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Eterno Retorno

Toda vez que Friedrich Nietzsche falava sobre o eterno retorno, o que ele queria dizer, basicamente, era que na existência há um número limitado de fatos, e que geração após geração, a vida está sujeita a experimentar as mesmas coisas num ciclo o qual o caos não pode ter total controle. Mas eu me refiro a algo um tanto diferente.

Quando eu tinha seis anos de idade, algo estranho começou a acontecer comigo (e eu ainda estava longe da puberdade). Se eu saia em direção a algum lugar, ao retornar para minha casa, sentia uma incontrolável necessidade de percorrer o mesmo caminho. Mas era o mesmo caminho MESMO. Tentava inclusive, encontrar minhas pegadas para pisar no mesmo lugar. E em algum momento de minha infância, me tornei um especialista em pegadas. Na tentativa de reconhecer as minhas, eu tinha a necessidade de analisar cada uma. Com o tempo, comecei a sentir que poderia seguir o rastro de qualquer um numa floresta densa. Continue Lendo →

A cura

Eu não vou expor meu cérebro a radiação nem abrir ele pra tirar um pedaço feito uma lobotomia. Prefiro ficar acendendo e desligando a luz 8 vezes toda vez que saio de casa a noite, ou olhar para a pessoa ao lado 4 vezes seguidas. Muito mais seguro. Eu já aprendi a conviver com isso mesmo. Como diria Guimarães Rosa em Grande sertão: Veredas, “viver é muito perigoso”. Mas esse tipo de tratamento pode aumentar exponencialmente estes riscos. Claro que existem muitos graus do TOC, e acredite em mim, passei por muitos deles. Continue Lendo →