silencio

Tudo se perdeu

Chega um momento, em que a gente percebe que tudo se foi. A esperança, a vontade, o impulso, a fé, a infância e tantas outras coisas. Há um tempo em que sobra muito pouco. Um pouco de loucura, um pouco de curiosidade, e um pouco, muito pouco, de nós mesmos.

E apesar de perdermos tanto, tão cedo, ainda é incrível que nos sobre alguma percepção. O que é doloroso, e até mesmo cruel. De tantas coisas que poderiam ficar, porque, no final das contas, é só isto que me resta?

A gente só existe quando está sozinho. Quando não precisamos nos mascarar, julgar, nem ter uma posição para que as pessoas nos compreendam da forma que queremos. Então, existimos muito pouco, o resto é abstração. Apenas a vontade de que algo complexo seja real. Uma vez que pouco nunca é o bastante, o que sobra de nós mesmos nunca nos satisfaz. Estamos presos a tudo aquilo que seria bom que as pessoas acreditassem.

Mas todos sabem o quanto cada um precisa mentir para ser “aceito”. Cada um de nós sabe, mas mesmo assim, passamos por idiotas. Fingimos o quanto cada um não sabe o quanto o outro está mentindo.

Porque temos tanta vontade de que as pessoas encontrem aquilo que não somos? Todos buscam um sentido através da mentira. Logo, todos encontram aquilo que não é, sendo assim, o que não existe. E qualquer coisa que exista, é tratado como supérfluo. Se o homem ama a vida, porque a inexistência é tão supervalorizada?

São tantas interrogações, que chego a recorrer a matemática. Pego a quantidade de pessoas no mundo, e multiplico pela media de interrogações. Então tenho um número que não me responde nada.

Somos todos sozinhos de tantas formas. Pessoas, repostas… Aquele momento em que tudo nos abandona, tudo se perde. O tempo passa, e não paramos de entulhar o mundo do subproduto da vida: percepção, e interrogação.

One Response to Tudo se perdeu

  1. eu queria que tu escrevesse um texto sobre a nossa sociedade…

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