? Será que dava pra fugir? Coitada da véia. Nada contra coroas, de vez em quando apenas olho pra alguém na rua e me vejo machucando-a. Eu sei, eu sou doente. Ok, nada cortante. Se eu ficasse nu e saísse correndo, alguém iria notar?</p>
<p>As pessoas passam por mim pra chegar em algum lugar. Como se não estivessem se movendo a a mais de cem mil quilômetos por hora pelo espaço, mas tudo é relativo. De que adianta a velocidade em que você está no espaço se a gente ta parado em cima dessa &#8220;pedra azul&#8221;? Aquilo alí é um ovni?</p>
<p>Tem muito bichinho na praia, mas os que andam em duas pernas me incomodam mais. Será que eu também tô incomodando alguém? Será que aquela doidinha tem namorado? Se eu chutar aquela àrvore, vai doer? Claro que vai! Mas que vontade louca de chutar aquela àrvore alí!</p>
<p>Eu sei que sou muito chato, mas prefiro perder um amigo a não falar o que me da vontade. Minha vontade sempre vai estar comigo, amigos não. Casam, morrem, te fodem. Tem algum pé de manga aqui?</p>
<p>Praias não tem rachaduras para eu não pisar, ao contrário de calçadas. Mas essa aqui tem um esgoto, aliás, vários! Como vou fazer pra passar? Já sei, subo pela calçada! Após dar a volta eu me sinto uma pessoa vitoriosa. Também comprei um óculos escuro de cinco reais que não vou usar.</p>
<p>Será que aquele cara que vende suco é seboso? Melhor não arriscar&#8230;</p>
<p>Ok, a praia ficou chata agora, vou pra casa andando&#8230; Pessoas passam por mim fazendo cooper. E se eu empurrasse alguém pro meio da rua? Será que iriam notar? Será que as mulheres se sentem melhores quando eu olho pra elas quando estão correndo de lycra? Será que toda mulher realmente quer ser desejada, ou isso é mentira? Homens de lycra querem ser desejados também? Se eu pisar nas rachaduras da calçada, o mundo vai acabar? Eu sei que não, mas minha cabeça acha que sim. Peraí, eu posso me divertir com isso. Piso nas linhas só pra fazer minha mente de otária. Mas&#8230; minha mente sou eu. Como sou mané! Oo</p>
<p>Acho que numa luta, eu perderia se tivesse de combater um &#8220;Dragão de Komodo&#8221;. Por isso eu piso em lagartixas. Mentira, eu não piso em lagartixas, mas como seria se eu esmagasse uma? Coitadinha&#8230; Será que vou ter saco de fazer a barba hoje?</p>
<p>Aquela mulher sorriu pra mim, será que eu devia fingir que tô fazendo cooper de sandália e perseguir ela até ganhar um beijo e ser preso? Quantos metros faltam pra eu chegar em casa?</p>
<p>É difícil passar por paradas de ônibus cheias sem tocar em ninguém, melhor descer a calçada e correr o risco de ser atropelado.</p>
<p>Se eu tivesse uma metralhadora aqui e começasse a atirar pra todos os lados? Eu preciso parar de ter vontade de fazer merda. Se eu pulasse de barriga no meio do mato jogando uma granada pra trás sem ver aonde acerto, eu ia matar muita gente? O que será que aquele cara alí fez hoje? Será que ele matou alguém? Acho que vou passar no supermercado e comprar umas cervejas, deu vontade de escrever alguma coisa hoje&#8230;</p>
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		<title>Apesar de tudo, deus não existe</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 22:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todos que tem TOC já são meio que "íntimos" de uma voz que fala em sua cabeça. Em meu caso, consigo até mesmo negociar com ela. Esta voz geralmente nos fornece os rituais que temos de executar. Para quem ainda não sabe, pessoas que tem TOC não fazem seus rituais do nada, existe um "comando" que vem de uma voz que fala dentro de nossas cabeças. Pra uma pessoa que tem esse tipo de problema, pode ser fácil se deixar levar por crenças religiosas, uma vez que lidamos todo dia com algo que foge a nosso controle e estimula o caos em nosso cérebro. Apesar disso, no final das contas, eu optei pela razão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/deus-nao-existe/" data-text="Apesar de tudo, deus não existe" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">Todos que tem TOC já são meio que &#8220;íntimos&#8221; de uma voz que fala em nossa cabeça. Em meu caso, consigo até mesmo negociar com ela. Essa voz geralmente nos fornece rituais que temos de executar. Para quem ainda não sabe, pessoas que tem TOC não fazem seus rituais do nada, existe um &#8220;comando&#8221; que vem de uma voz que fala dentro de nossas cabeças. Pra uma pessoa que tem esse tipo de problema, pode ser fácil se deixar levar por crenças religiosas, uma vez que lidamos todo dia com algo que foge a nosso controle e estimula o caos em nosso cérebro. Apesar disso, no final das contas, eu optei pela razão.<span id="more-337"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Demora um certo tempo &#8211; principalmente quando o TOC começa tão cedo &#8211; para que a pessoa identifique corretamente que esta &#8220;entidade&#8221; não é algo sobrenatural. E mesmo quando você ainda não percebe o que é exatamente, em algum momento nota que não é algo relacionado a nada criado pelas religiões.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu escrevo deus em minúsculo de propósito, devido a quantidade de vezes que a ideia da existência desse ser me obrigou a fazer promessas e andar de joelhos por dezenas de minutos para cumpri-la. E isso é algo muito pessoal que estou revelando aqui. Fui vítima da fé manipulada pela religião. Quando digo isto, quero dizer que a fé não pertence a religião, ela simplesmente se apropriou dessa característica do ser humano que é crer em algo que não está em seu controle. Quando faço algo difícil em meu trabalho, tenho fé de que vou conseguir resolver o problema, mas a religião não tem nada a ver com isso. Grupos religiosos nos fizeram acreditar que ela (a fé) só é válida quando a dedicamos a algo que não existe. É a fé que enche os bolsos das igrejas. Esse &#8220;bug&#8221; em nosso &#8220;sistema operacional&#8221; é a base do modelo de crença das religiões, por isso que eles cobram tanto que você tenha algo que já é seu naturalmente. Quando o fazem, na verdade não estão &#8220;cobrando&#8221; e sim direcionando sua fé.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas mantenhamos o foco. Eu não sei (mas adoraria que vocês relatassem nos comentários), como cada um lida com isso. A princípio, pessoas que tem TOC geralmente são inteligentes, mas é algo teórico, pois existem várias pessoas com esse problema que acreditam em deus. E o que nos leva a isto eu entendo perfeitamente, mas quando eu tinha 13 anos comecei a me questionar sobre este tema. A partir do momento em que percebi que esta &#8220;voz&#8221; não era algo &#8220;lá de cima&#8221; (ou &#8220;de baixo&#8221;), comecei a perceber que havia algo errado nas coisas que ensinavam às crianças. Daí em diante fui ficando cada vez mais e mais curioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não sei se a curiosidade tem alguma ligação com o TOC, mas também não sei ao certo até onde este distúrbio determina nossa personalidade, e ninguém sabe. Mas sempre fui uma pessoa extremamente curiosa, e isto leva a questionamentos, que nos leva a descobertas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho TOC a mais de 21 anos. Nunca foi fácil, e até hoje não é. Se atualmente consigo me controlar mais é devido a tudo que aprendi em minha vida, em todos os sentidos. O conhecimento e a curiosidade sempre foram meus amigos, e com certeza os mais importantes, já que não me imagino aceitando tudo o que as pessoas dizem simplesmente. Creio em muitas coisas que podem parecer bizarras para alguns, tudo relacionado a ovnis e teorias de conspiração e etc, mas toda minha crença nesses temas é baseada em fatos que podem ser comprovados e verificados por qualquer pessoa. Também desacredito em muitas coisas relacionadas a esses assuntos, porque afinal de contas eu não acredito necessariamente nesses temas, mas nos fatos e provas que os tornam reais no sentido verdadeiro da palavra. Evito contradições, como um livro escrito a milhares de anos com afirmações que que ninguém pode verificar, apenas acreditar. Se algo não faz sentido, não digo que é verdade ou mentira até realmente entendê-lo. A frase &#8220;eu não sei&#8221; é a que mais uso, pois quem &#8220;sabe tudo&#8221; é a religião, e eu jamais poderia confiar em algo sem nenhuma evidência.</p>
<p style="text-align: justify;">Não confio em ninguém que não seja curioso, e na verdade, a vida me ensinou a não confiar em ninguém de forma alguma. Creio que é por isto que o método científico se tornou tão importante para mim.</p>
<p style="text-align: justify;">O que eu quero dizer com tudo isto é que deus não vai te curar. Na verdade, ele não vai fazer nada por você, porque ele simplesmente não existe, e se existisse, convenhamos que seria um grande filho da puta, e se você não sabe o por que, leia a bíblia, ela em sí, é a maior prova que deus não existe, mas digo &#8220;ler a bíblia DE VERDADE, e não apenas os versos selecionados por padres e pastores. Tente pensar por sí mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que, infelizmente, nem todos os seres humanos nascem inteligentes, pois somos apenas animais, e a natureza não precisa do racional. Na verdade, ainda não entendo completamente a importância do racional, mas sei que gosto muito dele, pois não exige nada de mim além da curiosidade, apenas me enriquece intelectualmente e permite que eu viva mais plenamente.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, acredito que alguns de nós podem mais. Peço que cada um que ler este texto faça uso de sua curiosidade e pesquise a respeito de tudo que acredita, para compreender completamente aquilo em que você tem fé.</p>
<p style="text-align: justify;">Não estou pedindo dízimo, nem que ninguém acredite em nenhuma religião, ou em nada que estou dizendo. Gostaria apenas que se utilizassem de sua curiosidade, pois se você está lendo isto é porque tem alguma. Boa parte da burrice que existe em nossa sociedade é genética e não se pode fazer nada, mas alguns estão apenas com uma venda sob os olhos, e peço que a retire.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser consciente, inteligente e racional não me torna feliz, mas ser imbecil não nos torna completo. Prefiro o saber ao querer ou ao acreditar. E toda esta razão da qual falo pode também não lhe trazer felicidade, mas ao menos pode fazer com que as pessoas vivam suas vidas com mais qualidade, da maneira como podem, ao invés de dedica-la a algo que nunca existiu, nem nunca vai existir. A inteligência é algo muito raro nos dias de hoje, e na verdade, sempre o foi, mas mais uma vez, peço para aqueles que a tenham, que a despertem.</p>
<p style="text-align: justify;">Não espero mudar o mundo com este texto, apenas quero despertar em alguém que o esteja lendo, algo que também surgiu em mim e me salvou da ignorância e cegueira.</p>
<p style="text-align: justify;">E antes que alguém comente algo neste post, lembre-se de ter argumentos para sustentá-los, pois sou muito bom na dialética.</p>
<p style="text-align: justify;">Vida longa e próspera! ;D</p>
<p style="text-align: center;"><object width="400" height="250" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.4shared.com/embed/48257096/c601ca56" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="400" height="250" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.4shared.com/embed/48257096/c601ca56" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Eterno Retorno</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 23:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Toda vez que Friedrich Nietzsche falava sobre o eterno retorno, o que ele queria dizer, basicamente, era que na existência há um número limitado de fatos, e que geração após geração, a vida está sujeita a experimentar as mesmas coisas num ciclo o qual o caos não pode ter total controle. Mas eu me refiro a algo um tanto diferente.

Quando eu tinha seis anos de idade, algo estranho começou a acontecer comigo (e eu ainda estava longe da puberdade). Se eu saia em direção a algum lugar, ao retornar para minha casa, sentia uma incontrolável necessidade de percorrer o mesmo caminho. Mas era o mesmo caminho MESMO. Tentava inclusive, encontrar minhas pegadas para pisar no mesmo lugar. E em algum momento de minha infância, me tornei um especialista em pegadas. Na tentativa de reconhecer as minhas, eu tinha a necessidade de analisar cada uma. Com o tempo, comecei a sentir que poderia seguir o rastro de qualquer um numa floresta densa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/eterno-retorno/" data-text="Eterno Retorno" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Quando eu tinha seis anos de idade, algo estranho começou a acontecer comigo (e eu ainda estava longe da puberdade). Se eu saia em direção a algum lugar, ao retornar para minha casa, sentia uma incontrolável necessidade de percorrer o mesmo caminho. Mas era o mesmo caminho MESMO. Tentava inclusive, encontrar minhas pegadas para pisar no mesmo lugar. E em algum momento de minha infância, me tornei um especialista em pegadas. Na tentativa de reconhecer as minhas, eu tinha a necessidade de analisar cada uma. Com o tempo, comecei a sentir que poderia seguir o rastro de qualquer um numa floresta densa.<span id="more-304"></span></p>
<p>Isso me perturbava, pois na época eu não entendia o que ocorria comigo (obvio). Mas enquanto ia comprar pão, me preocupando em deixar boas pegadas para poder identifica-las sem problemas na volta, e poder pisar exatamente no mesmo lugar onde havia pisado na ida, eu tentava imaginar o porque que aquilo estava acontecendo comigo. Imaginei que poderia ser uma experiência de um cientista maluco, e que aquela cidade inteira havia sido criada apenas para me testar. Que Matrix que nada, com sete anos de idade eu já estava completamente convencido de que minha realidade era simulada, e que todo o planeta havia sido construído apenas para que eu pudesse ser testado para alguma coisa. Nada era real. Eu me sentia como objeto de um evento que iria definir o futuro de toda uma existência.</p>
<p>Então, com apenas sete anos, o peso do mundo estava em minhas costas. Mas se tudo era apenas uma simulação, por que eu precisava, afinal, cumprir essas ordens? Se a civilização em que me encontrava era virtual, por que eu sentia tanto medo de, ao me desprender daquela &#8220;missão&#8221;, destruir tudo o que havia, já que não havia nada?</p>
<p>O fato é que, em apenas dois anos, passei de uma criança que não conseguia levantar da cama, devido a febre reumática, ao responsável por uma galáxia &#8220;virtual&#8221;, onde todos haviam sido implantados em meu cérebro para simular um mundo que não existia, em prol de um propósito que eu desconhecia. Me sentia um robô obedecendo comandos, mas eu também era um soldado rebelde, pois sempre questionava a voz que sussurrava ordens entre minhas idéias.</p>
<p>Um dia saí de casa e resolvi não fazer o mesmo caminho de volta. Daí entrei em pânico no meio do caminho. Tentei voltar para minha &#8220;trilha&#8221;, mas senti que tudo já estava perdido. Eu suava e caminhava rapidamente. Meus dentes rangiam e minhas esperanças desabaram quando em um determinado momento senti que já era tarde, e que tudo estava perdido. E se aquele mundo fosse real? E se eu tivesse acabado de matar bilhões de pessoas? Parecia que a qualquer momento o planeta iria começar a desmoronar.</p>
<p>Quando cheguei em casa, larguei os pães em cima da mesa, corri para meu quarto e esperei o momento em que o planeta se transformaria em poeira espacial. Passei todo o restante da tarde e noite ali, me odiando e prometendo que se tivesse uma segunda chance de salvar a humanidade, não iria desperdiça-la. Quando percebi que nada ia acontecer, agradeci a voz que falava em minha cabeça, e pelos próximos anos, nunca fiz um caminho diferente que pudesse colocar o planeta em perigo, sendo ele virtual ou não.</p>
<p>Essa foi minha primeira obsessão, e o início de uma luta diária para evitar que todo o planeta fosse destruído, ou apenas que alguns milhões de pessoas perecessem. Desde aquele dia, tudo o que pudesse acontecer seria culpa minha, e só minha.</p>
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		<title>Ônibus, pessoas e cutucões&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 23:53:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gosto quando a parada de ônibus tem um número par de pessoas. Gosto principalmente quando não são muitas, porque não gosto de pessoas, mas gosto de observa-las quando estão em pequeno número. É um bom passatempo enquanto aguardo, mas aí é onde começam meus problemas&#8230; Gosto de ver os primatas, e não sei ser sutil. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/onibus-pessoas-e-cutucoes/" data-text="Ônibus, pessoas e cutucões&#8230;" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p>Gosto de ver os primatas, e não sei ser sutil. Olho pra direita, esquerda, direita, direita, direita, direita. Não, não estou sendo redundante, essa é a quantidade de vezes que olho para a pessoa do lado (as vezes da esquerda). Ou ela me nota por eu estar olhando-a fixamente, ou me nota pela quantidade de vezes que viro a cabeça em sua direção. Doentio? Nem me fale. Mas é isso ou deixar que o ônibus atropele a todos que estão alí. Eu não gostaria de viver com isso&#8230;</p>
<p>Chega o bendito. Respiro fundo e vou enfrentar uma quantidade ímpar de degraus (isso devia ser proibido). Só é pior quando é daquelas roletas que só tem três &#8220;braços&#8221; (só pode ser marcação comigo). Fico ainda imaginando a quantidade de seres que esfregaram seus corpos imundos naquela &#8220;bagaça&#8221;. Respiro fundo, pego naquele dinheiro podre que está em meu bolso e tomo cuidado para o cobrador não tocar os dedos dele nos meus, ou eu teria que toca-lo de volta uma quantidade par de vezes. TREK! Passei.</p>
<p>Admiro bastante ônibus livres de pessoas, com opções de assento, um bem limpo de preferência. Já devidamente colocado em meu local de temperatura normal, às vezes encosto minha cabeça e braços na cadeira da frente para descansar melhor. O problema é quando vem alguém, senta e toca em mim. Daí preciso tocar a pessoa na mesma parte em que ela me tocou, uma quantidade par de vezes (sim, sempre números pares, ímpares são maléficos). Toco duas vezes, a pessoa finge que não sentiu nada, toco de novo, ela olha pra trás, me faço de besta e &#8220;tico&#8221; nela uma quarta vez. Pronto, o mundo está a salvo novamente.</p>
<p>As vezes, pra evitar esse tipo de problema eu encosto a minha cabeça na janela lateral, mas se o ônibus passa num buraco e dou com o crânio contra o vidro, o que você acha que tenho que fazer uma quantidade par de vezes também? Ultimamente tenho tentando bastante me manter ereto no assento.</p>
<p>A segunda situação é quando vou em pé. Se estou nessa condição, é porque o ônibus está consideravelmente cheio, isso significa que existe uma maior probabilidade de eu tocar em alguém, ou vice-versa. O que gera uma necessidade maior de cautela, e um nível ainda superior de vergonha, pois a pessoa pode pensar que estou &#8220;roçando nela&#8221; e não que tenho um distúrbio psicológico comprovado. Por isso tento ir pra porta de saída e me colo nela. Sei que atrapalha mais as pessoas que querem descer, mas é isso ou sair cutucando todo mundo um número par de vezes dentro do transporte, talvez ser expulso pelo cobrador a gritos, ou mesmo ser preso pela polícia por atentado ao pudor. Minhas opções me fazem grudar a porta de saída e me espremer ainda mais contra ela quando as pessoas estão descendo.</p>
<p>As vezes penso como seria se desse pra usar uma câmera que deixasse as pessoas invisíveis e eu pudesse ser filmado em um ônibus lotado, tentando me comportar dentro daquele espaço sem ser preso.</p>
<p>Mas um dia compro um carro. Gosto deles porque tem quatro rodas e quatro assentos. Só fica faltando eu colocar uma direção extra, um cano de escape a mais e arrancar o retrovisor central. Só eu poderei sentar em meu banco, pois nada pior do que quando você não tem opções de assento em um ônibus e fica esperando alguém se levantar. Antigamente eu simplesmente não sentava em um lugar onde visse que outra pessoa havia estado. Eu imaginava que se pegasse aquele lugar iria absorver tudo de ruim que aquele ser tinha. Esse pensamento ainda me incomoda, mas junto forças e sento mesmo assim. Sinto o quentinho do corpo da outra pessoa e aquela voz nada amigável em minha cabeça fica gritando: &#8220;É agora, você terá cancer, o ônibus irá bater e o mundo vai explodir! Eu te avisei pra não sentar aí, avisei! Bhuahahahaha&#8230;!!&#8221; Vou com esse pensamento até meu destino, levanto e saio tocando nas pessoas que ficaram de pé. Me espremendo entre um corpo e outro, colocando a perna pra trás para dar um chute bem onde toquei naquela pessoa quando a transpassei. Todos me olham, todos me odeiam. Cutuveladas duplas para todos os lados. Consigo chegar ao outro lado do &#8220;funil&#8221;, desço as escadas, dou um chute no pneu e continuo meu dia.</p>
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		<title>Fazendo compras</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 03:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, pois deixarei pendente rotinas que poderão livrar a humanidade de catástrofes. Mas preciso arriscar, afinal, o mundo não pode passar fome. Então lá vou eu!

Chegando ao supermercado, é hora de analisar a quantidade de coisas que vou levar. Se forem muitas, preciso pegar um carrinho, mas antes, é preciso quase que fazer uma revisão nele, observar bem, analisar a conjuntura das rodas Oo. Vamos lá: Ele não pode travar nenhuma roda; não pode pender para um lado; não pode ter nada grudado e balançando, como um saco plástico, ou o pedaço de um. É preciso verificar todo o local onde se põe a mão, afinal, uma guia suja pode significar um infeção mundial, e não quero ser o responsável por isto. Para escolher o carrinho de compras ideal é preciso muita cautela. Mas se forem poucas compras, é preciso uma cesta. Também é preciso cuidado para escolher uma destas. Não pode estar suja, óbvio. Preciso prestar atenção nas alças, pois uma vez uma delas estava ao contrário, um absurdo! Eu escolher uma cesta de compras errada, pode significar o impacto de um cometa com mais de 40 Km de diâmetro contra a Terra! E também não quero ser o responsável por isto, então é preciso ter cautela nesse momento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/fazendo-compras/" data-text="Fazendo compras" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, pois deixarei pendente rotinas que poderão livrar a humanidade de catástrofes. Mas preciso arriscar, afinal, o mundo não pode passar fome. Então lá vou eu!</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando ao supermercado, é hora de analisar a quantidade de coisas que vou levar. Se forem muitas, preciso pegar um carrinho, mas antes, é preciso quase que fazer uma revisão nele, observar bem, analisar a conjuntura das rodas Oo. Vamos lá: Ele não pode travar nenhuma roda; não pode pender para um lado; não pode ter nada grudado e balançando, como um saco plástico, ou o pedaço de um. É preciso verificar todo o local onde se põe a mão, afinal, uma guia suja pode significar um infeção mundial, e não quero ser o responsável por isto. Para escolher o carrinho de compras ideal é preciso muita cautela. Mas se forem poucas compras, é preciso uma cesta. Também é preciso cuidado para escolher uma destas. Não pode estar suja, óbvio. Preciso prestar atenção nas alças, pois uma vez uma delas estava ao contrário, um absurdo! Eu escolher uma cesta de compras errada, pode significar o impacto de um cometa com mais de 40 Km de diâmetro contra a Terra! E também não quero ser o responsável por isto, então é preciso ter cautela nesse momento.<span id="more-234"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Escolhido o coletor ideal de produtos, vamos às compras. Não se pode pegar qualquer coisa da prateleira, é preciso verificar cada produto. Se não está &#8220;machucado&#8221;, etc. Também não pode ser o primeiro da prateleira, pois este também pode conter possíveis infecções que podem se alastrar mundialmente. Também é preciso percorrer os corredores do supermercado de forma sistemática. Mas entenda: &#8220;de forma sistemática pra você&#8221;. não necessariamente é o mesmo pra mim. Existe um padrão dinâmico que é definido pelo momento da compra e pelos desastres que devo evitar naquele dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem determinados produtos que não se pode levar num determinado dia, pois pode significar um desequilíbrio dentro do &#8220;equilíbrio&#8221; de cuidados que tenho que ter para evitar uma série de catástrofes. Pessoas não podem ficar no meu caminho, atrasando minha passagem, isto também pode fazer com que eu seja o responsável por atrasar a rotação do planeta em torno do Sol, e fazer com que o ano dure mais do que 365 dias. Imagine um ano bissexto com 2 meses a mais? seria uma loucura social! O jeito é ser grosseiro na passagem, mas cauteloso, pois uma batida num determinado ângulo de outro carrinho também pode significar um desastre de trânsito na avenida em frente ao supermercado. Cautela, cautela sempre!!</p>
<p style="text-align: justify;">Produtos cuidadosamente escolhidos, hora de ir para a fila. É preciso cuidado aqui para não tocar em outras pessoas na fila, pois isto pode gerar um magnetismo que poderá mudar os pólos do planeta. E se isso acontecer, a única forma de reverter, é tocar naquela pessoa novamente, exatamente no mesmo local, quatro ou oito vezes, por mais que ela me olhe de cara feia, afinal, ninguém vai querer trocar o polo sul pelo norte.</p>
<p style="text-align: justify;">No caixa, muito cuidado para ele não encostar em mim, isso seria muito pior que uma explosão nuclear, já pensou a quantidade de mortes? Nem pensar!</p>
<p style="text-align: justify;">Compras pagas, hora de ir pra casa, com muito cuidado no caminho para uma sacola não cair no chão, isso significaria extinção total de todas as espécies no planeta!! Muito cuidado também com as linhas no chão, nada de terremotos antes de chegar em casa!</p>
<p style="text-align: justify;">Em minha residência, já posso pôr tudo na mesa da cozinha e voltar a tomar conta de coisas mais importantes do que os desastres no meio do caminho, afinal, o planeta está a salvo, mas alguém ainda precisa tomar conta do universo.</p>
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		<title>Antes e depois de um certo dia</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 16:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em algum dia da semana, em uma determinada época de minha infância, eu comecei a ficar inclinado a ter algumas atitudes que, para mim, e para quem estivesse de fora visse, pareciam bem estranhas. De repente, senti que minhas unhas não poderiam ter nenhuma falha. Eu tinha cerca de 8 anos de idade, não tinha a menor vaidade sobre nada. Tanto que o importante não era ter as unhas bonitas, apenas que elas não deveriam ter sulcos ou pontas que prendessem no cobertor, por exemplo. Isso é até um tanto quanto natural, até eu começar a ficar completamente obcecado por isto. Não podia perder tempo procurando um cortador de unhas, sejam as dos pés ou das mãos, se não estivessem como deveriam, aquilo precisava ser resolvido imediatamente. Comecei a arranca-las a mordidas. Mordia minhas unhas até elas sangrarem, e mesmo assim, se ainda não estivessem “perfeitas”, eu continuava, com o gosto do sangue em minha boca. Mal sabia eu que este era o início de um problema com o qual eu teria que conviver durante toda a minha vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="socialize-in-content" style="float:right;"><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-url="http://www.obsessivocompulsivo.com/antes-e-depois-de-um-certo-dia/" data-text="Antes e depois de um certo dia" data-count="" data-via="pailoro" ><!--Tweetter--></a></div><div class="socialize-in-button socialize-in-button-vertical"><script>
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<p style="text-align: justify;">O desejo compulsivo de manter o fio de minhas unhas sempre lisinho nunca desapareu. Após o início dessa necessidade compulsiva, vieram as obsessões, que ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é como se fosse um sonho acordado, ou apenas um desejo. Para mim, está mais para um delírio consciente ou uma realidade virtual. A maioria das vezes eu sei que estou em uma determinada realidade, mas mergulho num evento gerado por uma espécie de “inconsciente ativo”, que tenta me controlar. Daí vem as obsessões: Percebo uma ideia ou um pensamento que me ocorre, e é como se mergulhasse nisto, mas não como um salto olímpico, é mais como uma queda desajeitada dentro de um lugar que não escolhi estar, e de onde é difícil sair. Essas ideias e pseudo-realidade começam a cercar minha consciência e começo a me sentir claustrofóbico por esses pensamentos que me apertam cada vez mais. É como se estivesse, a cada momento, mergulhando mais fundo dentro deste abismo. Como se não bastasse estar nessa situação, as próprias ideias que me cercam são ainda mais pavorosas que a própria situação em sí. E num dado momento, um desses “monstros” parece querer fazer um pacto comigo. Percebo que é como se, o tempo todo, essa fosse a intenção de meu subconsciente. É como fazer um pacto com o diabo, mas o que ganho não é algo que não tinha, apenas retomo a liberdade da minha mente. Ela pede que eu faça algo ridículo em números pares, ou que toque no mesmo lugar de meu corpo em um determinado local o qual havia tocado antes. Quando percebo isto, parece ser um pequeno preço a se pagar para libertar a minha consciência daquela situação. Eu faço, e é como se ficássemos quites. Daí, posso partir em paz, pelo menos por enquanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um tempo até eu perceber que estava sendo chantageado o tempo todo pela minha própria razão. O primeiro pensamento que me ocorre é que eu estou ficando completamente louco. Penso que se pedir ajuda irão me internar na hora, irão apontar o dedo para mim e me chamar de louco, afinal, lembrem-se, eu não havia chegado nem aos dez anos ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A missão agora é encontrar uma forma de não enlouquecer de vez, tentar controlar essas situações de algum modo. Mas cada vez que meu subconsciente aparece para me chantagear por algo que parece tão pouco, ele é sempre mais poderoso do que eu me lembrava, daí começo a me viciar, porque afinal, ele não parece pedir muito. Mas o preço começa a ficar cada vez mais alto, as pessoas começam a notar, e a cada vez preciso me esforçar mais para pagar o valor dessa chantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo é gradual, de forma que vou me acostumando com esses rituais obrigatórios para me livrar daquela “cela”. Mas existe outro fator: o trauma. A “realidade virtual” e os pensamentos a que sou impelido pela minha mente são poderosos e cada vez mais violentos. Num dado momento, é como se eu não caísse mais naquele abismo, mas como se todo o meu mundo estivesse dentro dele. Não posso mais fugir daquelas ideias, agora os rituais servem apenas para fazer com que elas se afastem por algum tempo, e esse intervalo também fica cada vez menor. Num instante de poucos meses já sou uma marionete das minhas obsessões, e o pior de tudo, é que eu não faço a menor ideia de que tudo isto é uma doença. Estou em silêncio, sozinho e apavorado por tudo aquilo que presencio todos os dias o tempo todo dentro de minha cabeça. E eu já percebi que não há saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, as coisas não ficam melhores, mas você se acostuma. Acaba se tornando íntimo de seus próprios rituais e seu corpo começa a reagir automaticamente as situações, pelo menos na maioria das vezes, quando é um ritual simples. Eu cheguei em um ponto em que não discutia mais com a razão de minhas compulsões. Eu aceitava as obsessões sem distinção, e apenas às realizava logo, para me livrar daquilo e continuar com minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Apenas mais um momento de ‘loucura’ e continuo com minha vida”, pensava eu. Eu já havia aceitado estar preso no abismo de minhas obsessões e compulsões: “Essa manhã, só terei tempo de salvar 3.000 vidas, a tarde eu cuido do planeta”. É como se o destino do universo dependesse única e exclusivamente de minhas compulsões. Minhas obsessões faziam com que pensasse que todas essas situações fossem realmente acontecer, apesar de eu nunca acreditar em nenhuma delas. É assim que funciona: eu sei que nada do que minha cabeça diz vai realmente ocorrer se eu não fizer determinada coisa. Eu não acredito em nada disso, mas ao mesmo tempo, eu tenho que fazer os rituais, para que nada disso aconteça. É uma situação bem surreal e complicada de se fazer compreender em palavras, mas basicamente, é assim que funciona. Eu acabei aceitando que o destino da humanidade, planeta, universo e tudo o mais, cabia apenas a um movimento de um determinado músculo da garganta, que eu fazia pela manhã, ou pela quantidade de vezes que acendia e apagava as luzes da sala, antes de entrar em casa. E para mim, com o tempo, isso ficou bem natural. Assim fui seguindo com minha vida, até um dia em que sentei no sofá de um lugar qualquer, onde ví uma mulher qualquer na capa de uma revista qualquer de fofofcas, e que comecei a folhear. Por mais fútil que possa ter parecido esse momento, minha vida realmente se dividiu em antes e depois desse dia. Foi quando descobri que, na verdade, eu não tinha “super-poder” nenhum, e sim uma doença complexa e pouco compreendida. Nesta revista havia uma matéria de uma atriz que tinha todos os meus sintomas, e a matéria chamou isso de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que nunca em minha vida eu senti tanto alívio.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta de que meu problema era uma doença foi algo bom, por descobrir que não estava sozinho, nem que eu era um louco completo. Por outro lado, a medida que fui pesquisando cada vez mais e mais a respeito, e consultando psicólogos, descobri que não havia cura para o meu problema, além de também descobrir de esse ser o motivo que fazia com que eu fosse tão agitado. De qualquer forma, descobri que se eu direcionasse toda essa agitação em uma tarefa, poderia “burlar” minhas obsessões, ocupando a minha mente. Hoje pareço muito mais maluco do que no começo, passo o dia inteiro fazendo todo o tipo de coisas, trabalhando direto, inventando projetos pessoais e executando todas essas tarefas enquanto realizo algumas de minhas compulsões. Por outro lado, o fato de direcionar alguns dos efeitos colaterais dessa doença, como a hiperatividade, me fez aumentar a qualidade de vida, além de garantir que eu pensasse menos a respeito e  tivesse menos “visões” violentas. Hoje, estou longe de ser uma pessoa normal, mas quem é? Levo minha vida da forma como me acostumei. Direciono minhas ideias para o que gosto, e com isto, consegui entrar em uma espécie de harmonia com minhas obsessões e compulsões. Neste momento, sou apenas mais um estranho dentre a multidão.</p>
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