horizonte

A Ilusão do Horizonte

Ainda que eu pudesse, mesmo assim não deveria.
Porque acreditar que algo pode ser dito, é tão ingênuo quanto nossa vontade.
Ainda que eu devesse, eu não deveria me arriscar.
Porque arriscar-se é tão ineficaz quanto tentar ser.

Então eu não sou, e não devo.
Porque tudo aquilo que eu pudesse, depende do que você acredita que eu deveria.
Ser, é apenas uma grande perda de tempo,
Talvez até maior que acreditar

Tendo isto, talvez a única coisa que eu possa, seja a ausência,
Porque ausência é aquilo que se pode ter verdadeiramente.
Então a verdade é que devo não estar, para talvez ter algum ser que realmente se possa tocar.
Como se pudéssemos tocar aquilo que só a gente tem.

Penso nas coisas que eu deveria fazer,
Como se o dever fosse algo meu.
Na verdade, o dever é sempre terceirizado.
Afinal, a vontade é outra coisa que não se pode tocar.

Só o que me resta é desejar que o horizonte me fosse mais distante.
Como se ele pudesse,
Como se isso importasse
O horizonte é só mais uma coisa que apenas podemos ver.

Fernando Aureliano

Eu e nossas obsessões

Essa semana recebi  um email muito legal da Ana, de Portugal, procurando tirar algumas dúvidas. O email ficou grande e acabei falando sobre coisas realmente muito interessantes que acho que seria legal passar pra vocês. Então vamos lá!

Minhas obsessões iniciaram-se quando eu era bem jovem, cerca de 7 anos. Comecei a ir a lugares e estranhamente ter uma vontade incontrolável de refazer o mesmo caminho na volta. Nenhum desses desejos sumiu rapida ou completamente. Na verdade, eles foram se acumulando a medida em que o tempo passava. Durante toda a minha infância, eu também criei um medo absurdo do escuro, a ponto de só conseguir dormir com a luz acesa, daí a minha irmã mais velha me esperava dormir para apagar a luz para mim. Em seguida comecei a ter uma estranha obsessão pelas minhas unhas. Sabe quando você tem uma imperfeição na unha e a passa por um tecido, daí você sente o tecido predendo um pouco nessas imperfeições? Para evitar esse problema, eu comecei a arrancar todas as minhas unhas com os dentes, mesmo as dos pés, e as passava em algo feito com algodão para ter a certeza de que elas não prendiam mais em nada. Em seguida comecei com a minha obsessão mais forte, que é a de repetição e a de tocar em um lugar especifico. As vezes quando toco em algo ou alguém sem querer, eu sinto que tenho que conseguir tocar exatamente naquele mesmo lugar novamente, independente de quantas vezes eu precise tentar, e só posso parar quando consigo tocar naquele mesmo lugar. O problema é que, por exemplo, as vezes eu piso em uma pedrinha no chão, então eu fico tentando tocar na mesma pedra com o mesmo lugar do pé em que a toquei, e isso pode realmente durar muitos e muitos minutos. Outras vezes estou no ônibus e toco em alguém, é uma vergonha, porque fico tocando na pessoa de novo e de novo até conseguir acertar aquele lugar novamente, e isso é realmente um grande problema para mim. Penso que se eu não fizer isto, algo de muito ruim pode acontecer, como um predio desabar, aviões caírem ou até mesmo países simplesmente explodirem. Continue Lendo →