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	<title>Obsessivo Compulsivo &#187; Tocar</title>
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	<description>Os pensamentos de um transtornado</description>
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		<title>Fazendo compras</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 03:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[OBS: Esse post não faz sentido algum para quem não tem TOC. Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>OBS</strong>: Esse post não faz sentido algum para quem não tem TOC.</p>
<p style="text-align: justify;">Faltar coisas em casa é algo complicado. Antes isso afetasse apenas a mim, mas sinto que se eu deixar faltar algo aqui, isso poderá provocar fome em todo o planeta. Então, saio correndo pro supermercado. Sair de casa já é chato em sí, pois deixarei pendente rotinas que poderão livrar a humanidade de catástrofes. Mas preciso arriscar, afinal, o mundo não pode passar fome. Então lá vou eu!</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando ao supermercado, é hora de analisar a quantidade de coisas que vou levar. Se forem muitas, preciso pegar um carrinho, mas antes, é preciso quase que fazer uma revisão nele, observar bem, analisar a conjuntura das rodas Oo. Vamos lá: Ele não pode travar nenhuma roda; não pode pender para um lado; não pode ter nada grudado e balançando, como um saco plástico, ou o pedaço de um. É preciso verificar todo o local onde se põe a mão, afinal, uma guia suja pode significar um infeção mundial, e não quero ser o responsável por isto. Para escolher o carrinho de compras ideal é preciso muita cautela. Mas se forem poucas compras, é preciso uma cesta. Também é preciso cuidado para escolher uma destas. Não pode estar suja, óbvio. Preciso prestar atenção nas alças, pois uma vez uma delas estava ao contrário, um absurdo! Eu escolher uma cesta de compras errada, pode significar o impacto de um cometa com mais de 40 Km de diâmetro contra a Terra! E também não quero ser o responsável por isto, então é preciso ter cautela nesse momento.<span id="more-234"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Escolhido o coletor ideal de produtos, vamos às compras. Não se pode pegar qualquer coisa da prateleira, é preciso verificar cada produto. Se não está &#8220;machucado&#8221;, etc. Também não pode ser o primeiro da prateleira, pois este também pode conter possíveis infecções que podem se alastrar mundialmente. Também é preciso percorrer os corredores do supermercado de forma sistemática. Mas entenda: &#8220;de forma sistemática pra você&#8221;. não necessariamente é o mesmo pra mim. Existe um padrão dinâmico que é definido pelo momento da compra e pelos desastres que devo evitar naquele dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem determinados produtos que não se pode levar num determinado dia, pois pode significar um desequilíbrio dentro do &#8220;equilíbrio&#8221; de cuidados que tenho que ter para evitar uma série de catástrofes. Pessoas não podem ficar no meu caminho, atrasando minha passagem, isto também pode fazer com que eu seja o responsável por atrasar a rotação do planeta em torno do Sol, e fazer com que o ano dure mais do que 365 dias. Imagine um ano bissexto com 2 meses a mais? seria uma loucura social! O jeito é ser grosseiro na passagem, mas cauteloso, pois uma batida num determinado ângulo de outro carrinho também pode significar um desastre de trânsito na avenida em frente ao supermercado. Cautela, cautela sempre!!</p>
<p style="text-align: justify;">Produtos cuidadosamente escolhidos, hora de ir para a fila. É preciso cuidado aqui para não tocar em outras pessoas na fila, pois isto pode gerar um magnetismo que poderá mudar os pólos do planeta. E se isso acontecer, a única forma de reverter, é tocar naquela pessoa novamente, exatamente no mesmo local, quatro ou oito vezes, por mais que ela me olhe de cara feia, afinal, ninguém vai querer trocar o polo sul pelo norte.</p>
<p style="text-align: justify;">No caixa, muito cuidado para ele não encostar em mim, isso seria muito pior que uma explosão nuclear, já pensou a quantidade de mortes? Nem pensar!</p>
<p style="text-align: justify;">Compras pagas, hora de ir pra casa, com muito cuidado no caminho para uma sacola não cair no chão, isso significaria extinção total de todas as espécies no planeta!! Muito cuidado também com as linhas no chão, nada de terremotos antes de chegar em casa!</p>
<p style="text-align: justify;">Em minha residência, já posso pôr tudo na mesa da cozinha e voltar a tomar conta de coisas mais importantes do que os desastres no meio do caminho, afinal, o planeta está a salvo, mas alguém ainda precisa tomar conta do universo.</p>
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		<title>Por favor, não me “toc”</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 17:26:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[dependentes]]></category>
		<category><![CDATA[rituais]]></category>
		<category><![CDATA[Tocar]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div class="text">
<p>Alguns “dependentes” do TOC -  e eu digo dependente porque muitas vezes a gente fica a mercê de alguns rituais que vão definir se vamos fazer algumas coisas ou não &#8211; tem um momento de “não me toque”. De uma hora pra outra aquele psicopata que criamos dentro de nossa cabeça nos informa que a partir daquele momento, e por um tempo indefinido que pode ser pouco ou muito, ele diz que não podemos encostar em nada nem ninguém. É como se estivéssemos em um corredor estreitíssimo. E com isso pode vir também os “Cânions”, ou “rachaduras da morte” se preferir. Cada fissura no chão, cada arranhãozinho no piso parece um Cânion, ou uma mina, dependendo do momento. Qualquer passo em falso pode nos fazer despencar em um longo buraco sem fim, ou simplesmente (e esse é meu preferido) nosso psicopata pessoal nos informa que algo a nossa volta pode acontecer: um carro explodir, um prédio desabar, e todas essas maravilhas de nosso dia-a-dia. Tudo isso se simplesmente pisarmos naquele maldito risco no chão.</p>
<p>Os abismos dentro das mais <em>ínfimas</em> fissuras no chão geralmente vem de brinde no “não me toque”, mas às vezes ele também pode vir isoladamente.</p>
<p>Geralmente, quando o momento “não me toque” acontece comigo, o melhor é relaxar. Minha dica pessoal para se alguém acabar lhe tocando sem querer (ou querendo) é tocar nessa pessoa de volta uma quantidade pares de vezes, até seu psicopata pessoal avisar que é o suficiente. Isso é o que faço para “evitar” o caos que pode gerar o não cumprimento desse ritual. E não tem problema se todos acharem que você está em uma corda bamba dentro de um corredor estreito, lembre-se: você está salvando a vida deles.</p></div>
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